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Começa a temporada de reprodução das tartarugas


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Tamar atua em vário pontos da costa brasileira. Foto: Tamar/ICMBio

Tamar atua em vário pontos da costa brasileira. Foto: Tamar/ICMBio

De setembro a março, elas voltam para desovar nas praias do Brasil. Até lá, o Projeto Tamar deve atingir a marca de 35 milhões de filhotes protegidos

 

12/09/2017

A 35ª temporada (2017/2018) de reprodução das tartarugas marinhas monitorada pelo Projeto Tamar acaba de começar. Ela vai até o início do ano que vem. É o recomeço do ciclo da vida: as tartarugas voltam para desovar nas praias do Brasil. Até o final da temporada, será atingida a marca de 35 milhões de filhotes protegidos.

Até agora, já foram protegidos mais de 30 milhões de filhotes, envolvendo mais de 1.500 pessoas em pesquisa e conservação, com inclusão social, educação ambiental e desenvolvimento sustentável. Foram feitas mais de 750 publicações científicas e realizadas diversas participações em decisões para a criação de políticas públicas e em fóruns de relevância para a conservação dos oceanos. Na temporada 2016-2017, foram 26 mil ninhos protegidos, gerando mais de 2 milhões de filhotes que chegaram ao mar em segurança, dentre outras conquistas para a conservação marinha.

Os resultados positivos motivam os pesquisadores, enquanto eles tentam diminuir os perigos que as tartarugas enfrentam em todas as fases de seu longo ciclo de vida. “Todas as temporadas foram importantes e geraram dados fundamentais, desde a primeira, em 1982, quando, com o apoio da Petrobras, conseguimos salvar 2 mil filhotes, e destes pegamos cerca de 10 para pesquisar. De lá pra cá, muitas descobertas científicas permitiram mudar o destino das tartarugas e de centenas de famílias que dependem delas para sobreviver”, afirma Guy Marcovaldi, coordenador do Projeto Tamar.

Reconhecido internacionalmente como uma das mais bem-sucedidas experiências de conservação marinha do mundo, o Tamar desenvolve seu trabalho socioambiental com as comunidades costeiras e serve de modelo para outros países.

 

Condomínio subterrâneo

Todos os anos, de setembro a março, as principais áreas de desova do litoral brasileiro, do norte do Rio de Janeiro ao norte do Rio Grande do Norte, são ponto de partida de milhares de filhotes (sem contar as ilhas oceânicas, onde a reprodução ocorre mais tarde). Essas áreas abrigam verdadeiros “condomínios underground” de tartarugas, como diz uma das músicas do Tamar. Os ovos descansam embaixo da areia quentinha, cada ninho contendo descendentes da época dos dinossauros, invisíveis na superfície. É preciso muito cuidado para não incomodar esses moradores tão especiais.

A participação das pessoas no programa de conservação é essencial para assegurar o patrimônio natural às novas gerações. As ações do homem estão entre as principais ameaças à vida das tartarugas, destacando-se a pesca incidental, ao longo de toda a costa, com redes de espera, e em alto mar, com anzóis; a destruição do habitat para desova pela ocupação desordenada do litoral; fotopoluição; trânsito de veículos nas praias; poluição dos oceanos; e as mudanças climáticas.

 

Pesquisa aplicada

Desde sua criação, o Tamar prioriza pesquisas que tentam resolver aspectos práticos para a proteção das tartarugas. Realiza estudos de longo prazo, contando com mais de 35 anos de coleta de dados padronizada, armazenada em um sistema de informação integrado. O acúmulo de conhecimento permite realizar análises para adoção das estratégias de conservação mais adequadas às diferentes regiões e ameaças.

Nesta temporada, as principais pesquisas em andamento são:

- Telemetria em tartaruguinhas - Para desvendar o comportamento migratório dos animais nos estágios iniciais de vida, também conhecidos como 'Anos perdidos', transmissores por satélite adaptados foram instalados em tartaruguinhas.

- Hibridismo entre três espécies - O estudo ampliará o conhecimento sobre a relação entre as espécies cabeçuda + de pente (Caretta caretta + Eretmochelys imbricata), e cabeçuda + oliva (Caretta caretta + Lepidochelys olivacea), além de esclarecer algumas curiosidades sobre o deslocamento dos animais após a reprodução e o comportamento em áreas de alimentação.

- Mudanças climáticas - Para conhecer os possíveis impactos das mudanças climáticas em tartarugas marinhas os pesquisadores analisaram o tempo de incubação de 27.697 ninhos de tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) ao longo de 21 praias de desova de 4 estados brasileiros (SE, BA, ES, RJ), nos últimos 25 anos.

- Matrizes de ameaças para a tartaruga-cabeçuda e a tartaruga-de-couro - As principais ameaças que colocam em perigo a vida destas duas espécies vem sendo analisadas em todos os seus aspectos, tendo como base os dados sobre mortalidade, coletados ao longo de 35 temporadas reprodutivas monitoradas pelo TAMAR no litoral brasileiro, somados a esforços de parceiros científicos.

Há muita gente envolvida, incluindo voluntários, estagiários e trainees, que chegam para fortalecer as equipes das bases e para realizar ou acompanhar, junto com os pescadores-tartarugueiros e agentes locais, o monitoramento diurno e noturno, feito para localizar e marcar as desovas. Graças ao trabalho de sensibilização e educação ambiental junto às comunidades locais e turistas, atualmente 99% dos ninhos permanecem no local original escolhido pelas tartarugas.

 

O projeto

O Projeto Tamar começou em 1980 a proteger as tartarugas marinhas no Brasil. Com o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, hoje o Projeto é a soma de esforços entre a Fundação Pró-Tamar e o Centro Tamar/ICMBio. Trabalha na pesquisa, proteção e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, todas ameaçadas de extinção: tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea). Protege cerca de 1.100 quilômetros de praias e está presente em 25 localidades, em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso das tartarugas marinhas, no litoral e ilhas oceânicas dos estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.

 

Fonte: ICMBio - com informações do Projeto Tamar


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