Ainda na contramão: ministério acredita nos leilões de térmicas a gás e carvão

Algumas usinas devem começar a operar em 2025, com vida útil de 30 anos
Matheus Muratori - redacao@souecologico.com
Energia
Publicado em: 06/02/2020

Dois dos próximos leilões de eletricidade, A-4 e A-5, marcados para 30 de abril, estão sendo dirigidos para a compra de energia de térmicas fósseis, com destaque para as que queimam carvão, na contramão da causa ambiental. O Ministério de Minas e Energia (MME) oficializou a nova sistemática em 28 de janeiro e repercutiu a ideia, com otimismo.

“Estamos confiantes de que haja, sim, essa declaração de demanda, porque é uma declaração para repor contratos que hoje fazem parte do portfólio dessas distribuidoras. É montante de reposição”, disse Marisete Pereira, secretária-executiva do MME, ao Valor.

Segundo a epbr, foram cadastrados 87 projetos (alguns nos dois leilões), totalizando 36 GW no primeiro leilão (A-4) e 43 GW no segundo (A-5). Chamam a atenção os 12 projetos de térmicas a carvão no Sul do Brasil, em um momento em que se está muito perto de inviabilizar a meta climática de 1,5°C de aumento de temperatura global

Domínio público
(Foto: Domínio público)

Diante disso, por meio do Ministério de Minas e Energia, foi publicada uma portaria especial para estes dois leilões. Haverá uma classe nova de geração de eletricidade, a de “Produto Disponibilidade Termelétrica”; o termo sugere a seleção de térmicas fósseis aptas a gerar sob demanda, mas nada foi detalhado ainda.

A possibilidade de negociação de térmicas a carvão, mais poluentes, vai na contramão de movimentos globais pela substituição do combustível por gás e renováveis. “O futuro é bio, é petróleo, é gás, é nuclear, é vento e solar, é carvão. É diversificação”, defendeu o ministro Bento Albuquerque, ainda em janeiro.


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