41 milhões de brasileiros são afetados por falta ou excesso de chuva

Balanço hídrico desfavorável compromete agricultura e abastecimento de cidades
Da Redação - redacao@revistaecologico.com.br
Água
Publicado em: 20/12/2018

Mesmo sendo o país com maior disponibilidade hídrica do mundo, o Brasil não está a salvo de eventos críticos, como estiagens prolongadas e o baixo nível de reservatórios que abastecem as cidades. O alerta consta do relatório “Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil”, divulgado nessa quarta-feira (19/12) pela Agência Nacional das Águas (ANA).

Na décima edição, o informe destaca a situação do recurso em todo o território nacional, seus diferentes usos e as ações para minimizar os impactos das crises hídricas. O balanço se baseia em dados de 2017 de órgãos da União e dos estados.

No ano passado, de acordo com o documento, cerca de 38 milhões de pessoas foram afetadas por secas e estiagens, o número é quase 13 vezes maior que o da população atingida pelas cheias (3 milhões). E esse problema vem se agravando. O relatório mostra que, no retrospecto dos últimos cinco anos, 2017 foi o mais crítico quanto aos impactos da falta de chuva.

O Nordeste concentra 80% dos que sofrem com essa condição, o que é provocado, entre outros fatores, pela irregularidade do regime pluviométrico e temperaturas elevadas durante todo o ano. Mas esse é também um problema relevante em outras regiões. É o caso de Brasília, no Centro-Oeste, onde todos os moradores precisaram enfrentar um prolongado racionamento de água em 2017.

E não adianta culpar São Pedro. “As causas de uma crise hídrica não podem ser reduzidas apenas às menores taxas pluviométricas verificadas em um determinado período, pois outros fatores relacionados à garantia da oferta de água e à gestão da demanda de água são importantes para agravar ou atenuar sua ocorrência”, explica o relatório.

Água para o campo

Apesar de bastante comprometido pela seca, o abastecimento urbano responde pelo terceiro maior percentual da captação de água feita no país, com 23,8% do total. A maior destinação é para irrigação (52%), seguida do uso na indústria (9,1%). Completam o levantamento o abastecimento animal (8%) e o rural (1,7%), o uso em termelétricas (3,8%) e na mineração (1,6%).

De acordo com o relatório da Agência Nacional das Águas, um ponto importante é que a demanda pelos recursos hídricos se ampliou de forma acentuada. Nos últimos 20 anos, ela cresceu 80%. E a previsão é de que, até 2030, a pressão sobre os recursos hídricos aumente mais 24%.

Cobrança pela água

Uma das formas de sinalizar a importância dos recursos hídricos e incentivar o consumo mais consciente está na cobrança pelo uso. Esse é também um caminho encontrado para obter recursos financeiros para o financiamento de programas e intervenções contemplados em planos governamentais para o setor.

Em 2017, o valor cobrado pelo uso de recursos hídricos no Brasil foi de R$ 454,9 milhões. Nas bacias estaduais, o Ceará se destaca como a unidade federativa que mais cobra, foram R$ 181,93 mi no ano passado. Na sequência estão Rio de Janeiro (R$ 50,99 mi), São Paulo (R$ 88,33 mi) e Minas Gerais (R$ 39,61 mi). Já no domínio da União, 3.250 usuários tiveram que desembolsar R$ 67 mi, o equivalente a 15% do total cobrado no país.

Outro ponto que pode ser incentivado para mitigar os impactos com o desequilíbrio dos recursos hídricos é o reúso da água. De acordo com a Agência Nacional das Águas, o “efluente sanitário tratado é uma alternativa comprovada para a melhoria da disponibilidade hídrica em certos contextos, e já em andamento no Brasil, embora ainda de maneira limitada”.

A meta proposta para o reúso não potável direto no Brasil é de aproximadamente 13 m³/s até 2030. É uma meta audaciosa, visto em que em 2017 foi estimado o aproveitamento 2 m³/s. Para se aproximar desse resultado, será preciso investir algo entre 300 e 500 milhões de reais por ano até lá.

Saiba mais:

* Em média, cerca de 260 mil m³/s de água escoam pelo território brasileiro. Apesar da abundância, cerca de 80% desse total encontra-se na região Amazônica, onde vive a menor parte da população e a demanda de água é menor.

* A geração de energia hidrelétrica é um importante uso da água, entretanto, não é caracterizado como consumo. Em 2017, o Brasil possuía 1.335 empreendimentos hidrelétricos em operação, sendo 682 centrais de geração hidrelétrica (CGH), 432 pequenas centrais hidrelétricas (PCH) e 221 usinas hidrelétricas (UHE).

(Fonte: Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil 2018 / ANA)


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