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Animais que curam com seu veneno


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Estudo utilizou o veneno do escorpião-amarelo, para tratamento de casos de infarto. Foto: Pixabay

Estudo utilizou o veneno do escorpião-amarelo, para tratamento de casos de infarto. Foto: Pixabay

Pesquisa da UFMG utiliza veneno do escorpião-amarelo para o tratamento de infarto


30/01/2018

Quem não tem medo de um escorpião-amarelo enorme, rodando pela casa? Sim, dá medo mesmo mas, apesar de ser perigoso, este animal é usado em inúmeros estudos científicos e ajuda e muito a humanidade.

É o que aponta pesquisa feita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com o apoio da FAPEMIG. Coordenado pelo pesquisador Thiago Verano Braga, o estudo utilizou o veneno do escorpião-amarelo, para tratamento de casos de infarto.

“O trabalho começou estudando a propriedade da toxina do veneno para baixar a pressão arterial, evoluiu e hoje utilizamos o peptídeo minimizado dessa toxina para diminuir a arritmia cardíaca”, pontua. Mas o trabalho curativo dos animais peçonhentos não para por aí. Abelhas e serpentes também têm importante papel quando o assunto é o uso de suas toxinas para curar enfermidades humanas.

Realizados pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), os estudos usam propriedades do veneno da serpente surucucu, introduzindo uma proteína do veneno em células de insetos cultivadas em laboratório, para desenvolver um remédio que trata doenças cardiovasculares.

E por que é necessário produzir uma proteína do veneno da surucucu em células de insetos? Porque é necessária uma grande quantidade do veneno dessa serpente para conseguir a toxina suficiente para continuar os estudos e, como esta cobra está em risco de extinção, a utilização dela é inviável em larga escala.

Diante dessa realidade, os pesquisadores descobriram que era possível inserir o DNA contendo a sequência da proteína Mutalisina –II em células de insetos. Assim, a célula produz a Mutalisina-II junto com as suas próprias proteínas. A pesquisa está na fase de ligação do DNA correspondente à Mutalisina-II com um DNA que permita a sua produção em uma bactéria ou célula de inseto.

A partir desse ponto, os pesquisadores realizam procedimentos para induzir a célula a produzir a proteína Mutalisina-II recombinante (modificada). “Após essa fase, a proteína recombinante será isolada e caracterizada, ou seja, testes serão feitos para verificar se a proteína recombinante tem as mesmas funções que a proteína original”, pontua Valéria Alvarenga, pesquisadora da Funed.

Já a outra pesquisa, feita pela Funed e coordenada por Esther Bastos, usa a apitoxina (propriedade do veneno da abelha) para desenvolver uma pomada para tratamento da artrite e assim diminuir a dor causada pela doença.

O maior desafio, de acordo com os pesquisadores, foi fracionar a apitoxina para retirar seus componentes alergênicos. Para isso, foi firmada uma parceria com a Escola de Engenharia Química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para criar um equipamento que utiliza a fração da apitoxina em escala industrial, sendo possível lançá-la no mercado.

Pesquisadores conscientes

Os testes feitos na pesquisa apoiada pela FAPEMIG, que usa o veneno do escorpião para diminuir a arritmia cardíaca, utiliza testes em animais. Entretanto, o coordenador do estudo, Thiago Braga, enfatiza o cuidado ao realizar os experimentos, sempre com ética e minimizando ao máximo o sofrimento dos animais.

“A grande maioria dos remédios que usamos precisa ser testada em modelos animais para se chegar às prateleiras das farmácias. Por isso, a importância de pesquisas científicas sérias e amparadas por diretrizes das Comissões de Comissão de Ética no Uso em Animais (CEUA)”, pontua.
 

Fonte: Fapemig


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