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Nova espécie de libélula é identificada em Minas


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Batizada de Hetaragrion Cauei, ela foi encontrada pelo monitor do Parque Estadual do Itacolomi em Minas Gerais. Foto: Walter Francisco de Ávila Júnior

Batizada de Hetaragrion Cauei, ela foi encontrada pelo monitor do Parque Estadual do Itacolomi em Minas Gerais. Foto: Walter Francisco de Ávila Júnior

Área de Proteção Ambiental localizada em Ouro Preto foi palco da pesquisa

07/03/2018


 

Uma nova espécie de libélula foi identificada na Área de Proteção Ambiental (APA) Cachoeira das Andorinhas, em Ouro Preto, na região Central de Minas. Batizada de Hetaragrion Cauei, ela foi encontrada pelo monitor do Parque Estadual do Itacolomi Walter Francisco de Ávila Júnior. A descoberta se deu durante pesquisa de campo para seu trabalho de conclusão de curso (TCC) da graduação em biologia, pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).

O estudo teve início em 2015, com o objetivo de fazer um inventário das espécies de libélulas da região do Rio das Velhas, um dos principais afluentes do Rio São Francisco em Minas. “Coletei 42 espécies e, ao fazer a identificação do gênero, vi que as características morfológicas de uma delas não batiam com nenhuma já identificada”, revela.

Walter, então, resolveu entrar em contato com o biólogo Frederico Lencioni, um dos maiores especialistas em libélulas no Brasil, para ter certeza de sua descoberta.

“Enviei algumas fotos e ele me disse que, pela análise das imagens, tudo levava a crer que realmente se tratava de uma nova espécie. Mas pediu que eu enviasse o inseto para que pudesse ter certeza. Após analisá-lo, concluiu que era uma mesmo nova espécie.”

A confirmação da descoberta para a comunidade científica internacional veio após a publicação do artigo com descrição do inseto na prestigiada revista alemã Odonatologica, especializada em libélulas. O texto foi assinado por Walter, por seu orientador, professor Marco Antônio Carneiro, e por Lencioni. A publicação ocorreu em dezembro de 2017.

Qualidade ambiental

O futuro biólogo explica que as libélulas atuam como bioindicador de qualidade ambiental. “O ovo desse inseto só eclode se ele estiver depositado em água limpa, ou seja, libélulas não habitam locais com água poluída.” A nova espécie recebeu o nome em homenagem ao filho de Walter, de apenas um ano de idade.

Walter conta que sua paixão pelas libélulas começou quando ele ainda estudava ecologia, curso no qual também é graduado. “Comentei com professores que queria estudar esse tipo de inseto. Então, eles me recomendaram procurar o professor Ângelo Machado, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – também conselheiro da Revista ECOLÓGICO, pois ser ele o maior especialista em libélulas em Minas e um dos maiores do Brasil.”

Mesmo com dois e-mails sem resposta, Walter não desanimou. Tomou coragem e ligou para o famoso professor, que já descreveu cerca de 100 espécies de libélulas. E o que ouviu do outro lado da linha o encheu de esperanças.

“O professor Ângelo confirmou a leitura dos meus e-mails, mas disse que não havia respondido ainda, porque queria ter certeza de eu realmente queria estudar libélulas. A partir daí, comecei a frequentar a casa dele, a ler o material que ele me passava e não parei mais”, conta.

APA Cachoeira das Andorinhas

A APA da Cachoeira das Andorinhas foi criada em 1989 e tem 18,7 mil hectares. Abriga a nascente do Rio das Velhas, a Floresta Estadual do Uaimií e o Parque Natural Municipal das Andorinhas. Os limites da reserva iniciam-se na divisa de Ouro Preto com o distrito de São Bartolomeu e se estende no sentido Norte até a divisa com os municípios de Itabirito e Santa Bárbara.
 

Fonte: Agência Minas


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