Brasil amplia área agrícola sustentável

Desde 2010, o país expandiu sua área de plantio em 27 milhões de hectares
Agricultura
Publicado em: 14/12/2018

Nos últimos oito anos, o Brasil ampliou em 27 milhões de hectares a área destinada a práticas agrícolas sustentáveis e que emitem menos gases de efeito estufa. A área equivale à extensão territorial da Nova Zelândia e contribuiu para que o Brasil atingisse 80% do seu compromisso voluntário de redução de emissões de carbono na área da agricultura.

A informação foi dada pelo engenheiro agrônomo Sidney Medeiros, que integra a delegação brasileira do Ministério da Agricultura na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 24). O evento está sendo realizado em Katowice, na Polônia, desde o último dia 3.

Segundo Medeiros, o aumento da área sustentável ocorreu a partir de 2010, quando foi lançado o programa “Agricultura de Baixo Carbono” (ABC), que corresponde a uma das ações de incentivo ao produtor rural para a adoção de práticas de produção combinadas à preservação ambiental ou recuperação do solo degradado.

Por meio do programa ABC, os proprietários rurais têm acesso a uma linha de crédito específica para iniciativas de plantio sustentável e adaptação a efeitos das mudanças climáticas. Desde 2010, o programa já liberou cerca de US$ 4,4 bilhões. Para este ano, foram disponibilizados US$ 2 bilhões e mais da metade já foi captada pelos produtores.

“Os produtores fizeram empréstimos de 4,4 bilhões de dólares para a adoção de tecnologias climaticamente inteligentes, boa parte delas destinadas à recuperação de pastagens degradadas; integração lavoura-pecuária-florestas; sistema de plantio direto; plantio de florestas comerciais; fixação biológica de nitrogênio e tratamento de dejetos e resíduos da produção animal”, explicou.

Alimentação

Medeiros esclareceu que para viabilizar a produção de baixo carbono os produtores também têm acesso a outras fontes de recursos, inclusive internacionais, ou investem recursos próprios, como ocorre com mais frequência na pecuária, que é menos dependente de crédito do que a agricultura.

A agropecuária brasileira ocupa 30% do território nacional e é responsável hoje pela alimentação de mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. O setor é um dos principais responsáveis pela maior parte das emissões de carbono do país.

O engenheiro ressaltou ainda que a política de crédito incentiva a diminuição da pressão do setor sobre o remanescente de florestas nativas no país e estimula o plantio de florestas comerciais em áreas degradadas.

Os recursos dos programas de créditos também podem ser usados pelos produtores para quitar passivos ambientais das propriedades, já que a legislação ambiental brasileira obriga que as propriedades privadas mantenham uma parte com vegetação nativa. Até 2030, o Brasil deve replantar pelo menos 12 milhões de hectares de vegetação nativa, conforme meta prevista no âmbito do Acordo de Paris.

Fonte: Agência Brasil


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