Aumento da contaminação do solo ameaça segurança alimentar

Milhares de produtos químicos, resíduos plásticos e eletrônicos podem se converter em fontes de poluição
Recursos naturais
Publicado em: 12/12/2018

É necessário adotar medidas urgentes para abordar a contaminação do solo e conter as múltiplas ameaças que isso representa para a segurança alimentar global. O alerta foi feito pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), durante a celebração do Dia Mundial do Solo, em 5 de dezembro.

Milhares de produtos químicos – produzidos comercialmente em grande escala –, resíduos plásticos e eletrônicos ou águas residuais não tratadas podem se converter em fontes de contaminação do solo, abrindo espaço para que os produtos contaminantes entrem na cadeia alimentar, com graves consequências à saúde e ao bem-estar da população.

“Cerca de 33% de todos os solos estão degradados e se deteriorando em ritmo alarmante”, alertou a diretora-geral-adjunta da FAO, Maria Helena Semedo, na cerimônia do Dia Mundial do Solo, celebrada na sede do organismo da ONU, em Roma, na Itália.

O solo atua como um filtro para os contaminantes. Mas quando sua capacidade amortecedora é superada, os contaminantes podem chegar ao meio ambiente e à cadeia alimentar. Isso prejudica a segurança alimentar ao fazer com que o consumo de cultivos represente um risco.

Maria Helena Semedo fez um pedido para que países aumentem de forma significativa o investimento em solos saudáveis, destacando que manter solos saudáveis ajuda a garantir alimentos inócuos e nutritivos e é essencial para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a Fome Zero.

Pesticidas

Este ano, o tema do Dia Mundial do Solo é “Seja a solução para a contaminação do solo”, e a FAO forneceu uma série de recomendações sobre como reduzir a contaminação em nível estadual, industrial e particular.

Um exemplo é ampliar o volume de lixo que reciclado nas cidades. À medida que o progresso tecnológico é acelerado, os dejetos eletrônicos são considerados uma nova ameaça emergente para os solos. A cada ano, são geradas 50 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos. A FAO recomenda doação ou reciclagem dos aparelhos velhos.

Embora os produtos agroquímicos possam ajudar a satisfazer a crescente demanda mundial de alimentos, eles também degradam agroecossistemas e deixam um legado de contaminação do solo.

Quase 60% dos melhores solos agrícolas em 11 países europeus contêm resíduos de diversos pesticidas persistentes. Atualmente, metade desses pesticidas é ilegal. A FAO atua em diferentes frentes para incentivar governos a promover a gestão responsável e sustentável dos produtos químicos usados na agricultura.

Prêmio Mundial

Durante cerimônia realizada em Roma, foi entregue ainda o Prêmio Mundial do Solo “Glinka” 2018 ao professor Rattan Lal, da Universidade Estadual de Ohio (EUA) e presidente da União Internacional de Ciências do Solo (IUSS) por sua destacada contribuição à gestão sustentável do solo. Lal foi incluído na lista dos cientistas mais influentes do mundo em 2012. Seu trabalho científico contribuiu de forma notável para a restauração do carbono orgânico do solo.

O Prêmio Mundial do Solo “Glinka” – que leva o nome do pioneiro cientista russo Konstantin D. Glinka – foi criado pela Aliança Mundial para o Solo, com apoio da Rússia em 2016 e honra pessoas e organizações cujas lideranças e atividades contribuíram na promoção de gestão sustentável do solo e na proteção de seus recursos.

Fonte: ONU


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