Barragem da Vale se rompe em Brumadinho

Bombeiros buscam cerca de 150 desaparecidos; 7 mortes foram confirmadas
Da Redação / Ecológico – redacao@revistaecologico.com.br
Mineração
Publicado em: 25/01/2019

Barragem de rejeito da Vale se rompeu no início da tarde desta sexta-feira (25/01) em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG). A lama atingiu a área administrativa da empresa e parte da comunidade da Vila Ferteco.

Em entrevista coletiva, o presidente da mineradora, Fabio Schvartsman, falou em uma tragédia humana maior que a de Mariana - onde, em 2015, 19 pessoas morreram após o rompimento da Barragem de Fundão, da Samarco.

"Desta vez é uma tragédia humana. Porque estamos falando de uma quantidade grande de vítimas. Possivelmente, o dano ambiental é menor", disse Fábio Schvartsman.

Equipes de resgate e de segurança pública estão mobilizadas. Pelo menos nove feridos foram resgatados nas primeiras horas. Eles foram atendidos no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. Os bombeiros trabalham com a possibilidade de 150 ainda estarem desaparecidas. Sete corpos foram localizados.

Segundo a Defesa Civil de Brumadinho, o rompimento atingiu diretamente as localidades de Córrego do Feijão e de Alberto Flores, que dão acesso ao centro da cidade. Municípios vizinhos, como Mário Campos, São Joaquim de Bicas, Betim, Juatuba e Florestal emitiram alerta à população.

Alerta divulgado pela prefeitura de Paraopeba
Alerta divulgado pela prefeitura de Paraopeba

Várias autoridades se dirigiram ao local da tragédia. No início da noite, chegaram a Brumadinho o governador Romeu Zema (Novo), acompanhado do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Um gabinete de crise foi montado em uma faculdade de Brumadinho e será mantido pelos próximos dias. Neste sábado (26/01), a região será sobrevoada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL).

"No momento, a grande medida é ver sobreviventes e informar as famílias dos atingidos", afirmou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

De acordo com o Corpo de Bombeiros, vazaram cerca de 13 milhões de metros cúbicos de rejeito. A título de comparação, a estrutura rompida em Mariana, em novembro de 2015, represava aproximadamente 55 milhões de metros cúbicos. O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, confirmou o colapso da estrutura da Mina Córrego do Feijão.

Schvartsman disse aos jornalistas que uma segunda barragem localizada abaixo da primeira não se rompeu, mas transbordou. Segundo ele, a estrutura que estourou estava inativa e sem receber rejeitos há três anos. Sobre o risco de contaminação pela lama, ressaltou que as chances são pequenas.

Abastecimento de água

A Agência Nacional de Águas (ANA) comunicou que está monitorando a onda de rejeito e coordena ações para manutenção do abastecimento de água e sua qualidade para as cidades que captam água ao longo do Rio Paraopeba.

Segundo a ANA, a onda de rejeito poderá ser amortecida pela Usina Hidrelétrica Retiro Baixo, que está a 220 km do local do rompimento. A estimativa do órgão é que a lama atinja a usina em dois dias.

Para a Região Metropolitana de Belo Horizonte não há, segundo a Copasa, risco de desabastecimento. A companhia informou que suspendeu o uso da água do rio Paraopeba. A captação está concentrada nas represas do Rio Manso, Serra Azul, Várzea das Flores e pela captação a fio d’água do Rio das Velhas.

Atendimento às vítimas e doações

Para prestar assistência às vítimas, foi criado pela mineradora um Comitê de Ajuda Humanitária, com equipe formada por assistentes sociais e psicólogos. A empresa disse que está providenciando hospedagem aos atingidos e familiares.

A Arquidiocese de Belo Horizonte iniciou uma campanha para arrecadar donativos. Serão arrecadados itens como roupas, alimentos e água.

As doações recolhidas pela arquidiocese podem ser entregues na Rua Além Paraíba, 208, na Lagoinha, em Belo Horizonte.

(Última atualização: 22h06)


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O caso de Mariana: Memória e esperança


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