Minas diz sim à energia que vem da luz natural

Cristiana Andrade - redacao@revistaecologico.com.br
A Esperança Solar
Edição 120 - Publicado em: 19/11/2019

Primeira usina de armazenagem de energia solar do Brasil já está em funcionamento no Estado, fruto de parceria entre a Cemig S!M e a Mori Energia. Meta é instalar 32 usinas solares até o fim de 2020

Maior produtor de energia solar fotovoltaica do Brasil – à frente de São Paulo, que centraliza grandes polos industriais, e até mesmo do Nordeste, com grande potencial solar – Minas Gerais já está apostando alto nesta que é considerada a energia do futuro. E se coloca mais uma vez na vanguarda, como um estado que sempre busca soluções inovadoras nas áreas econômica e socioambiental.

Exemplo disso é o recente lançamento da Cemig S!M – Soluções Inteligentes em Energia. Em parceira com a iniciativa privada, a companhia mineira pretende atuar no mercado de energia compartilhada, por meio de geração distribuída, cogeração e armazenamento, bem como de serviços tecnológicos, gestão de iluminação pública e utilidades, mobilidade elétrica, entre outros.

Estado privilegiado em irradiação solar, além de despontar na produção de energia solar, Minas também investe para se tornar o seu maior distribuidor, democratizando o acesso à energia renovável em centros de consumo, beneficiando pequenos, médios e grandes negócios e indústrias.

E qual é a vantagem para o consumidor? Além de abastecer o seu negócio com energia limpa – sustentável e renovável –, ele ainda pode obter economia de até 18% na tarifa que paga.

Presidente da Cemig S!M, o engenheiro Danilo Gusmão explica que a marca nasceu da fusão de duas empresas: a Cemig GD e a Efficientia. “Com a necessidade de sermos mais ágeis e digitais, em consonância com a indústria 4.0, estamos trabalhando com armazenamento, mobilidade elétrica e eficiência energética. Vamos ser provedores da melhor solução do mercado para os empreendedores”, garante.

“Vamos ser provedores da melhor solução do mercado para  os empreendedores” DANILO GUSMÃO. presidente da Cemig S!M
“Vamos ser provedores da melhor solução do mercado para os empreendedores” DANILO GUSMÃO. presidente da Cemig S!M

A Cemig S!M é uma subsidiária integral da Cemig e desenvolverá seus projetos em parceria com a iniciativa privada, na proporção 49%/51%, respectivamente. A primeira parceria foi firmada com a Mori Energia e resultou na construção da Usina Fotovoltaica de Janaúba (UFV), no Norte de Minas. O cenário de avanço é promissor. Há expectativa de expansão dessa parceria inicial, que pode chegar a mais 31 usinas solares fotovoltaicas, em 17 cidades mineiras, até o fim de 2020.

A estimativa é de que juntas – as usinas, com potência instalada de até 150MW – gerem cerca de 300 Giga watts/hora-ano de energia limpa, renovável e mais eficiente, o equivalente à energia necessária para abastecer aproximadamente de 1,7 milhão de residências.

Para o diretor de Novos Negócios da Mori Energia, Ivo O. Pitanguy, a iniciativa representa um importante passo para a modernização do setor. Afinal, a disseminação da energia solar para empresas de varejo, que não têm expertise na implementação e operação para investir com capital próprio em projetos de geração distribuída solar, é um avanço.

“Estamos democratizando a energia renovável em centros de consumo onde não há espaço para a construção em escala e, ao mesmo tempo, fomentando o desenvolvimento econômico de comunidades locais onde implementamos nossos projetos”, ressalta.

MAGALHÃES: fé na energia solar  e em outras fontes renováveis
MAGALHÃES: fé na energia solar e em outras fontes renováveis

Oportunidade de mercado

A criação da Cemig S!M evidencia a conexão da Cemig – que é uma empresa de capital misto e tem como acionistas o Governo de Minas e a iniciativa privada – com as oportunidades que esse mercado apresenta. Para se ter ideia do potencial, atualmente, cerca de 1% de toda a energia produzida no Brasil vem da matriz solar, conforme dados da própria companhia.

Na parceria entre a S!M e a Mori serão investidos R$ 200 milhões até o fim deste ano. E, até o fim de 2020, o montante pode chegar a R$ 600 milhões. A expectativa é que até novembro, outras duas plantas sejam inauguradas: em Corinto e em Manga; e outras sete até dezembro, localizadas no Norte e Noroeste do estado.

Na visão do secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico do Estado de Minas Gerais, Adriano Magalhães, o momento é especial tanto para a economia quanto para o desenvolvimento do setor.

“Nosso potencial é gigantesco e, o cenário, bem positivo. Tanto que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) está revendo o marco regulatório para a energia solar, buscando acompanhar essas mudanças”. Segundo Magalhães, Minas, com o apoio do governo estadual, está apostando não apenas na solar, mas também em outras fontes de energia renovável, a partir da biomassa e do gás, por exemplo.

“Estamos falando de uma fonte renovável e limpa: a energia fotovoltaica. Com ela, estamos reduzindo custos, aumentando a competividade e ainda contemplando o meio ambiente. Além disso, boa parte das novas usinas será construída em regiões mineiras com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), onde temos uma necessidade premente de melhoria do nível socioeconômico. E quando melhoramos o nível socioeconômico, estamos melhorando também a preservação da natureza. Ou seja, do ponto de vista ambiental isso é perfeito, melhor impossível.”  Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, durante assinatura do convênio firmado entre a Cemig e a Asol/Grupo Energisa para proporcionar energia limpa e com menor custo ao setor industrial
“Estamos falando de uma fonte renovável e limpa: a energia fotovoltaica. Com ela, estamos reduzindo custos, aumentando a competividade e ainda contemplando o meio ambiente. Além disso, boa parte das novas usinas será construída em regiões mineiras com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), onde temos uma necessidade premente de melhoria do nível socioeconômico. E quando melhoramos o nível socioeconômico, estamos melhorando também a preservação da natureza. Ou seja, do ponto de vista ambiental isso é perfeito, melhor impossível.” Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, durante assinatura do convênio firmado entre a Cemig e a Asol/Grupo Energisa para proporcionar energia limpa e com menor custo ao setor industrial

Futuro 3D: descarbonização, descentralização e digitalização

O atual mercado de energia no Brasil vive um momento ímpar. Quem faz essa afirmação é o presidente da Cemig, Cledorvino Belini. “Muito se discute sobre o futuro da energia e o que vemos é que a geração distribuída vai reconfigurar o mercado. Esse futuro está no que chamo de 3D: descarbonização da indústria e dos transportes, por meio, por exemplo, da adoção do transporte elétrico; descentralização do consumo e da geração de energia – com a possibilidade de as pessoas poderem gerar a própria energia, incluindo a oportunidade de ‘alugar’ um lote de energia solar; e na digitalização dos sistemas. É um caminho sem volta”, aposta Belini.

Foto: Marcos Takamatsu
Foto: Marcos Takamatsu

Conforme detalha Danilo Gusmão, a S!M nasceu com DNA para trabalhar com produtos e serviços voltados para a digitalização de monitoramento dos processos produtivos no comércio e indústrias, visando gerar economia de energia.

“Além disso, a descentralização passa pela geração remota de energia, por meio da energia solar, que vai propiciar o que chamamos de universalização do benefício de energia solar. E quando falamos de geração local, falamos de disponibilidade de recursos financeiros e de espaços físicos para usufruir dessa energia solar. Esse sistema permite que pessoas sem capital e área para implantar um sistema de geração possam se beneficiar”, explica.

Parceria com a UFMG

A descarbonização passa pela mobilidade elétrica, por meio do desenvolvimento de eletropostos para carga rápida de veículos e do compartilhamento dos automóveis, e já é realidade em vários países da Europa.

“Entendemos que isso precisa ocorrer nas grandes cidades, como Belo Horizonte. Recentemente, foi divulgado que aqui temos um índice de um carro para cada duas pessoas. Dá para imaginar o impacto disso no trânsito? Outras metrópoles fora do país oferecem o car sharing (carros compartilhados), sistema semelhante ao das bicicletas e patinetes, só que com carros elétricos. Essa seria uma boa solução para BH”, acrescenta Gusmão.

Para colocar em prática o projeto de descarbonização nos transportes da capital mineira, a Cemig S!M já está desenvolvendo uma pesquisa. Ela envolve a atuação de especialistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Iveco na prototipação de um ônibus elétrico. A ideia é, quando pronto, o veículo circule primeiro no campus Pampulha, sendo, posteriormente, disponibilizado em larga escala.

A força das fazendas solares

PLACAS fotovoltaicas funcionam sem causar impacto à população vizinha
PLACAS fotovoltaicas funcionam sem causar impacto à população vizinha

O sistema de compartilhamento da energia solar funciona da seguinte forma: a partir de fazendas solares construídas pela Mori Energia – em grandes áreas de baixa produção agrícola, no Norte de Minas, nas quais são instaladas as placas solares –, o consumidor contrata uma espécie de lote e passa a usar a energia produzida por ele.

Por meio da rede distribuidora da Cemig, a energia é enviada até o empreendimento, sendo o montante de energia gerada pelo lote de placas das fazendas descontado do seu consumo mensal.

A participação dos clientes nas comunidades solares será feita por meio da contratação de um dos três planos ofertados: o S!M 12, no qual o cliente contrata um plano de 12 meses e pode ter economia de até 13% na tarifa; o S!M 36, para contratos de 36 meses e economia de até 15%; e o S!M 60, pelo prazo de 60 meses, com desconto de até 18% nos valores.

Inicialmente, a oportunidade já está disponível para pessoas jurídicas – pequenos comércios, padarias, açougues, etc. –, graças à inauguração, este ano, da UFV Janaúba, a primeira usina de minigeração destinada a clientes atendidos na categoria baixa tensão. Com geração prevista de até 9.473 MWh/ano, a UFV Janaúba tem capacidade de atender um consumo médio equivalente ao de 5,5 mil residências ou cerca de 17 mil habitantes.

Baixo impacto

A energia gerada pelos 16 mil módulos solares da UFV Janaúba, que captam a irradiação solar – insumo abundante no Norte de Minas –, já está beneficiando cerca de 200 unidades consumidoras. Entre elas, estão comerciantes do Mercado Central de Belo Horizonte, o supermercado EPA, oncoclínicas e empresas e indústrias associadas à Fiemg.

“Essa é uma grande oportunidade de geração da energia para esse nicho consumidor, pois nossas fazendas estão localizadas no maior cinturão solar do Brasil, que se estende até o Nordeste. Outro diferencial é o fato de as placas que captam a luz solar, transformando-a em energia, serem instaladas em áreas improdutivas, ou seja, sem causar impacto ambiental para as comunidades vizinhas”, pondera Ivo O. Pitanguy, da Mori Energia. Quando todas as 32 usinas estiverem instaladas, terão capacidade para atender o equivalente a 1,7 milhão de residências.

De acordo com o presidente da Cemig S!M, Danilo Gusmão, grande parte das usinas previstas é de 5MW e precisa de uma área de 20 hectares – o equivalente a 20 campos de futebol – cada uma, para operar. “Todas as áreas já estão definidas e locadas. As obras são de baixo impacto, sem necessidade de licenciamento ambiental. Temos, ainda, um protocolo de operação e manutenção sistemático, com equipes preparadas e qualificadas”, reforça.

Essas equipes já foram, inclusive, treinadas para atuar, em caso de incidentes. “As placas são de vidro e não contêm líquidos perigosos. Se houver quebra, o único resíduo gerado será o próprio vidro, que deverá ser retirado do local e, uma nova placa, instalada’, esclarece Gusmão.

Fiemg investe em empregos solares

Minas Gerais tem investido na capacitação técnica e profissional de interessados em atuar em um dos campos de energia renovável mais promissores da atualidade: a energia solar. As perspectivas de trabalho e de geração de emprego no setor têm crescido de forma positiva.

Pensando em formar mão de obra qualificada para esse nicho, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), por meio do Senai-MG, criou cursos específicos, que dão direito a certificados com reconhecimento nacional e internacional.

De acordo com o engenheiro eletricista Ênio de Oliveira, diretor do Centro Tecnológico de Eletroeletrônica Horto Belo Horizonte, desde 2015 o Senai tem desenvolvido ações na área de energias renováveis, incluindo a energia solar fotovoltaica. A iniciativa integra um cenário mais amplo, que remete a estudos e grupos formados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Departamento Nacional do Senai, em Brasília.

O resultado dessas ações – passando por Comitês Setoriais formados por representantes da indústria, comunidade acadêmica, integradores, fornecedores e do próprio Senai – foi a formatação dos roteiros que definem o conteúdo dos cursos, currículos e práticas que o Senai deve realizar. “A formação de instaladores e projetistas teve início em 2016, no Complexo Horto, que é a nossa unidade vocacionada à área de eletricidade e energia”, explica.

Saunaray Barra: formação  promissora e mercado em alta
Saunaray Barra: formação promissora e mercado em alta

Atualmente, são três os cursos oferecidos na área de energia solar: o de Aperfeiçoamento Profissional, com carga horária a partir de 16h; o de Qualificação (160h); e o de Especialização Técnica em Sistemas Fotovoltaicos (360h). Além disso, o Senai também oferece a certificação de montador de sistemas fotovoltaicos.

Dependendo do curso, os temas abordados vão de eletricidade básica, para aqueles que precisam da formação inicial, até projetos especializados em micro e mini geração de energia. No caso do curso mais longo, o de especialista técnico, o profissional também desenvolve competências ligadas à legislação, normas e padrões de qualidade, saúde e segurança e de meio ambiente.

Tecnologia de ponta

Podem se inscrever estudantes que estejam finalizando o ensino médio, profissionais que buscam recolocação no mercado de trabalho e engenheiros interessados em atuar nessa área.

“Nosso público vai desde o leigo, muitas vezes com ensino fundamental incompleto, que necessita da formação inicial e aprendizado de conceitos básicos de elétrica, até engenheiros formados. Ou seja, atendemos do operacional ao nível tático e estratégico”, ressalta a engenheira eletricista e instrutora do Senai, Saunaray Pereira Barra.

Nas salas de aula e nos exercícios práticos, o Senai trabalha com marcas pioneiras em tecnologia. “Temos parceiros que lideram o mercado brasileiro, além de grandes fabricantes e importadores que nos ajudam a manter nossa infraestrutura de ponta e sempre atualizada”, acrescenta a instrutora.

Futuro promissor

Após a formação em um dos cursos do Senai, o profissional estará apto a atuar em empresas de engenharia que prestam serviços na área de energia elétrica e de energias renováveis, além de indústrias da construção civil ou em um negócio próprio.

O número de interessados nos cursos ofertados pelo Senai-Horto, na área fotovoltaica, comprova que esse mercado está mesmo em alta. “Todos os meses, recebemos mais de 100 pessoas. Ou seja, essa demanda não é futura, mas sim uma realidade hoje”, conclui Saunaray. 

Serviço:

Senai CETEL César Rodrigues – BH

Rua Santo Agostinho, 1717 – Horto

(31) 3482-5582

http://www.fiemg.com.br/senai

asenaieletroeletronica@fiemg.com.br

Atendimento a pequenos consumidores

Enquanto a Cemig S!M nascia com o foco inicial em atender pessoas jurídicas – pequenas empresas e indústrias –, a Cemig já desenvolvida, paralelamente, alternativas para pequenos e médios consumidores. Nos últimos anos, a companhia investiu em projetos de pesquisa e desenvolvimento, visando mapear o potencial energético do território mineiro.

Um dos resultados desse trabalho foi o lançamento do ‘Atlas Solarimétrico do Estado de Minas Gerais’, em 2013. Ele indicou a região Norte de Minas, especialmente Janaúba e o município vizinho de Jaíba, como detentores de potencial de geração de energia comparável ao dos melhores valores do país, que são registrados no Nordeste.

Em dezembro do ano passado, foi inaugurada a primeira usina fotovoltaica de armazenagem de energia do Brasil, em Uberlândia, com capacidade de 1MW. Nela foram investidos R$ 22,7 milhões, sendo R$ 17,5 milhões pela Cemig e R$ 5,2 milhões pela Alsol Energia Renováveis, do Grupo Algar.

Com 1.152 placas solares, a usina tem potencial de geração de aproximadamente 480 mil kWh/ano, energia suficiente para atender cerca de 250 residências, com consumo médio de 150 kWh/mês, por um ano.

Planta flutuante

A Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Santa Marta, em Grão Mogol, também no Norte do Estado, é outra planta solar na qual a Cemig investe. Criada a partir de indicação do Atlas Solarimétrico, ela terá painéis instalados sobre a barragem da usina hidrelétrica, ou seja, será uma planta flutuante.

O painel solar terá potência para abastecer 1.200 residências, beneficiando mais de 4 mil pessoas, em 21 municípios. Além de serem beneficiadas com a redução de tarifa, as famílias serão envolvidas socialmente no projeto – chamado Veredas Sol e Lares –, e atuarão nas fases de planejamento, execução e avaliação da planta fotovoltaica. Segundo a Cemig, esse projeto está em fase de licitação dos equipamentos.

Fique por dentro

A geração solar ganhou forte impulso no Brasil com a regulamentação da geração distribuída. A Aneel estabelece que as fontes de geração devem ser renováveis, como painéis fotovoltaicos, geradores hidráulicos de pequeno porte e eólicos, entre outras fontes. O objetivo é possibilitar que consumidor gere a sua própria energia elétrica (o termo é conhecido como “prosumidor”: produtor + consumidor), inclusive por meio da união de diversos interessados em consórcios, cooperativas ou condomínios, conforme prevê a Resolução 482/2012.

De acordo com a Cemig, entre as vantagens e benefícios da geração distribuída está o fato de qualquer empresa ou pessoa física poder deixar de ser uma simples consumidora e se tornar uma geradora. Não se trata de um gerador clássico. Ele compensa seu próprio consumo e, eventualmente, constitui créditos para consumos futuros.

Líder nacional de conexões em geração distribuída e maior empresa brasileira em número de conexões, a Cemig tem 22.545 unidades de micro e minigeração. Dessas, 22.437 são de matriz solar fotovoltaica.


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