Aumenta população de onças-pintadas na região de Iguaçu

Apesar do avanço, espécie segue ameaçada de extinção e caça ilegal continua como principal ameaça da espécie no Brasil
Da Redação / Ecológico - redacao@souecologico.com
Meio Ambiente
Publicado em: 24/12/2019

Desenvolvido em um momento crítico e incerto para o futuro do maior felino selvagem das Américas, o censo populacional da região do Iguaçu (Parque Nacional do Iguaçu, Brasil, e Parque Nacional Iguazú, Argentina) divulgado hoje no dia internacional da onça-pintada aponta crescimento de indivíduos na região entre 2016 e 2019. O total estimado de onças-pintadas está entre 84 e 125. Em 2014 eram entre 51 e 84 e em 2016,entre 71 e 107 animais na região.

No lado brasileiro, em 1994 no primeiro censo populacional a estimativa era de 65 onças. Porém, com a caça ilegal este número caiu para apenas nove em 2009. E desde então vem se recuperando. Em 2010 e 2013, 15 onças, em 2014, 20 animais. Em 2016 foram registrados 22 e agora em 2019 foram 28.

O aumento populacional é o resultado direto da cooperação internacional entre o WWF-Brasil, Fundación Vida Silvestre Argentina (FVSA), Parque Nacional do Iguaçu, Parque Nacional Iguazú, Projeto Onças do Iguaçu (Instituto Pró-carnívoros), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). “Nosso trabalho de conservação vai além do monitoramento. Atuamos na conscientização de moradores vizinhos ao parque para a redução das principais ameaças à vida silvestre que são a caça, perda de habitat e os atropelamentos. Apesar do aumento, a área ainda comporta muitos outros animais”, diz Felipe Feliciani, analista de conservação do WWF-Brasil.

Michel Gunther / WWF
Michel Gunther / WWF

O levantamento foi realizado com o auxílio de 80 câmeras instaladas em mais de 40 locais estratégicos em ambos os Parques Nacionais, e mobilizou dezenas de pessoas entre brasileiros e argentinos. “As manchas da onça-pintada são únicas, então é possível individualizar os animais e contabilizar, é como se estivéssemos tirando as impressões digitais. Além disso, a onça-pintada é uma excelente nadadora e pode cruzar a fronteira a nado diversas vezes em um mesmo dia. A fronteira é uma convenção dos homens, para a natureza a floresta é a mesma e por isso essa cooperação internacional de conservação e estudos é fundamental para a sobrevivência da espécie”, afirma Feliciani.

A conservação da onça-pintada vai muito além da proteção uma única espécie. A conservação bem-sucedida dessa espécie é fundamental e mantém florestas, estoques de carbono, biodiversidade, disponibilidade hídrica e patrimônio nacional e cultural. Esses esforços não apenas protegem toda a vida selvagem em toda a paisagem da onça-pintada, mas ajudam a diversificar as oportunidades econômicas das comunidades locais e contribuem para a mitigação e adaptação das mudanças climáticas globais.

Risco de extinção

Restam aproximadamente 300 onças-pintadas na Mata-Atlântica, o que representa risco iminente de desaparecimento do maior felino das Américas em áreas de Mata Atlântica. O felino está presente em quase todos os biomas brasileiros, não sendo encontrado apenas nos Pampas, onde já foi extinto.

As maiores concentrações populacionais estão na Amazônia e Pantanal, mas isso não quer dizer que o animal está a salvo. Recentemente foram descobertos verdadeiros grupos de extermínio de onças atuando nestes biomas. Um dos grupos teria matado mais de 1.000 onças na Amazônia. Além disso, as recentes queimadas nessas regiões têm afetado diretamente a biodiversidade local e a qualidade dos ecossistemas.

O atual cenário preocupa especialistas, segundo a Aliança Onça-Pintada (rede colaborativa de instituições criada em 2014 para ampliar ações de pesquisa e conservação da espécie na Amazônia brasileira), o número estimado de onças-pintadas afetadas pelas recentes queimadas em todo o bioma amazônico varia entre 400 e 1500 indivíduos. Essas estimativas consideram o número médio de 2,5 a 5 indivíduos a cada 100km2 de área na Amazônia.

No Pantanal, as queimadas atingiram o refúgio Caiman, considerado um refúgio de onças-pintadas no Brasil. No total, a fazenda que registra 146 onças, tem 52 mil hectares, dos quais 40 mil foram destruídos. As onças monitoradas conseguiram escapar, mas podem ter dificuldades para se alimentar já que outros animais, como tatus, cobras e tamanduás foram encontrados carbonizados. Grandes aves pantaneiras, como o tuiuiú, também sofrem com a falta de alimentos.

Na Amazônia, se as queimadas atingissem áreas protegidas como as reservas de desenvolvimento sustentável Mamirauá e Amanã, onde estudos apontam uma densidade de cerca de 10 animais por 100km2, as perdas seriam bem maiores.

A perda de abrigo e de hábitat é apenas o efeito imediato após a passagem do fogo. A quebra do equilíbrio da floresta afeta plantas e inúmeras espécies de animais. A frutificação das plantas é alterada, havendo menos disponibilidade de alimentos em longo prazo para os mamíferos menores, como queixadas, caititus, veados, cutias, preguiças e macacos. Essas são presas naturais da onça-pintada, que acaba sendo também afetada por este efeito por estar no topo da cadeia alimentar.

Fonte: WWF-Brasil


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