Casa Fiat de Cultura começa a confeccionar a edição especial de cinco anos de seu presépio colaborativo

Com curadoria do artista plástico Leo Piló, versão 2019 relembrará materiais recicláveis utilizados nas quatro edições anteriores e apresentará o Presépio do Futuro, construído à base do bambu
Sustentabilidade
Publicado em: 21/10/2019

A edição comemorativa de cinco anos do tradicional Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura começará a ganhar forma na próxima terça-feira, 22 de outubro. Nesta data, será realizada uma aula inaugural, dando início às oficinas criativas gratuitas. Entre os dias 23 de outubro e 24 novembro, o público é convidado a confeccionar peças que vão compor cenas simbólicas do Natal. As atividades serão supervisionadas pelo artista plástico Leo Piló, que assina a curadoria do presépio e evidencia seu talento em transformar resíduos sólidos urbanos em verdadeiras obras de arte. Na comemoração, os visitantes da Casa Fiat de Cultura serão presenteados com seis cenografias natalinas construídas coletivamente a partir do uso de diferentes materiais reaproveitáveis: plástico, papel, papelão, tetrapak, madeira e bambu. A edição especial marca a tradição da Casa Fiat de Cultura, que criou o primeiro Presépio Colaborativo do Circuito Liberdade, em 2014, e, desde então, vem apresentando temas inovadores a partir de uma perspectiva sustentável.

“Neste ano, faremos uma revisão das edições passadas do Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura. As versões anteriores serão relembradas juntamente com seus materiais de referência e, na sequência, será apresentado o Presépio do Futuro, construído à base do bambu, considerado um material altamente sustentável”, adianta Leo Piló. Outra marca dos presépios colaborativos do espaço é a participação do público que contribui ativamente na produção de peças e estruturas durante as oficinas criativas do ateliê aberto. Para este ano, os presépios vão reproduzir clássicas cenas do Natal e, simultaneamente, “prestar uma homenagem à coleta seletiva, trazer novas possibilidades para a reciclagem e incentivar as pessoas a ter uma nova visão sobre a vida e o consumo”, explica o curador.

Desde a primeira edição do Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura, um material reciclável é escolhido para ser referência e dar forma aos objetos e personagens. Em 2015, o insumo principal foi o papel e, no ano seguinte, o tetrapak se sobressaiu na composição das instalações. Em 2017, foi a vez do isopor ser utilizado e, no último ano, o papelão foi aplicado na releitura de cenas natalinas. Outros materiais como a madeira e o plástico também foram utilizados nas edições anteriores devido à sua importância no processo de reciclagem. A proposta para este ano é criar seis cenografias independentes e inspiradas no uso desses materiais e apresentar um novo componente, o bambu. Essa matéria-prima natural tem grande potencial renovável e um custo-benefício melhor do que a madeira e dispensa a necessidade de replantio. Por ser, ainda, flexível, versátil, leve e desperdício mínimo, o bambu foi escolhido para dar forma à versão 2019, chamada de Presépio do Futuro. A inauguração do Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura 2019 será no fim do mês de novembro.

Aula inaugural

Durante a aula inaugural, nesta terça-feira, dia 22, das 10h às 12h, serão apresentados esboços dos suportes e estruturas dos presépios colaborativos. Na ocasião, também será feito um convite aos interessados em contribuir com a produção conjunta dos presépios. “Esperamos que os participantes saiam desse primeiro encontro pensativos sobre suas rotinas cotidianas e da sua relação com esses materiais e, além disso, reflitam sobre como podem se inspirar para contribuir artisticamente com o Presépio 2019”, projeta Leo Piló.

No encontro, será aberta a agenda de oficinas criativas supervisionadas pelo artista plástico e curador. As aulas serão realizadas no período de 23 de outubro a 24 de novembro, sempre de quarta a domingo, às 10h e às 14h, com entrada gratuita. As oficinas criativas vão ocorrer em um novo espaço, um container adaptado e instalado nos jardins da Casa Fiat de Cultura. Para participar, não é necessário realizar inscrição prévia.

Parte dos materiais utilizados no ateliê aberto para a confecção das instalações natalinas foi cedida pela Ilha Ecológica da Fiat, área de triagem e o armazenamento de resíduos sólidos que funciona dentro da fábrica da Fiat, em Betim. Entre os materiais disponibilizados pela Ilha Ecológica estão tambores, pallets e fitas de arquear de plástico e de metal, além de amostras variadas de plásticos coloridos.

O Ateliê Aberto do Presépio Colaborativo é uma realização da Casa Fiat de Cultura e do Ministério da Cidadania, com o patrocínio da Fiat Chrysler Automóveis (FCA) e do Banco Fidis. A iniciativa conta com o apoio do Circuito Liberdade, do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico (Iepha), do Governo de Minas e do Governo Federal.

Edição comemorativa

Cada um dos seis núcleos dos Presépios Colaborativos da Casa Fiat de Cultura trará a referência de um material reciclável associado a uma cor e uma palavra. As dimensões e os aspectos definidos pelo curador Leo Piló espelham as múltiplas funções dos materiais escolhidos, refletem sobre o descarte e a coleta seletiva de materiais, ao mesmo tempo em que buscam oferecer um novo olhar a objetos comuns e, muitas vezes, banalizados. As instalações natalinas vão reverenciar: o bambu, o papel, o tetrapak, o papelão, o plástico e a madeira.

Bambu > esperança > luz

De talheres a construções. As múltiplas possibilidades de uso do bambu combinadas ao seu potencial sustentável o transformam em uma referência do reaproveitamento de materiais recicláveis. Disponível em abundância na natureza, o bambu protege outras árvores, não compromete o meio ambiente, tem desperdício mínimo, é altamente maleável e dispensa tratamentos químicos. Na visão da curadoria, o bambu exprime o bem, o futuro sem ameaças, o eterno. A versatilidade do bambu remete à esperança e a tonalidade atribuída a ele é a luz. O seu tom abstrato e a sua indefinição de coloração remetem ao futuro e não se assemelham a qualquer outra cor presente nas demais cinco cenografias dos presépios colaborativos da Casa Fiat de Cultura.

Tetrapak > fé > prata

Os tetrapaks garantem a conservação de diversos tipos de bebidas, como leite, sucos e achocolatados. As embalagens longa vida, como são conhecidos, são fabricadas com três principais tipos de componentes: o papel (estrutura), o polietileno (impermeabilidade) e o alumínio (barreira contra a luz e o oxigênio). O consumo dos produtos envasados com tetrapak faz parte do dia a dia de grande parte das pessoas. Confeccionar um presépio com base nesse material tem a proposta de possibilitar um novo olhar sobre o seu uso e a sua destinação. Na instalação, a tecnologia inovadora presente no tetrapak inspira uma cena futurista que ilustra a Sagrada Família, símbolo de fé. A cor prata escolhida para esta instalação remete à espacialidade e às estrelas, em alusão às conquistas humanas atuais e futuras.

Papel > paz > branco

Dos materiais escolhidos para a elaboração dos projetos colaborativos, o papel é mais presente na vida do ser humano. As facetas são antagônicas: ao mesmo tempo em quem é um suporte nobre para as artes, ele é marcado pela vulgaridade mundana. O papel aceita tudo, já diz o dito popular. O presépio colaborativo inspirado em origamis terá a missão de suavizar essa máxima e chamar a atenção para o uso desse material. O branco foi escolhido para representar essa cenografia devido ao aspecto mais comum de apresentação do papel e com mais valor na cadeia da reciclagem. O papel branco simboliza respeito, generosidade e, sobretudo, a paz. Para a curadoria é uma bandeira silenciosa que combina leveza com disciplina e organização. O papel branco é, ainda, catalizador de novas ideias e inspira a renovação.

Papelão > família > craft

Semelhante ao papel, o papelão tem alto índice de reaproveitamento e valor agregado o que fazem dele um importante aliado na preservação do meio ambiente. Na coleta seletiva, o papelão é bastante procurado, principalmente por corporações especializadas em reciclagem. Grande parte do que é produzido pelas empresas, dos mais variados ramos, é distribuída e comercializada em uma caixa de papelão. O caráter de proteção do papelão remete ao cuidado e ao zelo, assemelhando-se à função primordial das famílias, a do acolhimento. A cor craf mantém a essência e a originalidade do material que, nessa instalação natalina, ganhará formato de montanhas.

Plástico > caridade > vermelho

Garrafas pets, brinquedos, sacolas, canudos, utensílios domésticos, bijuterias, componentes eletrônicos. Quando mais variadas as suas possibilidades de uso do plástico, maior o descarte de objetos. Altamente sintético, o plástico é polímero produzido a partir do petróleo. São tipologias diversas, algumas delas são recicláveis; outras não. Dar visibilidade ao perfil multifacetado do plástico e ao seu efeito nocivo para o meio ambiente é o objetivo dessa instalação. A imagem da Sagrada Família será recriada com a aplicação de pedacinhos de objetos plásticos. A curadoria espera que o público seja seduzido de tal forma a não ter a coragem de descartar o plástico. A palavra associada a esse material é a caridade que se relaciona com o meio ambiente. E, para marcar a dramaticidade presente na sedução desse material, a cor escolhida é a vermelha, em referência ao alerta, ao cuidado, ao perigo.

Madeira > humanidade > cru

A madeira é um material orgânico que testemunhou grandes triunfos da humanidade e está na base de invenções importantes. As sociedades modernas constituíram-se principalmente devido aos progressos nas áreas da comunicação e dos transportes. Na comunicação, a madeira contribuiu com o advento da prensa móvel, que garantiu a impressão em larga escala de livros e mapas. Nos transportes, esse material foi primordial para a concepção das embarcações que atravessaram oceanos e garantiram a “descoberta” de novas terras. A relação entre o uso da madeira e as civilizações é histórica e, por isso, a humanidade foi a palavra escolhida para representar esse presépio colaborativo. O tom natural, a cor crua, será a referência principal dessa instalação. Na composição, serão empregados objetos que foram úteis um dia e, após destacados, ganharão uma nova funcionalidade.

Consumo e descarte

Dados publicados pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE) no Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil traçam uma radiografia da gestão dos resíduos sólidos urbanos produzidos no Brasil. Os números da última edição, de 2017, revelam que o país produziu 214.686 toneladas de resíduos sólidos urbanos, por dia, o que equivale a pouco mais de 1kg de lixo produzido por habitante.

Segundo a pesquisa, em 2017, 59,1% do lixo coletado foram depositados em aterros sanitários enquanto 40,9% foram despejados em locais inadequados, como aterros controlados e lixões. Ou seja, mais de 58 milhões de toneladas de resíduos sólidos foram descartados em locais impróprios. Os números não incluem os resíduos de serviços de saúde nem a de logística reversa de reciclagem, como o destarte de pilhas, baterias, lâmpadas, pneus e embalagens de defensivos agrícolas, por exemplo.

Outra parte dos dados Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil traz algum alento. Ainda segundo o levantamento, dos 5.570 municípios brasileiros, 70,4% dos municípios contam com algum tipo de iniciativa de coleta seletiva, sendo a região Sul a detentora da maior cobertura, com são 90,5% dos municípios com coleta seletiva. Enquanto o papel e o papel são decompostos de até 6 meses, a madeira pintada leva 13 anos para ser absorvida pela natureza. O tempo de decomposição de certos tipos de plásticos e das embalagens tetrapak podem levar mais de 100 anos.

O impacto dos números evidencia a relevância da coleta regular, da ampliação de coleta seletiva e da erradicação de lixões e indica a necessidade de manter aceso o debate e a reflexão sobre o descarte de materiais, em especial aqueles que podem ser reaproveitáveis. Uma mudança de comportamento, sobretudo no que se refere ao consumo, é fundamental para a preservação do meio ambiente e para a prevenção de doenças. Vale lembra que o de tempo de decomposição de certos tipos de materiais, no meio ambiente, pode levar dezenas de décadas.

O artista Leo Piló

Mineiro de Belo Horizonte, Leo Piló é um artista inquieto, criativo, simples e dinâmico. Apresenta trabalhos inusitados, feitos de materiais não convencionais, treinando os olhares para novas possibilidades de construção – que revise atitudes e métodos de redução, reciclagem e reutilização – e meios de sustentabilidade. Sempre compartilhando as técnicas desenvolvidas por meio do aprendizado, o artista procura criar um elo entre arte e natureza, promovendo metodologia de reutilização de resíduos urbanos e gerando novas possibilidades inseridas na realidade atual, em termos de cultura, arte, educação, recursos econômicos e outros benefícios.

O lixo se tornou uma especialidade com o trabalho desenvolvido através da reciclagem e dos catadores com o artista Leo Piló que sempre tem como foco a busca de nova consciência ecológica e a pragmaticidade do seu trabalho na sociedade. Durante quase 15 anos, o artista trabalhou na associação ASMARE e ministrou várias oficinas de cenografia, costura, novas possibilidades, papelaria e marcenaria. Um dos grandes destaques de sua carreira foi a exposição Lixoarte, que tinha como objetivo criar, com materiais recicláveis, móveis e objetos para mobiliar uma casa. Em 2014, Leo Piló criou instalações para a exposição “Recosturando Portinari na Casa Fiat de Cultura”, por Ronaldo Fraga, e, desde 2015, é o curador do Presépio da Casa Fiat de Cultura.

Ilha Ecológica da Fiat

A Fiat foi a primeira fábrica do setor automotivo do país a destinar 100% dos resíduos que gera para a reciclagem e o reuso como resultado do projeto “Aterro Zero”. Os resíduos descartados vão para a Ilha Ecológica, dentro da fábrica em Betim, onde os materiais têm destino certo. Cerca de 100 trabalhadores fazem a triagem e o armazenamento dos resíduos, até o envio para a reciclagem e a reutilização.

Um diferencial da Ilha Ecológica é a usina de reciclagem de isopor. A tecnologia, criada pela Fiat, reduz 50 vezes o volume do material. O isopor se transforma em pequenos grãos de plástico, que, enviados a uma empresa de reciclagem, são matéria-prima para fabricação de canetas e capas de CDs. Se o isopor reciclado nos últimos cinco anos fosse disposto em fila, ocuparia o percurso entre as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.

Da Ilha Ecológica também sai a matéria-prima para a Cooperárvore, cooperativa de moda sustentável que faz parte da plataforma Árvore da Vida, projeto social da empresa sediado no Jardim Teresópolis. Desde 2006, 24 toneladas de cinto de segurança e tecido automotivo transformaram-se em fonte de renda para a cooperativa na criação de bolsas e outros acessórios.

Casa Fiat de Cultura

A Casa Fiat de Cultura tem um importante papel na transformação do cenário cultural brasileiro, ao realizar exposições de prestígio e relevância cultural. A programação incentiva o público a interagir com diversos movimentos artísticos e linguagens, desde a arte clássica até a digital e contemporânea. Mais de 50 mostras já foram expostas na instituição, que já recebeu nomes como Caravaggio, Rodin, Chagall, Tarsila e Portinari.

Já são 13 anos de programação diversificada, com música, palestras, residência artística e o Ateliê Aberto – espaço de experimentação artística – e de programas de visitas com abordagem voltada para a valorização do patrimônio cultural e artístico.

A Casa Fiat de Cultura é situada no histórico edifício do Palácio dos Despachos e apresenta, em caráter permanente, o painel de Portinari, Civilização Mineira, de 1959. O espaço integra um dos mais expressivos corredores culturais do país, o Circuito Liberdade, em Belo Horizonte. Mais de 2,5 milhões de pessoas já visitaram suas exposições e 400 mil participaram de suas atividades educativas.

Aula inaugural Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura – Futuro

Entrada gratuita com retirada de ingresso pela Sympla

Data: 22 de outubro (terça-feira)

Horário: 10h às 12h

Local:

Circuito Liberdade

Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – BH/MG

Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 21h – Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h


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