Lixo e desperdício on air

Estado de alerta
Maria Dalce Ricas - redacao@revistaecologico.com.br
Estado de Alerta
Edição 102 - Publicado em: 04/12/2017

Recentemente fiz uma viagem internacional numa aeronave em que cabem 272 passageiros, mais os pilotos e comissários de bordo. Durante o voo, foram servidos almoço e dois lanches. Em cada um, três talheres descartáveis e guardanapo, embalados em plástico, copos plásticos (e se o passageiro solicita qualquer outro líquido, um novo copo é trazido). A “comida de sal” é servida em embalagem própria.

Durante o voo foram, então, utilizados 2.493 talheres plásticos, no mínimo 831 copos (se ninguém pediu algum outro líquido para beber), 831 embalagens de refeições e mais as embalagens de água e líquidos servidos (garrafas “pet”, “tetrapaks”), de frutas envoltas em plásticos e outros alimentos também neles embalados. Total, por baixo: 4.155 embalagens por viagem.

Como as viagens são diárias, considerando lotação completa (como a do voo que fiz), por mês serão no mínimo 124.650 embalagens. Isso só na rota que fiz. E só em uma empresa aérea! No lanche da tarde, perguntei à comissária se a maçã (envolta em película plástica) que eu não queria, seria guardada. Ela disse que não. Que todo alimento não consumido, mesmo intocado, é jogado fora por ordem da Anvisa.

Quando saí do avião, dezenas de fones de ouvido foram deixados para trás pelos passageiros. Perguntei-me se algum outro passageiro havia se impressionado com tudo isso. Pensei na montanha de lixo gerada na viagem, no desperdício de alimentos, na inconsciência de todos, na irresponsabilidade do poder público e na quantidade de besteira e discursos demagógicos e mentirosos que ouvimos sobre sustentabilidade, enquanto as tragédias ambientais silenciosas e “ocultas” acontecem a cada minuto, comprometendo cada vez mais o futuro da humanidade.

Peguei minha mala e dei “um jeito” de continuar acreditando que podemos mudar esta situação.


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