Estudo indica que barragem estava coberta de água antes de se romper

Avaliação contraria fotos apresentadas pela mineradora Vale
Da Redação / redacao@revistaecologico.com.br
Mineração
Publicado em: 10/06/2019

Em estudo apresentado pelo técnico em geoprocessamento Paulo Cesar Masson à CPI da Barragem de Brumadinho, na semana passada, imagens de satélite da área da barragem da Mina do Feijão, de 2012 a 2019, indicaram a presença de água na superfície da estrutura ao longo de todos esses anos. As fotos foram disponibilizadas gratuitamente por várias empresas ao redor do mundo após o rompimento da barragem e vêm de encontro ao que representantes da Vale têm afirmado para os órgãos responsáveis pela investigação da tragédia.

Masson chamou a atenção para dois fatos. O primeiro deles é que, durante todo esse tempo, havia uma superfície de água sobre a barragem, sendo alimentada claramente por canais d’água. O segundo é que foram acrescentadas estruturas a essa realidade, como bombas e mangueiras d’água. “Ou seja, a Vale estava fazendo alguma coisa sobre isso, mas não disse a ninguém o que estava acontecendo, não publicizou os problemas que tentava resolver e, principalmente, não tirou as pessoas do lugar que sabia que era perigoso”, ressaltou o técnico.

O deputado João Vítor Xavier (PSDB) destacou que as imagens destoam das apresentadas pela Vale, que em geral mostram um gramado no mesmo local onde o satélite mostrou água ao longo de vários anos.

No estudo, Masson também utilizou as imagens de satélite cruzadas com dados de georreferenciamento do último censo rural do IBGE, em 2017, para apontar as construções e áreas de plantio da região atingida. Foram, de acordo com ele, 143 construções, 51 delas da Vale, e 113 áreas de cultivo que somam 250 mil metros quadrados de área.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A presença da água é uma informação importante porque as investigações têm apontado que o rompimento da barragem se deu em função de um processo de liquefação dos rejeitos. Especialista em construção de barragens, Paulo Teixeira da Cruz explicou, durante a reunião na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que liquefação é um processo inesperado e que não pode ser monitorado – para evitar problemas, a prevenção é o melhor caminho.

A audiência pública em que o estudo foi apresentado destinava-se originalmente a ouvir o depoimento de Fábio Schvarstman, presidente da Vale no momento do rompimento da barragem. Porém, sob a proteção de um habeas corpus, concedido pelo Tribunal de Justiça, ele não compareceu. A deputada Beatriz Cerqueira (PT) registrou seu repúdio à recusa do ex-presidente da empresa, que ela qualificou como “descaso” com as quase 300 vidas perdidas na tragédia. Os familiares de pessoas mortas ou desaparecidas por causa do rompimento da barragem acompanharam a reunião e também repudiaram a ausência de Schvarstman.


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