Segunda, 04 de junho de 2012
Renascimento em grande estilo
Praça Floriano Peixoto, adotada na capital mineira vira exemplo de revitalização bem-sucedida. Rede de Amigos é guardiã do espaço público
Foto: Luciana Morais
Quem te viu, quem te vê. O ditado popular caracteriza com perfeição ‘o antes e o agora’ de um dos espaços públicos mais bonitos e bem cuidados de Belo Horizonte. São mais de cinco mil metros quadrados, com direito a muito verde, flores de diferentes cores e espaço para o lazer, a cultura e o descanso. O endereço que reúne todos esses atrativos é a Praça Floriano Peixoto, uma das mais antigas da capital mineira. Cartão-postal do Bairro Santa Efigênia, na Região Leste, a praça, tombada pelo Patrimônio Municipal e Estadual, é hoje exemplo de que quando iniciativa privada e poder público se unem, a cidade e a população sempre saem ganhando.
Adotada pela Unimed-BH por meio do ‘Programa Adote o Verde’, a praça foi revitalizada e reinaugurada em novembro de 2010. A iniciativa é resultado de um compromisso assumido com a prefeitura, ainda na fase de construção do Hospital Unimed, localizado em frente. Ciente da importância do espaço para a comunidade, a empresa decidiu ir além – fez mais que cumprir a lei, já que a adoção foi acordada como parte das condicionantes de licenciamento do novo edifício – e investiu R$ 2,2 milhões em sua completa restauração.
A praça ganhou equipamentos para ginástica de baixo impacto e brinquedos especiais para crianças. Em 2011, foi eleita um dos espaços públicos mais bonitos da capital, no Concurso Cidade Jardim. A gestora do Instituto Unimed-BH, Cíntia Campos, se entusiasma ao falar da iniciativa. Segundo ela, o projeto de restauro, dos arquitetos Maria Ângela Reis de Castro e Flávio de Lemos Carsalade, foi idealizado em sintonia com a estratégia de responsabilidade social da Cooperativa, que busca contribuir para melhoria da qualidade de vida em toda a cidade.
“Temos o maior orgulho de ver a praça tão bonita e bem cuidada, um espaço querido e cada dia mais respeitado pela população. Alguns pais estão até comemorando o aniversário dos filhos com piquenique no gramado. Dá gosto ver. Mais que oferecer atendimento de qualidade aos clientes, nossa missão também é proporcionar bem-estar, lazer e cultura. A revitalização da Praça Floriano Peixoto reflete o cuidado da empresa com a natureza e com os espaços públicos, sempre inspirada pelo espírito da responsabilidade social e busca da maior interação com os seus diversos públicos”, afirma.
Força do exemplo
Hoje, o passado de depredação e descaso é página virada na história da Floriano Peixoto. “Quando iniciamos o trabalho, a praça afastava as pessoas; era frequentada por andarilhos e usuários de drogas. Havia inclusive certa descrença entre a vizinhança em relação ao sucesso da iniciativa”, relembra Cíntia. Determinada, a Unimed não mediu esforços para dar vida ao projeto e teve como parceiras de primeira hora a PBH, a Polícia Militar e a Guarda Municipal. “Visitamos outras praças, conversamos com representantes de associações de bairros e organizamos até um café da manhã, com moradores e comerciantes do entorno, para mostrar a importância do projeto para a cidade. Mesmo após a conclusão das obras, enfrentamos problemas com frequentadores de casas noturnas da região, que depredavam brinquedo e bancos.”
Consciente de que também era preciso envolver a comunidade no cuidado da praça, fazendo dela sua guardiã, a empresa articulou a criação da Rede de Amigos da Praça Floriano Peixoto. Deu certo. Hoje, o grupo tem 50 participantes, entre moradores e comerciantes vizinhos. Com apoio da Unimed-BH, eles já promoveram três mutirões de limpeza – em janeiro e março de 2011; e o último em abril deste ano. “A grande missão da Rede de Amigos é dar o exemplo, mostrar que a praça está cuidada e é querida por todos. Para o cliente da Unimed conta muito estar no hospital, abrir a janela e ver uma praça tão bonita. Nossos colaboradores também desfrutam e se orgulham dela”, resume Cíntia.
Testemunha da história
Na tarde de 1º de maio, o movimento na Praça Floriano Peixoto era intenso: crianças corriam e se
divertiam nos brinquedos; modelos vestidas de noiva tiravam fotos, adultos namoravam e estudavam. O mecânico de veículos Luiz Carlos Morais da Silva aproveitou o feriado e saiu do Bairro Vera Cruz para levar os dois netos para brincar. Deivid, de 5, desceu da bicicleta e abriu logo um sorriso. Diogo, de 8, mais tímido, aceitou se sentar com o avô e o primo, mas se manteve sério na foto. “Venho sempre aqui, principalmente, em dias quentes. Está tudo ótimo, arrumado e limpo”, disse Luiz. Em outro banco, Jussara Cristina da Silva, de 30, moradora do Centro, concentrava-se em suas apostilas. “Estou me preparando para dois concursos e aqui consigo estudar tranquilamente. É seguro, posso deixar a bolsa do lado e relaxar.”
Moradora da Rua Domingos Vieira, dona Dioceli de Abreu Prokop é integrante da Rede de Amigos da Praça Floriano Peixoto e testemunha de sua história. “Tenho 81 anos e brinco sempre que vi esta praça ‘nascer, agonizar e renascer’. Já tivemos muitos problemas com vandalismo e depredação, mas agora ela está linda. Outro dia, assisti a uma reportagem sobre praças de BH, e me emocionei quando o repórter disse: ‘Saindo da pracinha da Santa Casa, tomada pelo lixo, chegamos ao paraíso: à Praça Floriano Peixoto’. É verdade, ela é nosso orgulho. Moro aqui do lado e fico de olho em tudo.”
E completa, em tom confessional: “Certa noite, ouvi uma cantoria danada e fiquei apreensiva, pensando se iriam estragar algum brinquedo ou o gramado. Antes da seis da manhã, fui ver se estava tudo em ordem. Por sorte, só encontreiuns jovens sentadinhos num banco, conversando”, conta ela, que deu várias sugestões para melhorar a segurança no local e, por meio de um abaixo-assinado, conseguir o funcionamento da vigilância noturna, feita pela Guarda Municipal.
Foto: Luciana Morais
Equipe valorizada
A crescente conscientização dos frequentadores em relação à conservação da praça é comemorada pela Unimed. “No primeiro mutirão, chegamos a recolher 400 sacos de lixo. No último, não passaram de 40. A maioria com tocos de cigarro e papel de bala”, revela Cíntia Campos. A equipe responsável pela jardinagem e limpeza também recebe atenção especial. Os serviços são prestados por funcionários de uma empresa terceirizada, a Recreio das Flores, que são incentivados a se esmerar cada vez mais no trabalho.
“Temos uma equipe mista, com sete homens e mulheres, e compartilhamos com eles todas as conquistas. Fazemos café da manhã para mostrar as reportagens publicadas, organizamos concursos para eleger o canteiro mais bem cuidado e levamos o responsável para almoçar, fornecemos bonés e protetor solar. O café com pão deles também é sagrado. Quando ganhamos o Concurso Cidade Jardim, o grande homenageado foi o zelador da praça, o José do Carmo.” Os ambulantes credenciados também são valorizados. “Fizemos camisas, aventais e distribuímos sacos de lixo. Queremos que eles se sintam sempre motivados a cuidar do espaço”, conclui Cíntia.
Fiel à causa da sustentabilidade, a Unimed-BH comprova que quem cuida da saúde das pessoas também pode – e deve – se doar um pouco a cada dia para manter a cidade e o planeta mais saudáveis!
PRAÇA VIVA
“Em 2006, quando pensamos as possibilidades ao adotar a Praça Floriano Peixoto, sabíamos que o maior desafio não seria o de conquistar os recursos para revitalizar o espaço, e sim o de mantê-lo vivo após as obras. Com menos de dois anos de sua reinauguração, é assim que a praça segue: viva, fruto do cuidado permanente proporcionado pela Unimed-BH, das atividades culturais e de promoção da saúde ali realizadas e da adesão das pessoas, empresas e organizações que habitam o entorno, formando a Rede de Amigos da Praça. É com muita satisfação que vemos esse espaço se tornando um símbolo do compromisso da Unimed-BH com a sustentabilidade e com a comunidade”.
Nelson Nascimento, Gestor de Marketing
da Unimed-BH
INTERIORIDADE ACONCHEGANTE
“A Floriano Peixoto é uma das principais praças previstas no plano de Aarão Reis para a Nova Capital de Minas Gerais, em 1894. Sua importância não é só histórica, mas também como equipamento urbano, funcionando como um parque público para os bairros adjacentes – os quais não têm outras praças – e como ‘sala de espera’ para quem usa os hospitais do entorno. O restauro buscou guardar suas características principais, onde notamos duas partes distintas: uma ampla área aberta gramada, junto ao edifício do Batalhão da PM; e outra para eventos e apresentações no seu núcleo central, emoldurado por dois anéis vegetais: um interno, com jardins e palmeiras; outro externo, junto à rua, com arborização mais densa, que confere uma interioridade aconchegante à praça. As maiores inovações arquitetônicas e paisagísticas foram o aumento da calçada periférica, ocupando áreas antes disponíveis para caminhões e outros veículos, potencializando o espaço para caminhadas e corridas; a cobertura translúcida dos quiosques, permitindo sua utilização variada mesmo em dias de chuva; e a criação de acessibilidade em toda a praça, assegurando que idosos e deficientes possam usufruí-la em toda a sua potencialidade.”
Flávio de Lemos Carsalade, autor do projeto e diretor da Escola de Arquitetura da UFMG
UM NOVO PARADIGMA
“As praças são espaços públicos fundamentais para a população que habita uma metrópole como Belo Horizonte. Configuram-se como verdadeiros oásis em meio ao caos urbano, pois oferecem áreas verdes, espaços de convívio, esporte e lazer. No caso de um local histórico, como a Praça Floriano Peixoto, cabe destacar que esse papel é ainda mais significativo, pois se trata de patrimônio cultural tombado pelo poder público e, como tal, merece ser preservado. Considero a revitalização dela um presente para todos os belo-horizontinos. A adoção dos bens culturais e de áreas verdes pela iniciativa privada se tornou determinante para esse novo paradigma de gestão urbana, pois, a melhoria da qualidade de vida depende da participação de todos os agentes sociais, não apenas do poder público.”
Luciana Rocha Féres, arquiteta e urbanista; diretora de Patrimônio Cultural do Instituto dos Arquitetos do Brasil – Seção MG
UM POUCO DE HISTÓRIA
Floriano Peixoto - Militar nascido em Ipioca, atual Floriano Peixoto (AL), em 30/04/1839, Floriano Vieira Peixoto era formado em engenharia. Lutou na Guerra do Paraguai e alinhado com os setores antiescravistas do Exército destacou-se no processo de instauração da República, passando a exercer a vice-presidência em 25 de fevereiro de 1891. Com a renúncia de Deodoro da Fonseca, assumiu a Presidência da República em 23/11/1891. Morreu em Divisa (RJ), em junho de 1895.
Fonte: Arquivo Nacional/Biblioteca da Presidência da República.
Santa Efigênia é um dos bairros mais antigos da capital mineira. Sua história está intimamente
ligada à construção do Quartel do 1º Batalhão da Polícia Militar e à Praça Floriano Peixoto, ambos tombados. O Quartel era uma das principais instituições que compunham a estrutura administrativa do Estado. Projetado originalmente por Edgar Nascentes Coelho, sua edificação foi iniciada em março de 1897, sob a responsabilidade do Conde de Santa Marinha. Suas obras já estavam adiantadas, quando, em 6 de abril de 1898, um incêndio – o primeiro registrado na nova capital – destruiu parte significativa do novo edifício. Sua inauguração ocorreu em 12 de maio de 1899.
Guardando a imponência arquitetônica do Quartel havia uma praça, denominada Belo Horizonte, e originalmente planejada em formato triangular, com arborização. Em 1929, por força de decreto, seu nome foi mudado para Praça Floriano Peixoto. Em 29 de junho de 1930, o Clube Republicano de Santa Efigênia organizou uma sessão cívica e inaugurou a placa com o novo nome da praça.
Foto: Divulgação
EVENTOS E ATRAÇÕES
A PRAÇA
A Praça Floriano Peixoto foi a primeira de BH a ganhar brinquedos especiais para crianças com deficiência. Uma ação pioneira da Unimed-BH, que se antecipou às exigências da Lei Municipal nº 10.142, publicada no início de 2011, determinando a instalação de brinquedos adaptados em locais de diversão abertos ao público.
Atualmente, a praça é palco do Circuito Unimed-BH, que oferece atrações culturais e atividades de promoção da saúde. Toda segunda e quarta-feira profissionais de educação física promovem alongamento e caminhada orientada, das 7h às 8h30, e das 18h30 às 20h. Aos sábados, das 7h30 às 9h, há aulas de tai chi chuan. Todas as atividades e espetáculos desse Circuito são gratuitos e têm como objetivo envolver a comunidade, incentivando a melhoria da qualidade de vida. Mais de 17 mil pessoas já foram beneficiadas.
Para saber mais:
www.unimedbh.com.br
Rede de Amigos:
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