O sol que brilhou de noite em BH

Prêmio Hugo Werneck
Edição 121 - Publicado em: 20/12/2019

Amar a natureza que nos resta. Foi com essa mensagem central, as cores alucinantes de Vincent van Gogh e a voz vibrante da sambista Aline Calixto, evocando a memória de Clara Nunes, que o “10º Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza” envolveu e emocionou os convidados.

Sob o tema: “De Van Gogh à Energia Solar”, a cerimônia de entrega dos troféus aos vencedores deste ano, em suas 14 categorias, foi prestigiada por quase 400 pessoas. A noite de gala, na Sala Minas Gerais, no início de dezembro, na capital mineira, ajudou a escrever mais um capítulo da história ambiental brasileira.

A beleza amplificada do espaço criou uma fina sintonia com as cores do pintor holandês, que tão bem retratou a natureza por meio de suas pinceladas em amarelo vivo e deu vida a obras mundialmente admiradas, como a célebre “Os Girassóis”.

A performance visual e plástica da cerimônia foi comentada por muitos na plateia. Ao som da música Starry, Starry Night (Noite estrelada), de Don McLean, várias pinturas de Van Gogh foram exibidas no telão, ao centro do palco. Fotografias expressando a realidade ambiental planetária também incitaram os convidados a uma reflexão comum: está nas mãos – e no coração – de cada um de nós a responsabilidade de preservar o único planeta com vida em todo o Sistema Solar conhecido.

Ao longo da exibição das imagens e também de um vídeo, ficou claramente estampado o contraste entre as belezas naturais espalhadas mundo afora e as feridas socioambientais continuamente abertas, em grande parte, pelo desamor humano à sua própria espécie e casa comum.

AGRACIADOS DO ANO, De Van Gogh à Energia Solar: presença forte de Minas e dos estados do Nordeste na premiação. Foto: Gláucia Rodrigues
AGRACIADOS DO ANO, De Van Gogh à Energia Solar: presença forte de Minas e dos estados do Nordeste na premiação. Foto: Gláucia Rodrigues

Atitude e visibilidade

Idealizado pela Revista Ecológico e a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), o “Prêmio Hugo Werneck 2019” comemorou os seus 10 anos de existência, ultrapassando a marca de mais de mil pessoas e iniciativas já condecoradas

“Mestre maior, Dr. Hugo acreditava que só o amor, a informação e a educação ambiental podem mudar a atitude predatória do ser humano nos ecossistemas naturais, que nos dão vida e sustentam. Esse prêmio, portanto, é de todos nós que abraçamos a defesa da natureza e o desenvolvimento sustentável”, destacou o editor-geral da Revista e idealizador do prêmio, Hiram Firmino.

“Essa hoje maior premiação ambiental do Brasil vem mostrar que ações e práticas preservacionistas podem ser voluntárias e partir da sociedade. É uma forma de enaltecer e dar visibilidade às boas iniciativas”, pontuou o secretário estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Germano Vieira.

Os premiados representaram não apenas Minas, mas vários outros estados do Brasil, vindos principalmente do Nordeste, em razão da temática solar. Este ano, foram inscritos ou indicados 149 projetos.

Uma das mais concorridas, a categoria Melhor Exemplo em Educação Ambiental totalizou nada menos que 43 inscritos. O troféu ficou com o Projeto Edukatu, do Instituto Akatu (SP), uma rede sobre consumo consciente entre professores e alunos do ensino fundamental de escolas em todo o país.

Exemplo mirim

Um dos pontos altos da noite foi o prêmio entregue ao ambientalista mirim Ysaac Júnior Gonçalves, de apenas 3 anos. Depois de ter um vídeo seu divulgado no “Bom Dia Minas”, da TV Globo, ele conquistou uma legião de fãs. Nas imagens, Ysaac aparece uniformizado como gari, e se junta a um grupo deles, ajudando no recolhimento de lixo nas ruas do Bairro Maria Goretti, na região Nordeste de BH, onde vive. Empolgado, o menino subiu ao palco pulando, arrancando muitos aplausos e sorrisos da plateia.

Na sequência, foi a vez dos jovens do Instituto Árvore da Vida – projeto que beneficia crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social no Bairro Jardim Teresópolis, em Betim, com apoio da Fiat –, marcarem presença. Embalados pela lendária melodia da canção We are the world, de Michael Jackson e Lionel Richie, eles deram o seu recado.

Foto: Gláucia Rodrigues
Foto: Gláucia Rodrigues

Entre as 14 categorias do prêmio, três se destacaram por literalmente lançar luz e valorizar a energia que vem do Sol. Na Fazenda Vista Alegre, em Manga, no Norte mineiro, o proprietário Edvaldo Lôpo desenvolveu um projeto pioneiro, com o uso de painéis solares para a geração de energia. Na fazenda, que mescla silvicultura e suinocultura, Edvaldo gera praticamente 100% da energia que consome.

“Mesmo numa região marcada pela escassez de água, é possível tirar nosso sustento e garantir que as gerações futuras possam usufruir da terra, sem degradá-la. Fico feliz em receber esse reconhecimento. E poder replicá-lo a outros produtores rurais”, disse Edvaldo, escolhido o ‘Melhor Empresário’ de 2019.

Outro momento de grande emoção se deu durante a homenagem aos vencedores da categoria ‘Ambientalista Histórico’. Foram dois os premiados: José Israel Vargas e Octávio Elísio Alves de Brito, pioneiros da causa ambiental antes mesmo da histórica criação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), em 1982.

“É uma honra receber esse prêmio, fruto do incansável trabalho do jornalista e ambientalista Hiram Firmino. Vale lembrar que Minas foi protagonista na política ambiental nacional, quando – em plena ditadura militar – criou o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente. Tudo isso pelas mãos do professor Vargas, numa época em que nem legislação havia direito no Brasil”, ressaltou Octávio Elísio.

Entre as imagens, foram mostrados registros da dramática situação das morsas (Odobenus rosmarus), morrendo coletivamente na costa da Rússia, em razão do degelo resultante do aquecimento global. Foi exibida também a maravilha e singeleza das gigantes vitórias-régias em contraste com o rastro da lama mortal da mineradora Vale, em Brumadinho, que varreu para sempre a vida de mais de 250 pessoas.

Houve espaço, ainda, para o colorido exuberante das lagoas do Pantanal Mato-Grossense e para o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, envolto em nuvens, com seus braços abertos sobre a Guanabara, como um dia cantou Tom Jobim.

Ave Brumadinho!

O contraste entre a natureza preservada e a natureza desfigurada, como a Vale fez acontecer em Brumadinho, lembrando o “Juízo Final” de Clara Nunes, também foi lembrado de maneira sutil, no início da solenidade.

O momento de reflexão, ao som da música “Ave Maria da Natureza”, cantada por Paula Fernandes, teve como cenário a fotografia de um céu avermelhado, de autoria do fotógrafo Alfeu Trancoso, tirada no Parque Nacional da Serra do Cipó. E a mensagem central foi antecipada nas vozes das apresentadoras Christiane Antuña e Sandrinha Flávia.

“Após 11 meses do rompimento da Barragem da Mina do Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, ainda ressoam em nossos corações o tamanho incomensurável dessa tragédia: o desastre ambiental. As perdas humanas. E também a dor de toda uma população, que se transformou no sofrimento de um país inteiro.

Assim, tal como essas tristes imagens ainda estão latentes em nossas mentes, que o aprendizado que transforma e multiplica aconteça aqui. Que, mesmo agredida, a natureza de Deus vença o desamor humano. Mineração sem respeito à natureza e amor ao próximo nunca mais!”

“Minas é a meca da energia solar”

Flávio Roscoe*

Os anfitriões Hiram Firmino e Flávio Roscoe: recado solar. Foto: Gláucia Rodrigues
Foto: Gláucia Rodrigues

“É um prazer enorme estar aqui ao lado do Hiram Firmino, idealista que trabalha há décadas nessa causa, e a Fiemg ser correalizadora desse evento, juntamente com a Revista Ecológico.

Em seu nome, Hiram, cumprimento todos aqueles que se dedicam à causa do meio ambiente. Cumprimento o nosso Germano Vieira e me orgulho em dizer que Minas tem o melhor secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Brasil.

Não poderia deixar de ressaltar a importância de prêmios como esse, que visam reconhecer os cidadãos comuns, as personalidades, políticos, empresas e instituições que fazem a diferença na questão ambiental.

Parabéns, Hiram, por mais este Prêmio Hugo, que completa 10 anos e, neste ano específico, abordou um tema interessante e vital que é a sustentabilidade no sol.

E isso justamente nesse momento em que Minas – graças à sua natureza e geografia privilegiadas –, torna-se a meca da energia solar no país, por sermos a capital e o estado brasileiro hoje com mais placas fotovoltaicas instaladas.

Isso sem falar, ainda, nos bilhões de reais que serão investidos aqui nos próximos anos, nessa fonte de energia limpa e natural que vai desenvolver, sobretudo, regiões menos favorecidas do nosso estado, como o Norte de Minas. É lá que está sendo aportada boa parte desses recursos que vão transformar e otimizar ainda mais o cenário da energia solar em nossas empresas e populações.

Minas vive um momento ímpar. Mais de 30% dos investimentos brasileiros hoje em energia solar estão sendo feitos aqui, parte em função da nossa legislação, aprovada pelo atual governo, parte graças à celeridade que a Semad tem dado ao rito dos processos de licenciamento ambiental. Acredito que temos, sim, de ser mais rápidos ainda, sobretudo em se tratando de energias limpas, que vão substituir outras fontes menos sustentáveis para o meio ambiente.

Parabéns à Semad e ao governo do Estado por terem adotado essa política. E também a todos os órgãos envolvidos, como o Ministério Público, que tem apoiado essa iniciativa, bem como à ALMG, que aprovou leis desburocratizando a implementação desse relevante polo de energia sustentável em nosso estado.

Aos agraciados de hoje, reafirmo: é com muita honra que a Fiemg participa desse merecido reconhecimento de vocês.

Desejo, enfim, que os seus exemplos premiados nesta noite sejam exaltados, multiplicados e seguidos por outros, em nome dessa nossa esperança comum, tal como a democracia do sol que nos dá vida, nos une e energiza.

Parabéns.”

A profecia do mal que agrava as mudanças climáticas...e a força do bem que há de chegar aos corações

Coroando a premiação, o encerramento contou com uma homenagem à memória ecológica deixada por Clara Nunes, a primeira cantora brasileira a vender mais de um milhão de discos.

Quem protagonizou essa homenagem foi a cantora Aline Calixto, acompanhada pelo coral do Instituto Árvore da Vida. Com voz potente, primeiramente a sambista interpretou As Forças da Natureza, evocando a memória e a aura guerreira de Clara (1942-1983).

No ato final, Aline fez ecoar por toda a Sala Minas Gerais os versos proféticos de Juízo final, de Nelson Cavaquinho.

Foto: Gláucia Rodrigues
Foto: Gláucia Rodrigues
Foto: Gláucia Rodrigues

Aline Calixto. Foto: Gláucia Rodrigues

As Forças da Natureza

(João Nogueira /Paulo César Pinheiro)

Quando o sol

Se derramar em toda sua essência

Desafiando o poder da ciência

Pra combater o mal

E o mar

Com suas águas bravias

Levar consigo o pó dos nossos dias

Vai ser um bom sinal

Os palácios vão desabar

Sob a força de um temporal

E os ventos vão sufocar

o barulho infernal

Os homens vão se rebelar

Dessa farsa descomunal

Vai voltar tudo ao seu lugar

Afinal

Vai resplandecer

Uma chuva de prata do céu

vai descer

O esplendor da mata vai renascer

E o ar de novo vai ser natural

Vai florir

Cada grande cidade o mato

vai cobrir

Das ruínas um novo povo vai surgir

E vai cantar afinal

As pragas e as ervas daninhas

As armas e os homens de mal

Vão desaparecer nas cinzas

de um carnaval

Melhor Exemplo em Biodiversidade

PARQUE DAS NEBLINAS

INSTITUTO ECOFUTURO – SP

O vencedor é um parque ecológico localizado entre as cidades de Bertioga e Mogi das Cruzes, no maior contínuo de Mata Atlântica do Brasil: a Serra do Mar paulista.

É uma das unidades de conservação privadas do país com o maior número de espécies registradas do bioma atlântico. Com 6 mil hectares, protege 477 nascentes, que dão origem para a formação dos principais rios da região.

Nesta reserva ambiental da Suzano, com gestão do Instituto Ecofuturo, já foram semeadas mais de 8 milhões de sementes de palmeira-juçara, espécie bastante ameaçada de extinção. Desde a sua criação, em 2004, já recebeu mais de 45 mil pessoas. São mais de 28 quilômetros de trilhas sinalizadas e abertas à visitação pública.

Saiba mais: ecofuturo.org.br

Guilherme CorreA, gerente-geral de Sustentabilidade da ArcelorMittal, e a analista de Sustentabilidade do Instituto Ecofuturo, Raquel Coutinho: “O Parque das Neblinas é mais do que uma unidade de conservação. É uma unidade de transformação. Agradeço de coração por este reconhecimento”. Foto: Foto: Gláucia Rodrigues
Guilherme CorreA, gerente-geral de Sustentabilidade da ArcelorMittal, e a analista de Sustentabilidade do Instituto Ecofuturo, Raquel Coutinho: “O Parque das Neblinas é mais do que uma unidade de conservação. É uma unidade de transformação. Agradeço de coração por este reconhecimento”. Foto: Foto: Gláucia Rodrigues

Melhor Exemplo em Educação Ambiental

EDUKATU

INSTITUTO AKATU – SP

O vencedor é uma plataforma de educação ambiental sem fins lucrativos. Ao longo de seus seis anos de existência, ela já soma mais de 300 mil pessoas impactadas. E comemora mais de 31 mil alunos, 9 mil professores e 4 mil escolas cadastrados em todo o país, incentivando a troca de conhecimentos e práticas sobre consumo consciente.

Baseada em São Paulo, essa rede irradia suas ações por meio de materiais pedagógicos exclusivos, como vídeos, planos de aula e jogos. Todo o conteúdo é distribuído em circuitos temáticos abertos à exploração de professores e estudantes.

E para o alcance desses resultados, o Edukatu desenvolveu as seguintes estratégias: produção constante de conteúdos, sensibilização/mobilização online e presencial de professores, bem como a entrega de certificados reconhecidos pelas secretarias de Educação parceiras.

Saiba mais: edukatu.org.br

Andressa Lanchotti, promotora de Justiça do MPMG, o coordenador de Projetos Educacionais do Instituto Akatu, Raphael Borella, e Guilherme Rodrigues, diretor-técnico da Herkenhoff & Prates. Foto: Gláucia Rodrigues
Andressa Lanchotti, promotora de Justiça do MPMG, o coordenador de Projetos Educacionais do Instituto Akatu, Raphael Borella, e Guilherme Rodrigues, diretor-técnico da Herkenhoff & Prates. Foto: Gláucia Rodrigues

Melhor Exemplo em Mobilização Social

HORTAS ORGÂNICAS

CEPFS DE TEIXEIRA – PARAÍBA

Promover a resiliência das famílias de Teixeira, Cacimbas, Matureia, Imaculada e São José do Bonfim, todas do interior da Paraíba (PB), em relação às mudanças climáticas. Esse é o objetivo principal do projeto, coordenado pelo Centro de Educação Popular e Formação Social (CEPFS).

Desde a sua implementação, foram criadas 449 hortas familiares com economia de água, beneficiando um total de 2.634 pessoas. Além da capacitação de 614 agricultores e lideranças para a produção de alimentos saudáveis.

Além de proporcionar o uso racional de água, recurso cada dia mais escasso na região, o projeto contribui para a segurança alimentar, ajudando a transformar a realidade local. E impacta positivamente tanto a alimentação quanto a geração de renda dos participantes.

A técnica usada para a produção de alimentos saudáveis e que faz do projeto um sucesso é a irrigação por gotejamento diretamente nas raízes das plantas.

Saiba mais: cepfs.org/novo

O presidente da CSUL Desenvolvimento Urbano, Maury Fonseca Bastos, Cristina Dias,  da Diretoria do CEPFS, e o diretor da Myr Projetos Sustentáveis, Sérgio Myssior. Foto: Gláucia Rodrigues
O presidente da CSUL Desenvolvimento Urbano, Maury Fonseca Bastos, Cristina Dias, da Diretoria do CEPFS, e o diretor da Myr Projetos Sustentáveis, Sérgio Myssior. Foto: Gláucia Rodrigues

Destaque Legislativo

NORALDINO JUNIOR
DEPUTADO ESTADUAL DE MINAS GERAIS

Ele criou e presidiu a comissão extraordinária de proteção dos animais da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), permitindo que a causa animal começasse a ganhar destaque no Estado.

É de sua autoria a Lei 22.231/2016, que classifica o que é crueldade contra animais e estabelece sanções para quem cometer maus-tratos. Conseguiu também a aprovação de outra lei sua, que proíbe a realizacao de testes em animais para fins cosméticos e de higiene pessoal.

Já no seu segundo mandato, preside a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da ALMG e integrou a CPI da Barragem de Brumadinho. Quando seu nome foi indicado, teve até torcida apartidária e plural organizada em sua defesa. E nem um gol contra.

Em seu agradecimento, Noraldino destacou: “Ter meu nome lembrado e minhas iniciativas em prol do meio ambiente reconhecidas significa muito para mim, e para todos os que amam e respeitam a natureza e os animais. Muitos pensam que os recursos naturais são infinitos; eles estão errados. Por isso, essa premiação é tão importante!”

A superintendente da Amda, Maria Dalce Ricas, o secretário de Meio Ambiente de Nova Lima, Danilo Vieira Júnior, e o deputado Noraldino Júnior
A superintendente da Amda, Maria Dalce Ricas, o secretário de Meio Ambiente de Nova Lima, Danilo Vieira Júnior, e o deputado Noraldino Júnior

Destaque Político

JOSÉ FERNANDO DE OLIVEIRA
PREFEITO DE CONCEIÇÃO DE MATO DENTRO - MG

Ex-ambientalista de carteirinha, ex-deputado federal e ex-presidente do Partido Verde em Minas. Ele foi um dos ativistas à frente da criação da Sociedade dos Amigos do Tabuleiro. E liderou a criação do Parque Municipal de mesmo nome, onde ainda se precipita, linda e preservada, a terceira mais alta cachoeira do país.

Foi também presidente da Subcomissão de Minas e Energia (Câmara dos Deputados), na qual tramita o Projeto de Lei 1.453/07, que regulamenta a participação dos municípios, estados e união na compensação financeira dos royalties pela exploração mineral.

Foi a principal figura política na idealização e articulação para a criação da Reserva Mundial da Biosfera da Serra do Espinhaço, reconhecida pela Unesco em 2005. Agora, acaba de conseguir a autorização do governo mineiro para a realização de outro sonho coletivo seu: a pavimentação total da rodovia MG-010, ligando Conceição ao Serro, a primeira obra pública iniciada pelo governo Romeu Zema.

A superintendente da Amda, Maria Dalce Ricas, o secretário de Meio Ambientede Nova Lima, Danilo Vieira Júnior, e o deputado Noraldino Júnior. Foto: Gláucia Rodrigues

Melhor Exemplo em Resíduos Sólidos (1)

SANTA CASA DE MISERICÓRDIA

BELO HORIZONTE – MG

Ex-ambientalista de carteirinha, ex-deputado federal e ex-presidente do Partido Verde em Minas. Ele foi um dos ativistas à frente da criação da Sociedade dos Amigos do Tabuleiro. E liderou a criação do Parque Municipal de mesmo nome, onde ainda se precipita, linda e preservada, a terceira mais alta cachoeira do país.

Foi também presidente da Subcomissão de Minas e Energia (Câmara dos Deputados), na qual tramita o Projeto de Lei 1.453/07, que regulamenta a participação dos municípios, estados e união na compensação financeira dos royalties pela exploração mineral.

Foi a principal figura política na idealização e articulação para a criação da Reserva Mundial da Biosfera da Serra do Espinhaço, reconhecida pela Unesco em 2005. Agora, acaba de conseguir a autorização do governo mineiro para a realização de outro sonho coletivo seu: a pavimentação total da rodovia MG-010, ligando Conceição ao Serro, a primeira obra pública iniciada pelo governo Romeu Zema.

Saiba mais: santacasabh.org.br

Antônio Malard, diretor-geral do IEF, Luís Fernando Guimarães, superintendente de Suporte Operacional, e José Daniel Júnior, gerente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Santa Casa. Foto: Gláucia Rodrigues
Antônio Malard, diretor-geral do IEF, Luís Fernando Guimarães, superintendente de Suporte Operacional, e José Daniel Júnior, gerente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Santa Casa. Foto: Gláucia Rodrigues

Melhor Exemplo em Resíduos Sólidos (2)

YSAAC JÚNIOR GONÇALVES
AMBIENTALISTA MIRIM - BH

Uma reportagem veiculada no “Bom Dia Minas”, da TV Globo, no dia 18 de julho de 2018, chamou a atenção da população. Ela mostrou a história de um menino, de apenas 3 anos de idade, com consciência ecológica.

Ele costuma correr para a janela da sua casa, no bairro Maria Goretti, na Região Nordeste de BH, e esperar, com emoção, a chegada do caminhão de coleta de lixo da prefeitura.

Ele se veste com uma roupa de gari, feita pela sua avó, e grita: “Lá vêm meus amiguinhos!” A mãe de Ysaac, Letícia, conta: “Ele gosta que eu prepare um lanchinho para os seus amigos e faz questão de ajudá-los a carregar os sacos de lixo até o caminhão de coleta.” É emocionante! É um exemplo vencedor.

Saiba mais

Assista ao vídeo aqui: bit.ly/34blTRZ

Roberto Bastianetto, subsecretário de Comunicação Social do Governo de Minas,  Ysaac Júnior com a mãe; Letícia Gonçalves, e Ana Gabriela Cardoso, diretora corporativa de Comunicação e Relações Institucionais da Usiminas. Foto: Gláucia Rodrigues
Roberto Bastianetto, subsecretário de Comunicação Social do Governo de Minas, Ysaac Júnior com a mãe; Letícia Gonçalves, e Ana Gabriela Cardoso, diretora corporativa de Comunicação e Relações Institucionais da Usiminas. Foto: Gláucia Rodrigues

Melhor Projeto de Parceiro Sustentável

ANGLO AMERICAN

RECUPERAÇÃO DO VALE DO RIBEIRÃO

SANTO ANTÔNIO DO GRAMA – MG

Esta categoria é disputada somente entre as empresas patrocinadoras, as quais já têm o DNA da sustentabilidade. Daí, a exigência de dois critérios extras de julgamento que elas têm de cumprir para competirem saudavelmente entre si.

O primeiro é criatividade: comprovarem alguma inovação. Seja ela de produto ou gestão. O segundo critério é demonstrarem a amorosidade que Hugo Werneck tanto defendia. E fazerem algo a mais, além do que já exige a legislação ambiental.

Foi o que esta mineradora refez no já historicamente desmatado e assoreado Ribeirão Santo Antônio do Grama, no município mineiro de mesmo nome. Isso após contaminá-lo duas vezes seguidas, em razão de dois vazamentos de seu mineroduto na região.

Na primeira vez, vazou o equivalente a dois vagões de polpa de minério. Na segunda, a um vagão. A obrigação legal da empresa seria limpar e devolver o ribeirão restaurado onde ele fora pontualmente agredido. Mas, voluntariamente, a empresa optou por ir além. E, assim, mostrou que sempre é possível fazer algo a mais. Detalhe: recuperou todo o vale, e não apenas o Ribeirão Santo Antônio.

Saiba mais

brasil.angloamerican.com

Acesse o vídeo: youtu.be/megMECINEIs

Flávio Penido, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o CEO da Anglo American no Brasil, Wilfred Bruijn, e o diretor-presidente da Codemg, Dante de Matos; Foto: Gláucia Rodrigues
Flávio Penido, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o CEO da Anglo American no Brasil, Wilfred Bruijn, e o diretor-presidente da Codemg, Dante de Matos; Foto: Gláucia Rodrigues

Melhor Empresa

POLO AUTOMOTIVO JEEP

FCA / GOIANA – PERNAMBUCO

A empresa vencedora deste ano também cumpre à risca o mandamento do mestre Hugo. E pratica isso já há cinco anos, desde que foi implantada em Goiana, no interior de Pernambuco. Exatamente onde a rica e exuberante Mata Atlântica, que cobria todo o estado, foi devastada pela monocultura secular da cana-de-açúcar.

O que essa empresa fez à sua volta, tendo como missão o resgate da paisagem do bioma natural? Ela plantou, até setembro último, a impressionante marca de 100 mil mudas de espécies nativas. E tem como meta chegar a 280 mil futuras árvores até 2024, através da criação de 304 hectares de áreas verdes e corredores ecológicos, para também trazer e ter a fauna original de volta.

Para os resultados já obtidos, ela construiu um Centro de Biodiversidade, dentro de seu polo industrial. Lá são produzidas 295 espécies de plantas da flora original, incluindo 27 ameaçadas de extinção. Este seu viveiro, do tamanho de um campo de futebol, é hoje o maior do Nordeste brasileiro, com capacidade para produzir até 88 mil mudas por ano. O que faz desta empresa, além de carros, ser também uma fábrica de árvores.

Saiba mais

fcapress.com.br

Othon Maia, gerente-sênior de Comunicação da AngloGold Ashanti, o diretor de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da FCA, Fernão Silveira (ao centro), Ana Luiza Veloso e André Barreto, da equipe da FCA; e Marina Spínola, diretora de Relações Corporativas da Fundação Dom Cabral. Foto: Gláucia Rodrigues
Othon Maia, gerente-sênior de Comunicação da AngloGold Ashanti, o diretor de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da FCA, Fernão Silveira (ao centro), Ana Luiza Veloso e André Barreto, da equipe da FCA; e Marina Spínola, diretora de Relações Corporativas da Fundação Dom Cabral. Foto: Gláucia Rodrigues

Melhor Empresário

EDVALDO LÔPO

FAZENDA VISTA ALEGRE / MANGA – MG

Ele é filho de produtores rurais. É empreendedor e proprietário de uma padaria, no município mineiro de Manga, às margens do Rio São Francisco. Seu empreendimento é pequeno e familiar. E detalhe: é pioneiro no uso de energia fotovoltaica na região.

Silvicultura, agricultura e pecuária, tudo funciona integrado na sua fazenda. A agricultura irrigada de milho, feijão e soja. A suinocultura. A psicultura de tilápias, tambaquis e surubins. O pomar e o plantio de eucaliptos. Tudo movido a energia solar.

Outro detalhe: lá em sua propriedade se recicla praticamente tudo. Como diria Guimarães Rosa, sua empresa são várias! E todas elas, lucrativas e sustentáveis, mesmo sob o sol do sertão.

Alisson Coutinho, ex-presidente Regional do Ibama, o empresário Edvaldo Lôpo e o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de MG (Faemg/Senar), Breno Mesquita. Foto: Gláucia Rodrigues
Alisson Coutinho, ex-presidente Regional do Ibama, o empresário Edvaldo Lôpo e o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de MG (Faemg/Senar), Breno Mesquita. Foto: Gláucia Rodrigues

Ambientalista Histórico (1)

JOSÉ ISRAEL VARGAS

Este ano, os homenageados nesta categoria são dois. Não há como separá-los, siameses que eles são. Um foi mentor da atual política ambiental de Minas. O outro, o seu fiel operador.

Eles foram, enfim, os grandes responsáveis pela criação, em plena ditadura militar, do hoje Copam – Conselho Estadual de Política Ambiental, colegiado que conhecemos e inspirou o atual Conama – Conselho Nacional de Política Ambiental, instituído em 1982.

Exatamente naquela época sinistra do regime militar, quando ser ambientalista era mais do que ser contra o progresso – era ser subversivo –, esses dois ambientalistas históricos foram de uma ousadia tamanha.

Eles criaram um conselho ambiental impensável de tão democrático, e não apenas com forte participação da sociedade civil organizada. Mas também com participação do setor produtivo, representado pela Fiemg e pela Associação Comercial de Minas, e pelas ONGs ambientalistas, como a Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda) e o Centro para a Conservação da Natureza em Minas, presidido por Hugo Werneck. Todos com igual direito a voto.

Graças a eles, foram criadas a Superintendência de Meio Ambiente do Cetec, a Fundação João Pinheiro e a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente. Depois, a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e a hoje Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).

Formado em química pela UFMG e natural de Paracatu, Vargas tornou-se cientista, político e escritor internacionalmente notável. Foi secretário estadual de Ciência e Tecnologia, no governo Aureliano Chaves, e ministro nos governos Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Além de embaixador do Brasil junto à Unesco.

MESMO AUSENTE, o nome de Vargas foi o mais aplaudido ao ser citado três vezes durante a cerimônia. Foto: Gláucia Rodrigues
MESMO AUSENTE, o nome de Vargas foi o mais aplaudido ao ser citado três vezes durante a cerimônia. Foto: Gláucia Rodrigues

Depoimento

“Temos de salvar o gênero humano”

Aos 93 anos de idade, e por uma questão de saúde, infelizmente, o professor José Israel Vargas não pode comparecer à cerimônia. Mas enviou a seguinte mensagem:

“Tenho estado pessimista. Acho que as autoridades brasileiras estão em um caminho perigoso. Primeiro, porque ainda não acreditam no efeito estufa. E, segundo, por negarem a realidade das mudanças climáticas, o que já está ocorrendo o tempo todo, vide os grandes desastres ambientais, as chuvas torrenciais e secas de longa duração, nunca vistas em vários lugares do mundo. E, particularmente, no Brasil, devido a nossa enorme extensão geográfica.

Quanto à consciência ecológica, ela vai aumentar, até porque as consequências das alterações ambientais estão sendo vistas e sentidas, cada dia mais, por toda a população. Os desastres da Vale, das barragens, por exemplo, são um problema ambiental.

Eu sempre defendi que a ciência e a tecnologia é que agrediam e ainda agridem o meio ambiente. Mas somente elas, a favor da sustentabilidade, podem salvar o planeta. Evidentemente, com o apoio da opinião pública e da mídia na formação de uma consciência político-ambiental em nome da ciência e pela ciência. Nos meios de comunicação, publicações como a Revista Ecológico, são exemplo de como informar e alertar a população sobre os nossos problemas ambientais.

Sinto-me muito honrado ao receber o Prêmio Hugo Werneck, porque como Hugo, fui companheiro de luta pela proteção ambiental em Minas Gerais. Saúdo os meus companheiros premiados. Todos eles são merecedores desse esforço para salvarmos o gênero humano.”

VARGAS: “Somente a ciência e a tecnologia, a favor da sustentabilidade, podem salvar o planeta”
VARGAS: “Somente a ciência e a tecnologia, a favor da sustentabilidade, podem salvar o planeta”

Ambientalista Histórico (2)

OCTÁVIO ELÍSIO ALVES DE BRITO

O segundo homenageado, Octávio Elísio, é tão grande por fora quanto por dentro. Fiel escudeiro do seu mestre, foi o primeiro secretário-executivo do Copam. E sua primeira decisão unânime e democrática foi negar e conter o avanço predatório da MBR, atual Vale, nas cristas da Serra do Curral.

A mineradora queria derrubar 60 hectares de vegetação atlântica, para ampliar a sua barragem de rejeitos, da Mina de Águas Claras. Com muita pressão da opinião pública, capitaneada por Hugo Werneck, o pedido foi negociado. E o desmatamento previsto de 60 hectares caiu para 16 hectares.

Assim, acha-se preservada até hoje, em Nova Lima, a atual Mata do Jambreiro: a maior porção de Mata Atlântica que ainda resta em toda a Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Como contrapartida compensatória, a grande floresta passou a ser mantida e protegida pela MBR, como RPPN. A primeira Reserva Particular do Patrimônio Natural criada em área de mineração na história de Minas e do Brasil. Engenheiro de Minas, Octávio Elísio também foi secretário de Educação, no governo Tancredo Neves, e eleito deputado constituinte com a bandeira da ciência, da educação e da defesa do meio ambiente.

 Roberto Messias, ex-presidente da Feam e do Ibama, Octávio Elísio Alves de Brito e o ex-ministro de Meio Ambiente José Carlos Carvalho: afeto ecológico. Foto: Gláucia Rodrigues
Roberto Messias, ex-presidente da Feam e do Ibama, Octávio Elísio Alves de Brito e o ex-ministro de Meio Ambiente José Carlos Carvalho: afeto ecológico. Foto: Gláucia Rodrigues

Destaque Internacional

ANNA LUÍSA BESERRA

PROJETO AQUALUZ / SALVADOR – BAHIA

Nosso destaque é Anna Luísa, uma jovem cientista, biotecnologista e ambientalista de 22 anos, baiana de Salvador. Aos 15 anos, ela criou uma tecnologia social para tratamento de água no semiárido. Aos 17, fundou uma startup socioambiental que desenvolve tecnologias hídricas para salvar vidas.

Medalhista de olimpíadas científicas, ela é criadora do Aqualuz, um dispositivo que purifica, por meio de radiação solar, toda a água da chuva captada em cisternas.

Hoje o Aqualuz consegue purificar 10 litros de água em apenas quatro horas. Sua manutenção é bem simples: basta lavá-lo com água e sabão.

Atualmente, o projeto garante acesso à água potável para 256 pessoas e deve atingir 700 até o fim deste ano. A proposta dessa jovem ambientalista é democratizar o acesso à água potável.

Tanto esforço, estudos e testes foram reconhecidos. No último dia 21 de setembro, em Nova York, ela venceu e recebeu, na sede da ONU, o prestigiado prêmio “Jovens Campeões da Terra- América Latina e Caribe”. Ao receber a estatueta do Prêmio Hugo’2019, Anna Luísa fez um convite à plateia, dedicando-o a todas as famílias que vivem no semiárido, sem acesso à água potável: “Vamos matar a sede do mundo?”

Wendel Gomes, diretor de Mineração e Matérias-Primas da Gerdau, a diretora-geral do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), Marília Melo, Anna Luísa e o diretor Comercial da Cemig S!M, João Paulo Campos. Foto: Gláucia Rodrigues
Wendel Gomes, diretor de Mineração e Matérias-Primas da Gerdau, a diretora-geral do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), Marília Melo, Anna Luísa e o diretor Comercial da Cemig S!M, João Paulo Campos. Foto: Gláucia Rodrigues

Melhor Exemplo em Energia Solar

UNILEÃO SUSTENTÁVEL

CENTRO UNIVERSITÁRIO

DR. LEÃO SAMPAIO - CEARÁ

O projeto vencedor nesta categoria vem do Nordeste brasileiro. Mais precisamente de Juazeiro do Norte, no Ceará. Inaugurada em 2001, trata-se de uma instituição de ensino superior autossustentável em energia solar.

A partir de 2017, esta instituição fez mais. Aderiu ao chamado sistema heliotrópico de painéis móveis Autoterm. Eles acompanham o trajeto do sol no céu. E imitam, assim, o comportamento natural dos girassóis que, tanto encantaram e foram pintados por Van Gogh em sua obra.

É o que você pode conferir na mensagem ao lado, do professor Jaime Romero, reitor do Centro Universitário Dr. Leão Sampaio.

Mário Campos, presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas (Siamig), e Jorge Luiz Gonçalves de Souza, representante do Núcleo de Sustentabilidade da Unileão. Foto: Gláucia Rodrigues
Mário Campos, presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas (Siamig), e Jorge Luiz Gonçalves de Souza, representante do Núcleo de Sustentabilidade da Unileão. Foto: Gláucia Rodrigues

Inovar e amar

“Gostaria de parabenizar essa iniciativa, o 10º Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza. Nosso centro universitário, aqui em Juazeiro, não só apoia e incentiva, como transforma a região em função de sua política de sustentabilidade.

Temos um dos maiores parques de energia solar, com um sistema que, além de aproveitar a energia do sol para gerar energia elétrica, faz isso de forma bastante científica e com base conceitual.

As nossas placas procuram o sol: pela manhã, se voltam para o leste; ao meio-dia para cima e, à tarde, para o oeste. Com isso, aumentamos a eficiência do nosso sistema, utilizando menos placas, menos recursos da natureza e gerando mais energia.

A nossa missão não é apenas ter um sistema de energia solar para economizar na conta de energia elétrica. Queremos mostrar aos empresários e empreendedores (o que fazemos) e, principalmente, servir de exemplo para os nossos estudantes que, no futuro, serão empresários e empreendedores, atuando em suas empresas, nas suas residências.

É preciso criar uma cultura solar voltada para a sustentabilidade. Infelizmente, não pude estar presente. Mas, queria dizer que inovar e amar é importante, como Hugo Werneck defendia. Vamos cuidar do nosso planeta e dos nossos estudantes. Futuros cidadãos do mundo. Muito obrigado.”

Jaime Romero, reitor do Centro Universitário Dr. Leão Sampaio

Jaime Romero, impossibilitado de comparecer à cerimônia, enviou o seu recado werneckiano: “É preciso criar uma cultura voltada para a sustentabilidade solar”
Jaime Romero, impossibilitado de comparecer à cerimônia, enviou o seu recado werneckiano: “É preciso criar uma cultura voltada para a sustentabilidade solar”

Homenagem Especial

ROMEU ZEMA

GOVERNADOR DE MINAS GERAIS

Exatamente no dia em que começava, em Madri, na Espanha, a COP-25, conferência mundial mais importante sobre combate às mudanças climáticas, Minas Gerais se fez representar. E ajudou o Brasil a dar exemplo e esperança, em se tratando de energia solar.

Afinal, graças à geografia e ao céu azul privilegiado que temos, somos o estado líder na produção da energia natural que vem do sol. E Belo Horizonte, por isso mesmo, é a capital brasileira com mais painéis fotovoltaicos instalados. Tanto em indústrias e empresas, quanto em residências, graças à incidência de raios solares na maioria dos dias do ano.

Toda essa performance, porém, só se sustenta se houver vontade política, além da simpatia e sensibilidade dos políticos que nos governam. É o caso do homenageado especial deste ano.

Por meio da Semad, do INDI (Agência de Promoção de Investimento e Comércio Exterior de MG), da Cemig S!M e da Associação das Indústrias Sucroenergéticas (Siamig) – leia-se também a energia verde que vem da biomassa da cana-de-açúcar, ele tem incentivado a expansão de fazendas solares. Principalmente no Norte de Minas. Levando e criando, assim, oportunidades de emprego e renda para a população historicamente desfavorecida.

Com seu olhar ecológico e inteligente, sua mais recente decisão foi alterar uma deliberação normativa do Copam, que reduziu o índice relativo ao potencial poluidor doravante dos novos empreendimentos no estado, via geração de energia solar.

Ou seja, simplificando o processo de licenciamento, por se tratarem de instalações de baixo e quase nenhum impacto ambiental. Isso porque as placas solares não tocam o chão: só ficam “olhando” o céu. E captando a luz, como os girassóis de Van Gogh.

Vontade política

“Uma das soluções para implementar ainda mais a energia solar é privatizar a nossa empresa de energia. Sem a privatização, ainda vamos ter muitas dificuldades, porque, como sabemos, a nossa empresa, muitas vezes, ao invés de olhar o futuro, o desenvolvimento e o consumidor, olha interesses de determinados grupos. E não é isso que o povo mineiro merece. O povo mineiro merece desenvolvimento e energia barata.

Fico extremamente satisfeito de o nosso governo contribuir com a disseminação de inúmeros novos projetos de energia fotovoltaica. É uma energia limpa, que tem o potencial de mudar a matriz energética do nosso estado. É importante destacar também as mudanças na simplificação de processos para incentivar a instalação de novas empresas solares em Minas.”

Romeu Zema, governador de Minas Gerais

 Hiram Firmino, diretor da Revista Ecológico e coordenador do Prêmio Hugo, o secretário estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Germano Vieira, o governador Romeu Zema e o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe. Foto: Gláucia Rodrigues
Hiram Firmino, diretor da Revista Ecológico e coordenador do Prêmio Hugo, o secretário estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Germano Vieira, o governador Romeu Zema e o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe. Foto: Gláucia Rodrigues

Personalidade Do Ano

CIDA MENDES

ATRIZ, AUTORA E INTÉRPRETE DE

CONCESSA EM “DEFEITO ESTUFA

Ela é uma comediante com causa, nascida no meio rural de Pará de Minas. Muitos já a conhecem pela telinha do celular. Ela continua também lotando os teatros onde apresenta o seu mais ecológico e aplaudido espetáculo.

Trata-se do monólogo “Defeito Estufa”, cujo roteiro foi escrito por ela mesma, sobre as mudanças climáticas. Na peça teatral, ela vive uma mulher típica do interior de minas. Cansada do modo de vida estressante e sem natureza da cidade grande, resolve voltar para a roça. Mas não sem antes fazer uma comparação entre os calores da menopausa e aqueles provocados pelo aquecimento global.

Ela fala do seu próprio corpo e do corpo do planeta, ambos sentindo o mesmo desconforto, cada dia maior. Um é o desconforto natural da condição humana feminina. E o outro, sem lógica, provocado pela ignorância, desamor e maldade da própria humanidade à natureza que lhe dá a vida. É o que ela diz na peça: “Ué?! Se o mundo tá sem lógica. Nóis temo que sê é... cológico”.

Ao receber a estatueta de vencedora, Cida deu um recado à plateia: “A gente deve cuidar do ambiente onde estamos. E como ensinou Hugo Werneck, a natureza não é para nós: ela é parte de nós.”

A presidente da Fundação Clóvis Salgado / Palácio das Artes, Eliane Parreiras, Cida Mendes e a diretora de Gestão da Revista Ecológico, Eloah Rodrigues.Foto: Gláucia Rodrigues
A presidente da Fundação Clóvis Salgado / Palácio das Artes, Eliane Parreiras, Cida Mendes e a diretora de Gestão da Revista Ecológico, Eloah Rodrigues.Foto: Gláucia Rodrigues


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