Estudo mostra que 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos são gerados no Brasil ao ano

Dados são da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe)
Matheus Muratori - redacao@souecologico.com
Meio Ambiente
Publicado em: 08/11/2019

A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) divulgou, nesta sexta-feira (8), um estudo sobre os resíduos sólidos gerados no Brasil em 2018. Segundo os números da associação, 79 milhões de toneladas de materiais foram geradas no último ano.

Ainda segundo a pesquisa, do montante, 92% (72,7 milhões) foram coletados - uma alta de 1,66% em comparação a 2017. Mesmo assim, outros 6,3 milhões de toneladas de resíduos ficaram sem ser recolhidos nas cidades brasileiras.

Em comparação com os países da América Latina, o Brasil é o campeão de geração de lixo. O território brasileiro representa 40% do total gerado pelos latinos (541 mil toneladas por dia, segundo a Organização das Nações Unidas - ONU - Meio Ambiente).

Tendência de crescimento na geração de resíduos sólidos urbanos no país deve ser mantida (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)
Tendência de crescimento na geração de resíduos sólidos urbanos no país deve ser mantida (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

“Os números mostrados no panorama colocam o Brasil numa posição muito abaixo de outros países que estão no mesmo nível de renda do Brasil. O nosso déficit é muito grande e nós precisamos realmente de medidas urgentes para não só recuperar esse déficit, como avançar em direção a melhores práticas de gestão de resíduos sólidos”, comentou o presidente da associação, Carlos Silva Filho.

Estimativas realizadas com base na série histórica mostra que o Brasil pode alcançar uma geração anual de 100 milhões de toneladas por volta de 2030. Os resíduos sólidos urbanos abrangem o lixo doméstico e a limpeza urbana - coletados nas cidades pelos serviços locais.

“Há uma consolidação na geração de resíduos sólidos, o que não está sendo acompanhada na oferta da infraestrutura necessária para lidar com todos esses resíduos. O que a gente percebe é que a geração de lixo aumenta no Brasil, mas a destinação adequada, a reciclagem, a recuperação, não acompanham esse crescimento na geração”, finalizou Silva Filho.

O levantamento também abordou temas que tangem a geração de resíduos sólidos urbanos. Os números mostram que há um contingente considerável de pessoas que não são alcançadas por serviços regulares de coleta porta a porta: um em cada 12 brasileiros não têm coleta regular de lixo em domicílio.

Já o aterro sanitário é utilizado como forma de disposição ambientalmente correta (59,5% do volume coletado) no Brasil. Entretanto, mais de três mil municípios ainda destinam seus resíduos para locais inadequados.

Em 2018, 29,5 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos seguiram para lixões ou aterros controlados, que não contam com um conjunto de sistemas e medidas necessários para proteger a saúde das pessoas e o meio ambiente contra danos e degradações. Considerando países com a mesma faixa de renda (países de média-alta renda, segundo classificação do Banco Mundial), o Brasil apresenta índices bastante inferiores, pois a média para destinação adequada nessa faixa de países é de 70%.


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