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Pesquisadores da UFMG descrevem novas espécies de tamanduá


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Espécime de tamanduaí descrito pelo grupo da UFMG. Foto: Acervo da pesquisa

Espécime de tamanduaí descrito pelo grupo da UFMG. Foto: Acervo da pesquisa

Tamanduaís foram identificados em regiões de Mata Atlântica e na Amazônia brasileira


19/02/2018

Uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) descreveu, em artigo publicado recentemente, três novas espécies de tamanduaí, tipo raro com cerca de 50 centímetros, que vivem em cima de árvores nas regiões da Mata Atlântica e da Amazônia brasileira.

A pesquisa – cujos resultados constam de artigo publicado no Zoological Journal of the Linnean Society – também eleva à categoria de espécie três subespécies de tamanduaí. A descoberta é resultado da pesquisa de doutorado da veterinária Flávia Miranda e teve início em 2007, no âmbito da ONG Projeto Tamanduá, que conta com a participação dela em atividades de conservação animal.

As descobertas foram feitas ao longo desses 10 anos, em 19 expedições à procura de amostras de sangue do Cyclopes didactylus, única espécie até então conhecida de tamanduaí, no norte da Amazônia, entre as Guianas e o Maranhão, e na região da Mata Atlântica, no Nordeste do Brasil.

“Queríamos saber se as espécies encontradas na Amazônia eram as mesmas que habitavam a região da Mata Atlântica, mas encontramos três espécies até então desconhecidas. Além disso, por meio de análises, reclassificamos alguns animais, elevando outras três subespécies à categoria de espécie”, explica Flávia.

A pesquisa foi feita em várias etapas. Amostras de sangue dos animais foram submetidas à análise de DNA no Laboratório de Genética da UFMG. Foi desenvolvido também extenso estudo morfológico, que buscava observar características físicas dos animais.

Doutorando em Zoologia do ICB e um dos autores do artigo, Daniel Casali acrescenta que também foram feitos testes de delimitação de espécies, no computador. “O estudo foi muito bem recebido na área por se tratar de uma pesquisa integrada, que usou elementos da morfologia, da zoologia e da genética, entre outros campos. Todas essas frentes de estudo nos forneceram elementos que levaram às novas descobertas sobre o tamanduaí.”

Mais proteção

As três espécies descritas são a Cyclopes xinguensis, encontrada próximo à região do Rio Xingu, na Amazônia; a Cyclopes rufus, presente na região de Rondônia e nomeada assim devido à sua cor avermelhada; e a Cyclopes thomasi, que vive na margem direita do Rio Amazonas, entre o estado do Acre e o Peru. O nome dessa última espécie homenageia Michael Rogers Oldfield Thomas, famoso zoólogo britânico.

As três subespécies elevadas à categoria de espécie são a Cyclopes ida, cuja presença está restrita ao norte do Rio Amazonas e à margem direita do Rio Negro; a Cyclopes dorsalis, que habita florestas da América Central, do México, da Colômbia e do Equador, e a Cyclopes catellus, restrita ao sopé dos Andes, na Bolívia.

Para Daniel Casali, a pesquisa propicia maior conhecimento da biodiversidade brasileira, considerada uma das mais ricas do mundo. “Tememos que a biodiversidade seja perdida antes de ser conhecida. Alguns animais, para serem incluídos em programas de conservação, precisam ser conhecidos e elevados à categoria de espécie. Trabalhos como o nosso possibilitam que mais animais sejam protegidos”, diz.

Flávia Miranda acrescenta que os esforços de conservação beneficiavam a única espécie de tamanduaí então conhecida, a Cyclopes didactylus. Agora, a proteção poderá se estender aos novos animais descritos. “Já conversamos com o governo brasileiro e as organizações internacionais de conservação da natureza, pleiteando que seja iniciado um processo de pesquisa que nos mostre o status de ameaça a essas novas espécies.”

Os tamanduás brasileiros

Até o início da pesquisa, eram reconhecidas apenas três espécies de tamanduás no Brasil: bandeira, mirim e tamanduaí. Todos os tamanduás pertencem ao grupo dos Xenarthra, que inclui outros mamíferos, como os tatus e o bicho-preguiça.

O tamanduaí é um mamífero pequeno, de hábitos noturnos, que vive nas copas das árvores e se alimenta de formigas. Com a conclusão desse estudo, agora estão descritas sete espécies de tamanduaís.

Fonte: UFMG


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