Segunda, 04 de junho de 2012
Capitão do Mato
Entre Itabirito e Rio Acima, a Unidade de Conservação é uma das 17 áreas que estão sendo averbadas pela mineração em Minas
Foto: Fernanda Mann
A área de Capitão do Mato é grande. Equivale a aproximadamente 800 campos de futebol. O montante poderá ser estendido a mais 200 hectares, de acordo com Lívia Nogueira, engenheira ambiental da empresa: “Estamos querendo expandi-la, o que fará com que chegue a mais de 1,1mil hectares”.
Lívia diz que os motivos da preocupação da empresa em preservar as 17 reservas em Minas divergem de uma área para outra. Mas que o fator “medida compensatória” é um deles. E que a ideia também é formar um grande corredor ecológico com as reservas particulares como forma de preservar a fauna e a florada região.
O que fazer para garantir que as RPPNs da mineradora sejam protegidas? Monitorá-las o tempo todo. Esse é o lema da Vale. No caso de Capitão do Mato, quem fiscaliza a área é Wobert Araújo Alves, técnico em meio ambiente da empresa. Ele diz que a convivência com o entorno, onde há um campo de golfe e um haras, é tranquila, mas nem tanto. “A vizinhança não traz problemas, a não ser por alguns visitantes que ainda não entenderam que isso aqui é uma área particular, não aberta, portanto, à visitação”.
Entrada proibida
Ninguém pode entrar na área. A não ser, claro, os funcionários contratados e quem mais a empresa autorizar. “Iremos colocar várias placas junto às cercas. O objetivo é sinalizar, com avisos e advertências, que RPPN não é um local público”, adverte Alves.
Em 2010, aproximadamente 70% da área de Capitão do Mato virou fumaça. Para apagar o incêndio, aparentemente criminoso segundo Alves, a Vale contou com o esforço de seus brigadistas e também com a ajuda do pessoal do Instituto Estadual de Florestas (IEF). “Aqui é alvo de turistas locais. O pessoal vem, toma banho, faz churrasco (o técnico mostra um amontoado de carvão próximo a Cachoeira das Codornas, um belo atrativo dentro da RPPN), vai embora e deixa a brasa acesa. Isso, em época de seca, é fogo na certa!”
Já no ano passado, as chamas passaram longe da Unidade de Conservação (UC). A equipe da prevenção de incêndio trabalhou pesado com aceiros (supressão da vegetação) ao longo das cercas que circundam a área. Deu certo! “Em 2011 não tivemos nenhum foco de queimada”, relata o fiscal.
Para ajudá-lo na tarefa de proteger Capitão do Mato, há um agente que visita o local diariamente e mais os vigilantes da Prosegur (empresa de segurança privada). Um deles é Warley Almeida Costa.
Diante da Cachoeira das Codornas, o segurança conversou com a equipe da Revista ECOLÓGICO e contou que seu maior trabalho é convencer as pessoas de que o local, além de privado, oferece riscos. “Peço aos visitantes que se retirem e procuro alertá-los do perigo, principalmente em relação ao cânion (há um bem ao lado da cachoeira, com mais de 40 metros de altura). Já pensou uma criança, brincando aqui?”, indaga preocupado.
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Fotos: Fernanda Mann
Pergunto a ele se o fato de o banho de cachoeira fazer parte da cultura mineira, não torna seu trabalho uma missão quase impossível. “Algumas pessoas relutam bastante em sair, mas explico que essa é uma reserva particular e que só estou fazendo meu trabalho”, diz.
O ex-diretor de biodiversidade do IEF, o biólogo Célio Valle, sempre defendeu a parceria da população na manutenção de UCs. “Os melhores guarda-parques são os moradores de seu entorno”, diz. No caso dessa unidade não se sabe ainda se será aberta à visitação. Essa informação só será passada no término do plano de Manejo da RPPN. Mas a Vale concorda com o que diz Célio Valle e com certeza, a colaboração da população do entorno na proteção de Capitão do Mato é muito importante.
Riscos e proteção à parte, não deve ser fácil resistir a um pulo num fim de semana de sol quente. A cor límpida das águas da Cachoeira das Codornas é pra lá de convidativa! O vigilante da Prosegur jura que nunca entrou; que se dá por satisfeito avistando a beleza sem cair na água. Mas imagina que sua profundidade chegue a mais de três metros. “Sei dos perigos do local e tenho de dar o exemplo, não é?”
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