Quinta, 02 de agosto de 2012
Exemplo brasileiro
Curitiba colhe os louros dos benefícios de quem optou pela gestão municipal baseada na valorização dos ecossistemas urbanos
Foto: Morio
Como dar mais harmonia ao concreto das pequenas, médias e grandes cidades do mundo? Aproveitando o que ainda resta de área verde nas “selvas de pedra”.
Defendendo a ideia de que a natureza não é privilégio somente das zonas rurais. E que, portanto, o entendimento e a valorização da biodiversidade urbana podem e devem ir além, harmonizando mais e melhor as cidades ao redor do planeta. E, claro, trazendo, de quebra, mais qualidade de vida às suas populações.
Sobram exemplos de quem conseguiu conciliar o cuidado e a conservação da biodiversidade com a vida urbana. No sul do Brasil, Curitiba (PR), com quase 1,8 milhão de habitantes, é um deles. E fez bonito na plenária que discutiu o tema “Cidades Biodiversas” no congresso mundial do Iclei recentemente realizado em BH.
Desde a década de 1970, a cidade trabalha em prol da natureza urbana. A partir da criação de leis ambientais mais rígidas, mas também de benefícios para a população, o município avançou no aproveitamento de seus espaços naturais.
O resultado? Cada habitante curitibano usufrui hoje de 64, 5 metros quadrados de área verde num contingente que se espalha por 3,9 milhões de metros quadrados só na arborização pública, mais 77,7 milhões de metros quadrados nos maciços vegetais. Isto significa cinco vezes mais o índice mínimo de área verde recomendado pela OMS como excelência em qualidade de vida.
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Foto: Adelano Lázaro
Ao todo, são 23 Unidades de Conservação (UCs), 16 bosques, uma estação ecológica, duas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e cinco Reservas Particulares do Patrimônio Natural Municipal (RPPNM).
Segundo a assessora da prefeitura de Curitiba, Dâmaris Seraphim, a cidade é exemplo também na gestão dos resíduos sólidos. “Não dá para ser bom na biodiversidade se não cuidarmos de nosso lixo. Desde 1992 trabalhamos com programas que incentivam a participação e a colaboração de todos. Atendemos cem por cento da população com a coleta de lixo e já temos 85% da população separando seus resíduos”, comemora.
Não é para menos. Desde 2010, a capital paranaense ostenta o título de metrópole mais verde da América Latina. A classificação foi dada pelo Green City Index (GCI), projeto que analisa o desempenho ambiental das principais cidades do mundo. E que considerou Curitiba muito acima da média quanto às normas ambientais adotadas na gestão municipal.
No ano da Rio+20, Curitiba foi considerada pelo programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) como modelo de “economia verde”. O conceito, que foi tema da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, defende o desenvolvimento com baixa queima de carbono, eficiência no uso dos recursos e inclusão social.
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