Abrolhos inaugura trilha subaquática noturna

Trajeto de 140 metros entre chapeirões – formações recifais únicas no mundo – e anêmonas- gigantes permite ao visitante contato inédito com ambiente marinho
Turismo
Publicado em: 12/02/2019

O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, localizado no litoral entre a Bahia e o Espírito Santo, inaugura na semana que antecede o Carnaval o seu mais novo atrativo: a trilha subaquática do Chapeirão Mau-Mau. O parque é uma unidade de conservação (UC) federal administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Chapeirões são formações recifais de rara beleza, únicas no mundo e só existentes em Abrolhos. Têm formato de cogumelos e chegam a ter 20 metros de altura e 50 metros de diâmetro no topo. O trajeto da trilha, que poderá ser feito à noite, com mergulho autônomo, acompanhado de condutores, tem tudo para proporcionar aos visitantes uma experiência inédita e inesquecível, estimulando a visitação no parque.

O projeto é fruto do trabalho da equipe gestora da unidade de conservação, condutores de visitantes, empresas autorizadas para a visitação comercial na unidade, entre outros representantes de instituições que atuam há tempos na conservação da biodiversidade e no desenvolvimento sustentável na região dos Abrolhos. Tem ainda o apoio do Projeto GEF Mar.

Foto: Enrico Marcovaldi
Foto: Enrico Marcovaldi

Interpretativa e guiada

A trilha subaquática será interpretativa e guiada, como são todos os demais mergulhos autônomos oferecidos no parque. São 140 metros de extensão, com 14 pinos instalados na areia e cabos interligando os pontos de interesse, enumerados, guiando o trajeto e facilitando a interpretação de cada ponto, que tem atrativos específicos.

De acordo com o Plano Interpretativo do Parque, a trilha vai abordar os subtemas “banco de Abrolhos” e “biodiversidade marinha”, utilizando para isso o condutor como principal recurso para realizar a interpretação. Tanto na apresentação inicial do ponto quanto na condução do mergulho ou na abordagem após o mesmo, com potencial de uso de outros recursos de apoio, como cartelaria em PCV e banners ilustrativos.

Janela do coração

A trilha abrange um complexo com cerca de 16 chapeirões e outras formações recifais de variados tamanhos e formas, percorrendo ambientes como bancos de algas e gramas marinhas. Seu fundo de areia branca propicia melhor visibilidade, mesmo em situações de contatos eventuais com o fundo. Devido às condições próprias desse ponto, o mergulho noturno poderá ser feito com a segurança necessária para o ambiente e as pessoas.

Entre os chapeirões, a trilha inclui pontos de destaque, como a “Janela do Coração”, um conjunto desses "cogumelos gigantes" em formato de coração. O local é ideal para fotos e pequenas passagens que garantem uma experiência única aos mergulhadores, principalmente os de primeira viagem.

Anêmonas-gigantes

Outro destaque da trilha é a presença expressiva de anêmonas-gigantes (Condylactis gigantea), espécie marinha atualmente classificada como” em perigo de extinção”. As anêmonas parecem flores, mas, na verdade, são animais de corpo mole que ficam grudados na superfície das rochas no fundo do mar. Suas pétalas são como braços, chamados de tentátulos. Junto com as anêmonas, estão diversos camarões-palhaço, sendo em sua maioria camarões limpadores, animais que retiram parasitas de peixes que, em geral, procuram "estação de limpeza".

O ponto abriga ainda esponjas de diferentes cores, formatos e tamanhos. Também chama a atenção, durante o mergulho noturno, a quantidade expressiva do gorgonocéfalo ou estrela-de-cesto, animal da família das estrelas-do-mar, e ouriços que, de "braços" estendidos à noite, podem atingir até um metro de comprimento.

Em relação aos peixes, além dos normalmente encontrados nos recifes de coral, como os peixes-cofre, moreias, entre outros, há ainda grandes arraias, cardumes de enxadas, xaréus, guarajubas e arabaianas.

“Com a trilha subaquática esperamos potencializar a noção dos visitantes sobre a diversidade de ambientes marinhos, o conhecimento sobre a fauna e flora únicos, em especial, os chapeirões. Nossa intenção é estimular uma mudança de atitude das pessoas perante a natureza marinha”, diz o chefe do parque, o analista ambiental Fernando Repinaldo Filho.

Atualmente, os mergulhos noturnos em Abrolhos são restritos aos pontos próximos à ilha Santa Bárbara, uma das que formam o arquipélago. “Esperamos que o público aproveite essa experiência fantástica e que consigamos ressaltar ainda mais as belezas naturais de Abrolhos e a importância de sua conservação, assim como o valor das unidades de conservação, de modo que as pessoas se inspirem e passem a preservar os oceanos e a vida marinha”, afirma.

Fonte: MMA


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