Mata Seca: tesouro escondido a ser preservado
Foto: Amda
02/04/2012 - produzido por Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda)
Por ocupar espaço territorial muito pequeno, a Mata Seca é um ecossistema pouco conhecido, não tendo a fama da Mata Atlântica ou o glamour da Floresta Amazônica. Porém, justamente por ser tão rara e peculiar é que ela merece atenção, principalmente devido ao acelerado processo de exploração e desmatamento que tem sofrido para dar lugar à agricultura, pecuária e carvoarias. Isso sem contar com os incêndios que a assolam a cada ano.
Encontrada na zona de transição entre a Mata Atlântica, o Cerrado e a Caatinga, a Mata Seca é assim chamada pela aparência que adquire durante o período de estiagem, quando suas árvores perdem quase completamente as folhas como forma de se preservar diante da pouca chuva e de solos em sua maioria muito pobres em nutrientes. Mas, assim que se aproximam as chuvas, a Mata Seca transforma-se em uma floresta tropical exuberante, revelando, mais do que nunca, suas extremamente ricas flora e fauna.
Tecnicamente conhecida por Floresta Estacional Decidual, suas formações vegetais caracterizam-se pela presença de gramíneas, arbustos, plantas espinhosas e grandes árvores, como ipê, aroeira, pau-ferro e a mais característica e exuberante de todas elas: a barriguda. Dentre os animais que nela habitam, estão onças, antas, vários anfíbios, os raros jacús-estalo e micos-prego-do-peito-amarelo - muitos desses, severamente ameaçados de extinção.
A Mata Seca encontra-se espalhada pelo território brasileiro. Suas "manchas" são maiores em Minas Gerais e na Bahia, e menores em Goiás, Mato Grosso e Tocantins. No Norte de Minas, seus remanescentes estão em grande parte localizados em áreas de ocorrência de rochas calcárias, que fornecem abrigos a grandes felinos. Estima-se que, depois de derrubada, a floresta não se recupera com menos de 100 anos, considerando-se naturalmente que não haja incêndios neste período.
Esse ecossistema é considerado como parte do bioma Mata Atlântica, estando assim protegido pela Lei Federal nº 11.428, conhecida como Lei da Mata Atlântica. Porém, em 2010, a bancada ruralista da Assembleia Legislativa de Minas Gerais resolveu investir contra isso, aprovando o Projeto de Lei 4.057/09, do deputado Gil Pereira (PP), contrariando a Lei Federal. Felizmente, o Ministério Público arguiu inconstitucionalidade, que foi acatada pelo Tribunal de Justiça do Estado.
Mas a Lei, apesar de sua importância, é apenas um "pedaço de papel" e, sozinha, não protege a Mata Seca, alvo de cobiça do agronegócio. As terras no Norte de Minas ainda são muito baratas, o que leva grandes investidores a comprá-las para projetos agropecuários (eucalipto, soja, cana-de-açúcar, pastos etc). A derrubada da Mata Seca e também do Cerrado da região e sua transformação em carvão gera dinheiro para implantação das atividades econômicas e a biodiversidade se transforma em lucro.
Por isso, precisamos continuar a lutar para protegê-la, independente de estarmos geograficamente próximos ou distantes dela. Tendo consciência de que extinção é para sempre, a Amda, por meio de manifestações públicas, cartas aos deputados e divulgação de informações para a sociedade de forma geral, tem lutado incansavelmente para manter de pé o que restou de Mata Seca no estado, e para que ela volte a ser inserida no regime de proteção especial da Mata Atlântica. E esta deve ser uma luta de todos nós.
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