Amazônia: floresta secundária tem pouca diversidade e cresce lentamente

Trabalho, publicado pela revista Ecology em dezembro de 2019, analisou o terreno brasileiro por cerca de 20 anos
Matheus Muratori - redacao@souecologico.com
Meio Ambiente
Publicado em: 31/01/2020

Um estudo realizado pela revista Ecology e divulgado em dezembro de 2019 mostrou que a chamada floresta secundária da Amazônia tem pouca diversidade e crescido de forma lenta. Os pesquisadores que desenvolveram o artigo ficaram no território brasileiro por cerca de 20 anos para chegar às conclusões.

A floresta secundária é aquela que rebrota após uma área ser desmatada e abandonada. Pesquisadores brasileiros e ingleses que participaram do estudo projetaram que, após 60 anos, a floresta secundária da Amazônia contém apenas 40% do carbono que existia na floresta original e pouco mais da metade da diversidade de espécies de árvores.

Estudo foi realizado por pesquisadores ingleses e brasileiros (Foto: WWF-Brasil)
Estudo foi realizado por pesquisadores ingleses e brasileiros (Foto: WWF-Brasil)

De acordo com os cientistas, esse crescimento mais lento se deve ao fato da região ter passado por períodos de seca mais longos e mais agudos, por conta, principalmente, do fenômeno El Niño. Ele altera o clima regional e global, mudando os padrões de vento a nível mundial, afetando assim os regimes de chuva em regiões tropicais e de latitudes médias.

O resultado é importante porque determina a taxa de remoção de carbono da atmosfera durante o crescimento da vegetação. A perda da floresta primária, priva a região da variedade de sementes existente, fazendo com que a secundária cresça muito mais pobre.

O biólogo Fernando Elias, que fez parte do estudo, analisou o resultado. “Considerado o cenário atual da Amazônia, com desmatamento aumentando, e considerando que os eventos de seca severa estão cada vez mais frequentes, nós podemos inferir que as florestas da Amazônia inteira poderão ter esse tipo de comportamento a médio ou longo prazo”.


Postar comentário