Censo identifica mais de 7 mil papagaios-de-cara-roxa no Paraná

Presença das aves é resultado das ações de conservação na região
Bruno Frade - bruno@souecologico.com
Meio Ambiente
Publicado em: 10/07/2019

O censo realizado no mês de junho pelo Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa no litoral do Paraná registrou uma população de 7.493 papagaios-de-cara-roxa. O monitoramento demonstra uma população estável em relação a 2018, quando foram registrados 7.366 indivíduos.

O estudo é uma atividade realizada anualmente com o auxílio de voluntários. Neste ano, contaram com o apoio de cerca de 25 voluntários, entre eles moradores da região, pesquisadores, estudantes e conservacionistas. Para a psicóloga Maria Augusta de Mendonça Guimarães, que participou pela primeira vez como voluntária, o censo é uma experiência única. “Participar de uma atividade que propicia o contato com a natureza já é enriquecedor por si só. Mas saber que o meu trabalho estava contribuindo para ajudar esse projeto que há tantos anos luta pelo papagaio-de-cara-roxa foi muito gratificante e emocionante”.

Para a realização do censo neste ano, a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) organizou uma campanha de financiamento coletivo que contou com mais de 40 doadores. Além deste esforço, também recebeu a contribuição do Parque das Aves, que possibilitou cobrir toda a área de distribuição da espécie no Paraná, estado que concentra cerca de 80% da população. Além de ser um indicador de resultados das ações de conservação, o levantamento é também a principal ferramenta para conseguir informações sobre estimativa populacional e registrar os deslocamentos dos grupos em toda região.

Papagaio-da-cara-roxa

A espécie é encontrada apenas em uma estreita faixa entre as regiões litorâneas do Paraná e São Paulo. As áreas protegidas da Ilha Rasa da Cotinga (Reserva Indígena), Ilha do Pinheiro no Parque Nacional do Superagui, Ilha Rasa na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba e a Estação Ecológica Ilha do Mel compõem os principais dormitórios da espécie.

Foto: Divulgação

Antes o papagaio também habitava Santa Catarina, porém o último registro da ave na região foi feito em 1990. “A área de distribuição diminuiu ao longo dos anos. Na cidade de Guaratuba, que faz divisa com Santa Catarina, encontramos apenas 11 papagaios-de-cara-roxa neste ano. É um local onde a retirada de filhotes dos ninhos e a pressão urbana são muito fortes”, explica a coordenadora do Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa, Elenise Sipinski.

Apesar da estabilidade da população, a possibilidade de desenvolvimento de empreendimentos no litoral representa uma grande ameaça para a espécie. A região de Paranaguá e Pontal do Paraná concentra quase metade dos animais, que se deslocam até a planície litorânea em busca de alimento. A construção do complexo portuário privado em Pontal afetaria cerca de 3 mil papagaios, além de gerar outros impactos ambientais e sociais na região, como a redução dos remanescentes de Mata Atlântica próximos à Ilha do Mel. “Desde 2011, quando passamos a registrar uma população maior no Paraná, também foi contabilizado um número maior de papagaios descansando na Ilha da Cotinga e se deslocando para as planícies costeiras, o que demonstra que, para a recuperação dessa espécie, as áreas (pontal do Paraná e Guaraguaçu) são fundamentais, já que fornecem alimento e cavidades para a construção de ninhos”, observa Sipinski.

Atrativo turístico

A presença de animais como o papagaio-de-cara-roxa fortalece o movimento turístico da região, além de promover atividades como a observação de aves, também conhecida como birdwatching.

Ao mesmo tempo em que garantem a conservação do bioma, essas atividades promovem o desenvolvimento econômico sustentável e alavancam a economia dos municípios da região, por meio da geração de empregos e renda nos seus serviços locais, como pousadas e restaurantes.

Estudo realizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), aponta que, em 2017 o Brasil registrou um total de 10,7 milhões de visitantes em suas Unidades de Conservação (UC), com a geração de cerca de 80 mil empregos diretos, R$ 2,2 bilhões em renda.

Além disso, os visitantes gastaram cerca de R$ 2 bilhões nos municípios do entorno das UC. Os resultados mostram que a cada R$ 1 real investido, R$ 7 retornam para a economia.

Foto: Divulgação

Postar comentário