Segunda, 06 de agosto de 2012
Fazenda Parque da Roseta
Inaugurada, em Baependi, a mais nova opção de lazer e turismo histórico-cultural do Circuito das Águas
Fotos: Ricardo Melo
Com direito a lua cheia no céu, fogueira para espantar o frio e violão de Juarez Moreira, o ambientalista Paulo Maciel Júnior, ex-secretário de Meio Ambiente de BH e ex-diretor da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), realizou seu sonho antigo. Na última noite de junho, ele inaugurou o “Parque do Cavalo” e o “Pouso do Tropeiro” na antiga Fazenda da Roseta, ex-morada da família do Barão de Maciel, seu bisavô, em Baependi, no Sul de Minas.
O evento contou com a presença de quase 200 pessoas, entre autoridades, empreendedores de turismo, produtores rurais, criadores de cavalos, jornalistas e ambientalistas. Logo após missa e benção celebrada pelo padre Itamar, defronte à antiga Gruta de N. S. de Lourdes, também restaurada, o Parque do Cavalo “Paulo Cesar Junqueira de Andrade” foi aberto ao trade turístico com um show, à parte, do adestrador Zé Trovão e seus cavalos Lusitanos e Mangalarga Marchador.
O Pouso do Tropeiro, que doravante irá recepcionar os turistas e viajantes a cavalo pela região, também foi inaugurado na mesma oportunidade. Trata-se de espaço destinado à hospedagem de cavaleiros e amazonas que queiram desfrutar de um ambiente rústico, porém acolhedor, que remete aos velhos tempos dos tropeiros. Como atrativo tradicional, a pousada possui fogão a lenha e churrasqueira que podem ser utilizados pelos próprios hóspedes, caso queiram preparar sua própria comida. Eles contam ainda com assistência veterinária de emergência para os animais, além de transporte em micro-ônibus de um destino a outro, com todo conforto e segurança.
História revisitada
Nascido em 1837, naquele município, Justo Domingues Maciel III era também conhecido como o Barão da Roseta, das Águas ou de Contendas. Iniciou suas atividades como tropeiro, levando produtos da fazenda para a corte no Rio de Janeiro e São Paulo.
O Barão foi casado com Luíza Leocádia Ribeiro da Cunha, que era cantora lírica e interpretava Chopin. A baronesa fez parte da comitiva que recepcionou a visita da família imperial a Caxambu, em 1868. A princesa Izabel, que casada com o Conde D’Eu, diz a lenda, só conseguiu engravidar após beber as águas ferruginosas desta estância hidromineral. Em agradecimento, mandou construir a belíssima igreja no alto da cidade.
Justo Maciel foi presidente da Câmara Municipal de Baependi e também o primeiro prefeito do município após a proclamação da República, na época do regime parlamentarista.
Em 1884, acompanhou o imperador D.Pedro II na inauguração da ferrovia The Minas and Rio Railway. Como empresário fundou e presidiu a “Empreza das Águas de Caxambu e Contendas” (sic), considerada a primeira indústria constituída de engarrafamento de águas minerais. Nesse período, importantes obras foram realizadas para implantação do Parque das Águas de Caxambu.
Após a morte de Justo e Luíza, a propriedade da Fazenda da Roseta passou a pertencer aos seus descendentes, incluindo os pais de Paulo Maciel. Com o declínio das suas atividades produtivas, o patrimônio sofreu um forte desgaste e, desde 2005, vinha sendo restaurada para se transformar na primeira fazenda-parque da região. Agora, a Fazenda da Roseta pode receber não somente cavaleiros e amazonas, como também turistas tradicionais em busca de beleza natural e a vida no campo.
Segundo Paulo Maciel Jr., que preside a Lume Ambiental em Belo Horizonte, a ideia maior é integrar o Sul de Minas a outros polos de turismo equestre dos estados do Rio e São Paulo, criando e aumentando a oferta de emprego e renda na região que já foi próspera no passado: “Mais que isso, queremos provar que recuperando o meio ambiente e trazendo a exuberância da natureza de volta, através do turismo ecológico, é possível desenvolver a chamada indústria sem chaminés de maneira simples e necessária.”
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A beleza e o adestramento dos cavalos foram um show à parte
A noite em que Chico Pelúcio virou Nhá Chica
Várias autoridades, políticos e personalidades da região prestigiaram o evento, como o prefeito de Baependi, Efrain Lemos, o promotor de Justiça, Bergson Guimãraes, e o promotor cultural Cláudio Mourão. Mas a figura que mais chamou a atenção foi do também baependiense Chico Pelúcio, do Grupo Galpão. Nesta mesma data, sua cidade natal estava toda “vestida” com fotos, bandeiras e posters da ex-moradora mais ilustre, Francisca de Paula de Jesus, a “Serva de Deus”, como Nhá Chica era conhecida, por causa da sua beatificação reconhecida e recém- anunciada pelo Papa Bento XVI.
A noite enluarada já entrava a madrugada. O frio estava de rachar. A pinga já tinha acabado; a fogueira, quase; e um nevoeiro tipo londrino acabara de envolver toda a fazenda e seus últimos visitantes. Foi quando, parece que do nada, Chico Pelúcio apareceu de repente para se despedir. Envolto num casaco com o capuz amassado na cabeça contornando o rosto, a lembrança da Santa de Baependi veio na hora, e unânime. Todos a “viram” ali no estilo Galpão, também benzendo a Fazenda do Barão.
Como ir
Fazenda Parque da Roseta
Para mais informações, agendamento de grupos e reservas, os interessados devem entrar em contato com a agência de receptivo regional “Caminho Natural Turismo e Meio Ambiente”, parceira da Fazenda da Roseta.
(35) 3341-7525
Comentários
rafaela
quee lesgall essa história"
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