Estudo aponta que 100 empresas são responsáveis por 71% das emissões de gases no mundo

Em 28 anos, apenas 25 entidades corporativas e estatais responderam por mais da metade (51%) das emissões industriais globais
Da Redação / Ecológico - redacao@souecologico.com
Meio Ambiente
Publicado em: 05/06/2019

Um estudo aponta que um montante de apenas 100 empresas são capazes de responder por mais de 71% das emissões de gases do efeito estufa desde 1988. De acordo com o The Carbon Majors Report, se a tendência na extração de combustível fóssil continuar neste ritmo, nos próximos 28 anos, as temperaturas médias globais poderão aumentar em torno de 4º C até o final deste século.

Domínio público
Domínio público

O levantamento aponta que a indústria de combustíveis fósseis dobrou sua contribuição para o aquecimento global – gerou 923 bilhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono, desde 1988 – emitindo tanto gás de efeito estufa em 28 anos, como nos 237 anos entre 1988 e o nascimento da revolução industrial. Apenas 25 entidades corporativas e estatais respondem por mais da metade das emissões industriais globais, 51%.

O relatório deu rostos para os culpados: apresentou uma lista com cem nomes. São os responsáveis que que estão à frente das empresas produtoras de combustíveis fósseis que mais emitem gases no mundo. A ativista Debora Braga acredita que a divulgação deste levantamento deve gerar uma responsabilidade significativa sobre estas organizações.

"É preciso que revejam suas políticas. Os lucros destas grandes indústrias devem ter maior aplicação em ações que ajudem a reverter esse desgaste ambiental. É certo que o setor de combustíveis fosseis não irá falir, mas se faz cada vez mais necessário um redirecionamento para que os recursos arrecadados às custas do planeta, sejam aplicados na recuperação ambiental", pondera Debora.

Um quinto das emissões industriais globais de gases de efeito estufa é apoiado por investimentos públicos, de acordo com o relatório. Uma das estratégias de ativistas globais é estimular o desinvestimento em combustíveis fósseis. Em 2015, a campanha de desinvestimento dos combustíveis fósseis alcançou recorde: mais de 500 instituições – que respondem por cerca de US $ 3,4 trilhões em ativos – fizeram algum tipo de compromisso de acordo com a 350.org e a Divest-Invest, duas organizações que estão coordenando este movimento.

"O desinvestimento já se tornou ação global. O objetivo é frear investimentos em corporações que comprometem a qualidade de vida no planeta e financiam as mudanças climáticas negativas. Ano passado, a Irlanda se tornou o primeiro país a desinvestir em combustíveis fósseis, isso é histórico e esperamos que incentive outras nações", explica Debora.

Para limitar o uso de combustíveis fosseis, vários países já se comprometeram a adotar outras fontes de energia. "O mundo ideal seria onde o uso de tecnologia de energia renovável superasse o carvão, o petróleo e o gás natural. A humanidade precisa caminhar para soluções, já que os problemas estão trazendo consequências mortais", finaliza a ativista.

Fonte: One Vox Solutions


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