Bolsonaro defende preservação ambiental em Davos

Discurso diverge de declarações anteriores
Da Redação / Ecológico – redacao@revistaecologico.com.br
Política
Publicado em: 23/01/2019

Se alguém perguntar qual a posição do presidente Jair Bolsonaro sobre as políticas de preservação ambiental no Brasil, antes de responder é melhor entender exatamente a que período essa dúvida se refere. Dos tempos da campanha eleitoral aos primeiros atos no poder, o discurso tem mudado. A última declaração feita em Davos, na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial, pode ser considerada mais equilibrada.

No discurso de seis minutos que fez na abertura do evento, nessa terça-feira (22/01), ele falou em manter a sintonia entre o desenvolvimento econômico e a preservação do meio ambiente. “Nossa missão agora é avançar na compatibilização entre preservação do meio ambiente e da biodiversidade com o necessário desenvolvimento econômico. Lembrando que são interdependentes e indissociáveis. Os setores que nos criticam têm na verdade muito que aprender conosco.”

Na campanha eleitoral, com o argumento de defender a soberania do país, Bolsonaro sinalizou outro caminho. Chegou inclusive a afirmar que poderia retirar o Brasil do Acordo de Paris. Sobre esse ponto, aliás, está inclinado, por ora, a fazer o oposto. Também no Fórum Econômico, segundo o jornal Folha de S. Paulo, em encontro com executivos de multinacionais, disse que o Brasil não vai deixar o tratado de combate às mudanças climáticas. Teria feito, porém, a ressalva de que espera contrapartidas por avanços promovidos pelo país na preservação ambiental.

Planeta e economia saudáveis

A inclinação em ora afrouxar as políticas de preservação ambiental e ora fortalecê-las tem raizes econômicas. É nesse sentido que o impacto da degradação ambiental tem sido abordado em Davos. Nesta quarta-feira (23/01), um dos painéis do Fórum Econômico Mundial se propõe a discutir como a natureza fornece as bases para o crescimento econômico, o bem-estar social e a saúde humana.

Cálculo apresentado no evento avalia que os serviços prestados pela natureza sejam da ordem de 125 trilhões de dólares ao ano. Mas, apesar disso, a destruição do meio ambiente cresce a passos largos. Em uma apresentação aos participantes (vídeo abaixo), foi dito que 60% das populações de animais selvagens desde 1970 foram dizimados. E mais, os cientistas alertaram que temos apenas 12 anos para evitar uma catástrofe climática. É um prejuízo inestimável.


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