A importância dos jardins em templos religiosos

Áreas verdes evocam momentos de introspecção, devoção, reflexão e bem-estar
Danny Braz (*)
Meio Ambiente
Publicado em: 01/03/2019

Foto: Arquidiocese de BH
Foto: Arquidiocese de BH

Um jardim pode ter vários papéis dentro de um projeto arquitetônico, desde apenas ser uma área bela, atender a um hobby ou buscar melhorias de qualidade de vida. Porém, quando falamos de jardins destinados a templos religiosos podemos ver um papel ainda mais particular sendo desempenhado.

Independentemente de qual religião aquele templo atenda, o seu jardim tem uma função clara de evocar momentos de introspecção, devoção, reflexão e bem-estar. Isso tem a ver com o modo como o contato com a natureza permite que as pessoas se sintam bem. Isso é algo tangível, tem a ver com a temperatura amena, ar limpo, beleza visual, entre outros estímulos sensoriais que proporcionam bem-estar físico e mental.

Essa paz mental e física ajuda na introspeção, na meditação e no contato que a fé caracteriza como uma proximidade com o divino. É uma característica típica da busca pela fé tentar se aproximar da natureza. Esse contato acaba ganhando conotação espiritual. O resultado são os estímulos físicos e sensoriais proporcionados pelo ambiente.

Muito disso é resultado da grande quantidade de metáforas e histórias religiosas que conectam jardins a obras de um Criador supremo, ou como locais sagrados. A verdade é, que independentemente de crença, o bem-estar do ambiente permite um momento de tranquilidade e paz que se conecta a mensagens positivas de maneira orgânica.

Seja por uma real conexão com o sagrado, seja por questões fisiológicas, o fato é que o jardim desempenha um papel de auxílio à prática da fé, o que é importante para quem a pratica. O contato com a fé demanda, em muitas religiões, um certo grau de simbologia que ajuda a mente humana a sentir-se conectada a algo superior. O jardim abraça essa simbologia ao mesmo tempo que proporciona um local agradável para uma prática que traz bem-estar para o indivíduo.

Templo de Haifa Bahá ' Í Fé, Israel. Foto: Domínio Público
Templo de Haifa Bahá ' Í Fé, Israel. Foto: Domínio Público

Manter esse tipo de área saudável e bela demanda, também, um cuidado muito específico. Seu sistema de irrigação precisa atender a um alto padrão, por exemplo, já que é um ambiente de cuidado com a vida. Manter o local belo, exuberante e vivo é importante, e a água faz o papel central dessa necessidade. É preciso um olhar especial, pois também não pode haver desperdício. São projetos arquitetônicos muito complexos.

Há templos que incorporam elementos da cultura do país em seus jardins, e muitos desses espaços são abertos ao público que não é necessariamente seguidor daquela religião. Um exemplo interessante são os imensos jardins da Fé bahá'í, que carregam grande simbologia em formatos e variedades de cores em suas plantas. Independente da fé, o templo sempre proporciona benefícios pelo contato com o natural.

O bem estar de seus fiéis é o bem estar de sua fé e, independente de qualquer posição religiosa, o ser humano sempre se volta ao natural quando quer encontrar paz e tranquilidade, haja vista as metáforas sobre a vida no campo que existem da poesia. Por isso, o jardim é tão importante, independentemente de onde ele estiver.

(*) Engenheiro civil, consultor internacional com foco em construções verdes e diretor-geral da empresa Regatec.


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