Casa Fiat de Cultura inaugura presépio colaborativo

Com curadoria do artista plástico Leo Piló, versão 2019 relembra materiais recicláveis utilizados nas edições anteriores e apresenta o Presépio do Futuro, construído com bambu
Da Redação / Ecológico - redacao@souecologico.com
Meio Ambiente
Publicado em: 28/11/2019

Nesta quinta-feira, 28, será inaugurado o tradicional Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura 2019, construído coletivamente a partir de materiais reaproveitáveis. A edição comemorativa de cinco anos da iniciativa vai apresentar ao público não apenas uma, mas seis cenografias natalinas sustentáveis, feitas com plástico, papel, papelão, tetrapak, madeira e bambu. A inauguração vai ocorrer às 19h, no hall de entrada da Casa Fiat, e será marcada por uma programação especial e gratuita. Além de um bate-papo com o curador do presépio, o artista plástico Leo Piló, a abertura trará uma apresentação da Cantata de Natal com o Coral Árvore da Vida. A versão 2019 marca a tradição da Casa Fiat de Cultura, que criou o primeiro Presépio Colaborativo do Circuito Liberdade, em 2015, e, desde então, vem apresentando temas inovadores a partir de uma perspectiva sustentável.

“No mais puro espírito do Natal, muitas mãos se uniram em um mutirão cheio de criatividade, dedicação e cooperação para criar a quinta edição do nosso já consagrado Presépio Colaborativo. Uma obra de criação coletiva, com o olhar singular do artista Leo Piló, que se reinventa todos os anos, sem jamais perder a sua essência. Celebramos este ano com um resgate de cada uma das edições já realizadas. Os materiais de referência voltam com novos cenários dedicados às suas potencialidades estéticas, mas sem se descuidar da busca pelo inédito”, define o presidente da Casa Fiat de Cultura Fernão Silveira.

O ineditismo deste ano é representado, sobretudo pelo uso do bambu na cenografia que indica projeções futuras, exatamente por este material ser altamente sustentável. À frente da concepção artística do presépio, desde a primeira edição, Leo Piló lembra que o bambu é uma matéria-prima natural com grande potencial renovável e um custo-benefício melhor do que a madeira e dispensa a necessidade de replantio. “Por ser, ainda, flexível, versátil, leve e ter desperdício mínimo, o bambu foi escolhido para dar forma à versão deste ano, chamada de Presépio do Futuro”, conclui o artista plástico.

Foto: Beatriz Starling
Foto: Beatriz Starling

Além da sustentabilidade, outro aspecto marcante do presépio da Casa Fiat é a coletividade. O público contribuiu ativamente na produção de peças e estruturas ao participarem das oficinas criativas. Realizadas entre os meses de outubro e novembro, as atividades foram coordenadas por Leo Piló, que supervisionou o trabalho dos voluntários na confecção das mais de cinco mil peças que compõem as seis cenografias natalinas. Cerca de 250 pessoas participaram dos 50 encontros da fase de criação.

Grande parte dos materiais utilizados na confecção das peças das instalações foi cedida pela Ilha Ecológica da Fiat, área de triagem e armazenamento de resíduos sólidos que funciona dentro da fábrica da Fiat, em Betim. Entre os materiais disponibilizados pela Ilha Ecológica estão tambores, pallets e fitas de arquear de plástico e de metal, além de amostras variadas de plásticos coloridos. Outros materiais como bambu, caixinhas de tetrapak, papel e papelão, por exemplo, foram doados pelos participantes das oficinas criativas.

As dimensões e os aspectos definidos pelo curador Leo Piló espelham as múltiplas funções dos materiais escolhidos, promovem a reflexão sobre o descarte e a coleta seletiva de materiais, ao mesmo tempo que buscam oferecer um novo olhar a objetos comuns e, muitas vezes, banalizados. As instalações natalinas reverenciam: o bambu, o tetrapak, o papel, o papelão, o plástico e a madeira. A ambientação das instalações conta com composições do álbum “3 Brasis”, fruto do encontro musical entre o Chico Lobo (viola caipira), Márcio Malard (violoncelo) e Paulo Sérgio (clarinete).

Cada um dos seis núcleos dos Presépios Colaborativos da Casa Fiat de Cultura faz referência a um material reciclável associado a uma cor e uma palavra. Ao bambu estão relacionadas a palavra esperança e a tonalidade abstrata da luz enquanto o tetrapak traz a fé e a cor prata como referências. Ao papel, a palavra em evidência é a paz e o branco é a coloração predominante. No caso do papelão, a família é a palavra de destaque e a cor craft foi definida para dar vida à instalação. Para o plástico a cor dominante é a vermelha e a reflexão proposta gira em torno do significado de caridade. Por fim, a madeira foi trabalhada em seu tom natural (cor crua) e a humanidade é o tema enfatizado na cenografia.

O Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura poderá visto até 05 de janeiro de 2020, com entrada gratuita. Os horários de visitação são: de terça a sexta, das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h. Durante a visita, o público poderá tocar algumas das peças criadas para os presépios, reconhecendo texturas e tirando dúvidas sobre as técnicas empregadas no processo criativo. “Nesse espaço interativa, esperamos contar com a interação dos visitantes, que serão convidados a registrar seus desejos para o ano de 2020, afixando palavras às estrelas feitas de tetrapak e expostas nas cenografias”, explica Clarita Gonzaga, coordenadora do Programa Educativo da Casa Fiat de Cultura.

Outra ação proposta pelo Programa Educativo é o Ateliê Aberto: Pop-Up de Natal. No período de 11 a 22 de dezembro, os visitantes da Casa Fiat serão convidados a confeccionarem cartões natalinos tendo como inspiração os próprios presépios. A participação no ateliê é livre (sujeita a lotação do espaço) e pode correr em três horários: às 10h30, às 14h e às 16h, sempre de quarta a domingo.

O Presépio Colaborativo é uma realização da Casa Fiat de Cultura e do Ministério da Cidadania, com o patrocínio da Fiat Chrysler Automóveis (FCA) e do Banco Fidis. A iniciativa conta com o apoio da Ilha Ecológica da Fiat, da Asmare, do Circuito Liberdade, do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico (Iepha), do Governo de Minas e do Governo Federal.

Seis núcleos natalinos

Bambu > esperança > luz

De talheres a construções. As múltiplas possibilidades de uso do bambu combinadas ao seu potencial sustentável o transformam em uma referência do reaproveitamento de materiais recicláveis. Disponível em abundância na natureza, o bambu protege outras árvores, não compromete o meio ambiente, tem desperdício mínimo, é altamente maleável e dispensa tratamentos químicos. Na visão da curadoria, o bambu exprime o bem, o futuro sem ameaças, o eterno. A versatilidade do bambu remete à esperança e a tonalidade atribuída a ele é a luz. O seu tom abstrato e a sua indefinição de coloração remetem ao futuro e não se assemelham a qualquer outra cor presente nas demais cinco cenografias dos presépios colaborativos da Casa Fiat de Cultura. A instalação feita com o bambu remete ao estilo gótico da Cathédrale Notre-Dame de Paris (Catedral de Nossa Senhora de Paris), conectando sentimentos como amor e proteção a elementos presentes na natureza.

Tetrapak > fé > cor prata

Os tetrapaks garantem a conservação de diversos tipos de bebidas, como leite, sucos e achocolatados. As embalagens longa vida, como são conhecidos, são fabricadas com três principais tipos de componentes: o papel (estrutura), o polietileno (impermeabilidade) e o alumínio (barreira contra a luz e o oxigênio). O consumo dos produtos envasados com tetrapak faz parte do dia a dia de grande parte das pessoas. Confeccionar um presépio com base nesse material tem a proposta de possibilitar um novo olhar sobre o seu uso e a sua destinação. Na instalação, a tecnologia inovadora presente no tetrapak inspira uma cena futurista que ilustra a Sagrada Família, símbolo de fé. A cor prata escolhida para esta instalação remete à espacialidade e às estrelas, em alusão às conquistas humanas atuais e futuras. A estrutura desta cenografia traz a representação de dois Sputniks, em referência ao primeiro satélite artificial a orbitar em torno da Terra. Na narrativa, as esferas metálicas reproduzidas transportaram sagradas famílias de outros planetas para que todos juntos pudessem celebrar o Natal.

Papel > paz> cor branca

Dos materiais escolhidos para a elaboração dos presépios colaborativos, o papel é mais presente na vida do ser humano. As facetas são antagônicas: ao mesmo tempo em que é um suporte nobre para as artes, ele é marcado pela vulgaridade mundana. O papel aceita tudo, já diz o dito popular. O presépio colaborativo inspirado em origamis terá a missão de suavizar essa máxima e chamar a atenção para o uso desse material. A cor branca foi escolhida para representar essa cenografia devido ao aspecto mais comum de apresentação do papel e com mais valor na cadeia da reciclagem. O branco simboliza respeito, generosidade e, sobretudo, a paz. Para a curadoria é uma bandeira silenciosa que combina leveza com disciplina e organização. O papel branco é, ainda, catalisador de novas ideias e inspira a renovação. O suporte para este núcleo faz alusão aos templos gregos, edificações símbolo da perfeição da arquitetura.

Papelão > família > cor craft

Semelhante ao papel, o papelão tem alto índice de reaproveitamento e valor agregado o que fazem dele um importante aliado na preservação do meio ambiente. Na coleta seletiva, o papelão é bastante procurado, principalmente por corporações especializadas em reciclagem. Grande parte do que é produzido pelas empresas, dos mais variados ramos, é distribuída e comercializada em uma caixa de papelão. O caráter de proteção do papelão remete ao cuidado e ao zelo, assemelhando-se à função primordial das famílias, a do acolhimento. A cor craft mantém a essência e a originalidade do material que, nessa instalação natalina, ganha formato de montanhas. Três sagradas famílias localizadas no topo das elevações estão conectadas entre si, representando uma rede de acolhimento, aconchego, proteção e cuidado mútuo.

Plástico > caridade > cor vermelha

Garrafas pets, brinquedos, sacolas, canudos, utensílios domésticos, bijuterias, componentes eletrônicos. Quando mais variadas as possibilidades de uso do plástico, maior o descarte de objetos. Altamente sintético, o plástico é polímero produzido a partir do petróleo. São tipologias diversas, algumas delas são recicláveis; outras não. Dar visibilidade ao perfil multifacetado do plástico e ao seu efeito nocivo para o meio ambiente é o objetivo dessa instalação. A imagem da Sagrada Família será recriada com a aplicação de pedacinhos de objetos plásticos. A curadoria espera que o público seja seduzido de tal forma a não ter a coragem de descartar o plástico. A palavra associada a esse material é a caridade que se relaciona com o meio ambiente. E, para marcar a dramaticidade presente na sedução desse material, a cor escolhida é a vermelha, em referência ao alerta, ao cuidado, ao perigo. O suporte escolhido para esta cenografia lembra uma penteadeira. Totalmente tomada por um volume exagerado de elementos empilhados, a instalação feita sobre o móvel faz uma crítica à expressão “made in China” tão presente nos produtos comercializados, especialmente aqueles produzidos com plástico.

Madeira > humanidade > tom natural, cor crua

A madeira é um material orgânico que testemunhou grandes triunfos da humanidade e está na base de invenções importantes. As sociedades modernas constituíram-se principalmente devido aos progressos nas áreas da comunicação e dos transportes. Na comunicação, a madeira contribuiu com o advento da prensa móvel, que garantiu a impressão em larga escala de livros e mapas. Nos transportes, esse material foi primordial para a concepção das embarcações que atravessaram oceanos e garantiram a “descoberta” de novas terras. A relação entre o uso da madeira e as civilizações é histórica e, por isso, a humanidade foi a palavra escolhida para representar esse presépio colaborativo. O tom natural, a cor crua, será a referência principal dessa instalação. Na composição, serão empregados objetos que foram úteis um dia e, após destacados, ganharão uma nova funcionalidade. Uma mesa e uma cadeira servem de suporte para a reprodução de uma mastaba, como são chamados os túmulos egípcios. Na base dessa espécie de capela em forma piramidal, estão mais de 300 pequenas casas e outras peças que representam a arte e os ofícios dos homens.

O artista Leo Piló

Mineiro de Belo Horizonte, Leo Piló é um artista inquieto, criativo, simples e dinâmico. Apresenta trabalhos inusitados, feitos de materiais não convencionais, treinando os olhares para novas possibilidades de construção – que revise atitudes e métodos de redução, reciclagem e reutilização – e meios de sustentabilidade. Sempre compartilhando as técnicas desenvolvidas por meio do aprendizado, o artista procura criar um elo entre arte e natureza, promovendo metodologia de reutilização de resíduos urbanos e gerando novas possibilidades inseridas na realidade atual, em termos de cultura, arte, educação, recursos econômicos e outros benefícios.

O lixo se tornou uma especialidade com o trabalho desenvolvido através da reciclagem e dos catadores com o artista Leo Piló que sempre tem como foco a busca de nova consciência ecológica e a pragmaticidade do seu trabalho na sociedade. Durante quase 15 anos, o artista trabalhou na associação ASMARE e ministrou várias oficinas de cenografia, costura, novas possibilidades, papelaria e marcenaria. Um dos grandes destaques de sua carreira foi a exposição Lixoarte, que tinha como objetivo criar, com materiais recicláveis, móveis e objetos para mobiliar uma casa. Em 2014, Leo Piló criou instalações para a exposição “Recosturando Portinari na Casa Fiat de Cultura”, por Ronaldo Fraga, e, desde 2015, é o curador do Presépio da Casa Fiat de Cultura.

Ilha Ecológica da Fiat

Primeira fábrica do setor automotivo do país a conquistar a meta do Aterro Zero, o Polo Automotivo Fiat destina, desde 2011, 100% dos resíduos para reciclagem e reutilização. Todo o resíduo vai para a Ilha Ecológica, localizado dentro da própria fábrica, onde uma equipe treinada faz a gestão dos materiais. Em cinco anos, cerca de 7 mil toneladas de plástico e 9,4 mil toneladas de papel foram encaminhadas para a reciclagem.

Os processos do Polo Automotivo Fiat aliam tecnologia e sustentabilidade e aplicam soluções da indústria 4.0, como realidade virtual e internet das coisas, na otimização dos processos produtivos com resultados para a gestão ambiental. Em três anos, por veículo produzido, a quantidade de resíduo gerado diminuiu 12% e a redução do consumo de energia chegou a 23%.

Somente no ano passado, foram desenvolvidos mais de 900 projetos de redução do consumo de energia, sugeridos por funcionários – número 3 vezes maior do que o alcançado em 2017. Na unidade da Funilaria, entre 2015 e 2018, 175 projetos foram colocados em prática, totalizando uma redução de 31.630 MWh/ano – energia suficiente para abastecer por ano 16.747 residências com quatro moradores. Já em 2019, a meta é a realização de 106 projetos, com redução de mais de 7 mil MWh/ano.

Casa Fiat de Cultura

A Casa Fiat de Cultura tem um importante papel na transformação do cenário cultural brasileiro, ao realizar exposições de prestígio e relevância cultural. A programação incentiva o público a interagir com diversos movimentos artísticos e linguagens, desde a arte clássica até a digital e contemporânea. Mais de 50 mostras já foram expostas na instituição, que já recebeu nomes como Caravaggio, Rodin, Chagall, Tarsila e Portinari. Já são 13 anos de programação diversificada, com música, palestras, residência artística e o Ateliê Aberto – espaço de experimentação artística – e de programas de visitas com abordagem voltada para a valorização do patrimônio cultural e artístico.

A Casa Fiat de Cultura é situada no histórico edifício do Palácio dos Despachos e apresenta, em caráter permanente, o painel de Portinari, Civilização Mineira, de 1959. O espaço integra um dos mais expressivos corredores culturais do país, o Circuito Liberdade, em Belo Horizonte. Mais de 2,5 milhões de pessoas já visitaram suas exposições e 500 mil participaram de suas atividades educativas.

Inauguração do Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura

Bate-papo com o curador Leo Piló e Cantata de Natal com o Coral Árvore da Vida

Entrada gratuita

Data: 28 de novembro (quinta)

Horário: das 19h às 21h

Local: Hall da Casa Fiat de Cultura

Circuito Liberdade

Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – BH/MG

Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura

Horários de visitação, de 29 de novembro a 05 de janeiro: terça a sexta, das 10h às 21h – Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h

Informações

(31) 3289-8900

www.casafiatdecultura.com.br


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