Censo contabiliza 1.700 araras-azuis-de-lear

O levantamento foi realizado pela primeira vez nos cinco dormitórios utilizados pela espécie na região do Raso da Catarina (BA)
Educação Ambiental
Publicado em: 27/08/2018

Durante o período de 07 a 10 de agosto, pesquisadores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Fundação Biodiversitas, do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (INEMA) e da Qualis Ambiental, além de 15 voluntários, realizaram o censo simultâneo anual da arara-azul-de-lear, na região do Raso da Catarina, Bahia. Essa união de esforços possibilitou, pela primeira vez, a realização do censo nos cinco dormitórios atualmente utilizados pela espécie: Serra Branca (localizada no sul da Esec Raso da Catarina), Estação Biológica de Canudos, Fazenda Barreiras, Baixa do Chico (terra indígena dos Pankararés) e Barra do Tanque. “Isso possibilitou chegarmos a uma estimativa mais aproximada do tamanho real da população de araras-azuis-de-lear na natureza”, comemora Emanuel Barreto, analista ambiental do Cemave (Centro de Nacional de Pesquisa e Conservação gerido pelo ICMBio). A espécie é endêmica da caatinga.

O censo seguiu a metodologia padrão estabelecida pelo Cemave, com seis contagens a partir de um ponto fixo, sendo três ao amanhecer (quando as araras saem dos dormitórios para as áreas de alimentação) e três ao entardecer (quando elas retornam aos dormitórios) e totalizou um número médio de 1.694 araras-azuis-de-lear. Para a bióloga Tania Maria Alves, da Fundação Biodiversitas, “participar do censo é sempre uma mistura de emoção e expectativa na esperança de que o número de indivíduos esteja aumentando, o que felizmente é constatado a cada ano”.

Em todos os pontos de contagem estabelecidos havia pelo menos dois recenseadores munidos de binóculos, máquinas fotográficas e rádios de comunicação. De acordo com o analista ambiental Osmar Borges, da ESEC Raso da Catarina, “a comunicação entre os recenseadores é importante para evitar duplicidade de contagem, especialmente nos locais com grande concentração de araras”.

Para o biólogo Thiago Filadelfo, da Qualis Ambiental, uma decisão importante neste censo foi a inclusão do dormitório situado na Barra do Tanque, em Euclides da Cunha, pois ele possui característica diferente dos demais. “É o único dormitório onde as araras dormem em árvores, um hábito comportamental desconhecido para a arara-azul-de-lear até pouco tempo.”

Marianna Pinho, especialista em Meio Ambiente e Recursos Hídricos, destacou a participação do INEMA no censo. “Para a diretoria de Biodiversidade do INEMA, que participa do censo pelo segundo ano consecutivo, essa foi uma excelente oportunidade de envolvimento direto com a conservação da arara-azul-de-lear, considerando que a espécie é endêmica do estado da Bahia. A parceria com o ICMBio na execução da atividade permite conhecer melhor a biologia da espécie, ter contato com representantes das instituições envolvidas e assim contribuir de maneira mais efetiva na conservação da espécie.”

Voluntariado

O censo também foi uma oportunidade de treinamento para voluntários cadastrados no “Programa de Voluntariado do ICMBio”. É o caso do estudante de ciências biológicas Ellie Pereira. Para ele, o censo foi uma excelente oportunidade. “O aprendizado será muito útil para minha carreira de biólogo”, afirmou. Para Patrick Avelino, estudante de Engenharia de Pesca, “quando recebi o convite para participar como voluntário não tive como recusar, pois, embora não seja minha área de atuação profissional, é um privilégio conhecer a arara-azul-de-lear e o ambiente onde ela vive”. Um dos voluntários mais antigos, Alex Frank, é um dos mais empolgados com o projeto de conservação da arara-azul-de-lear. “Já participei de vários censos e é muito gratificante participar desse trabalho e estar em contato com a natureza. Sou grato ao ICMBio por dar oportunidade a outras pessoas. Meu filho Israel participou no ano passado e este ano meu pai, que tem 70 anos, participou pela primeira vez”.

Endêmica da Caatinga

A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) é uma espécie endêmica da caatinga, com ocorrência nas regiões do Raso da Catarina e do Boqueirão da Onça, no Bahia. Embora descrita em 1856, só foi descoberta na natureza no ano de 1978. Utiliza cavidades em paredões de arenito para pernoite e nidificação, partindo diariamente, ao amanhecer, para as áreas de alimentação. No final da tarde, os bandos retornam aos seus abrigos, chegando logo após o pôr do sol ou ainda mais tarde. Seu principal alimento é o coco da palmeira licuri (Syagrus coronata), mas também se alimenta de outros frutos e sementes da caatinga e de milho. A espécie é categorizada como “Em Perigo de extinção” e está contemplada no” Plano de Ação Nacional para Conservação das Aves da Caatinga”.

Fonte: ICMBio


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