Bioplástico, oxidegradável e biodegradável

Entenda qual é a diferença entre esses diferentes tipos de plástico
Reciclagem
Publicado em: 17/09/2018

Muito se fala sobre os diferentes tipos de embalagens e sua reciclagem, mas nem sempre a sua denominação é clara. Isso causa dúvidas no consumidor tanto na hora de comprar um produto quanto no momento de fazer o seu descarte.

Dois desses conceitos envolvem diretamente a reciclagem: os termos reciclável e reciclado. O primeiro indica que um produto foi fabricado com um material plástico que, após cumprir sua finalidade inicial, pode passar por um novo processo de transformação. E, assim, originar novos produtos. Já reciclado indica que o produto foi fabricado com matéria-prima recuperada.

Mas as dúvidas não param por aí. A discussão sobre o consumo de determinados plásticos também gera confusão. Os convencionais são de origem fóssil (derivados do petróleo). Hoje, cerca de 4% da produção mundial de petróleo se destina à indústria do plástico.

Esse tipo de plástico pode ser reciclado, ou seja, depois de sua primeira aplicação ele pode voltar para a indústria e se transformar em um outro produto, atendendo os segmentos de construção civil, automotivo, mobiliário, embalagens para produtos de limpeza, bebidas, etc.

Já o bioplástico tem as mesmas propriedades do plástico convencional, mas se difere por ter como matéria-prima fontes renováveis: soja, amido de arroz, milho e de cana- de- açúcar. Embora sua fonte seja de origem renovável, não necessariamente o bioplástico será biodegradável, embora seja possível reciclá-lo.

O plástico biodegradável é aquele que ao término de seu ciclo de vida sofre processo de compostagem em até 180 dias, pela ação de microrganismos e sob condições específicas de calor, umidade, luz, oxigênio e nutrientes orgânicos. Em geral, esse produto deriva de fontes vegetais, como celulose, amido, etc.

E o oxidegradável tem sido comercializado em muitos países com o apelo de proporcionar a biodegradação, o que não é verdade, conforme alerta o atual relatório da Nova Economia do Plástico, da Fundação Ellen MacArthur (https://bit.ly/2GU7zqg).

Mais poluição

O estudo alerta que os plásticos que recebem aditivos oxidegradáveis para acelerar seu processo de degradação não se degradam em resíduos inofensivos. Pelo contrário, como se fragmentam em pequenos pedaços contribuem para a poluição microplástica, tornando-se um risco para oceanos e outros ecossistemas.

“Além disso, esses materiais não são adequados para a reutilização efetiva a longo prazo, reciclagem em escala ou compostagem, o que significa que não podem fazer parte de uma economia circular”, ressalta Rob Opsomer, da Fundação Ellen MacArthur.

Com o intuito de evitar o risco ambiental em larga escala, a Fundação Ellen MacArthur elaborou um documento em que propõe a proibição de aditivos oxidegradáveis em embalagens e produtos plásticos em todo o mundo. A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) foi a única representante da indústria brasileira a endossar o documento, assinado por mais de 150 organizações de todo o planeta, incluindo empresas líderes, associações industriais, ONGs, cientistas e integrantes do Parlamento Europeu.

Solução eficaz

Desde 2015, a Abiplast não recomenda o uso de materiais plásticos aditivados com pró-degradantes. A entidade defende que a solução eficaz para o tratamento dos resíduos pós-consumo está na educação ambiental da população, no consumo consciente, na produção responsável e no descarte adequado das embalagens – o que faz com que os resíduos plásticos retornem à indústria de transformação e se transformem novos produtos plásticos.

Além disso, por acreditar que toda a cadeia do plástico tem responsabilidade nesse processo, a entidade promoveu a criação da Rede Empresarial de Cooperação para o Plástico. Ela engaja as principais empresas representantes da cadeia produtiva do setor, reunidas pelo desafio de viabilizar a economia circular e, em última instância, evitar que o plástico vá parar no meio ambiente.

A versatilidade do plástico, tanto do ponto de vista do uso quanto pela diversidade de matérias-primas, possibilita sua total adaptação aos preceitos da Economia Circular. Para isso é fundamental que se trabalhe a viabilidade econômica dessas matérias-primas, principalmente dos materiais reciclados.

Atenta a essa necessidade, a Abiplast promove o debate e a divulgação da importância da produção e do consumo conscientes, da reutilização de embalagens e produtos e também do descarte correto - para que esses sejam sempre destinados à reciclagem, retornando à cadeia produtiva e otimizando o uso recursos naturais, bem como a eficiência energética.


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