CEPAL e OIT sinalizam oportunidades para geração de empregos sustentáveis

Transição para economia verde também gera desafios para mundo trabalhista
Inspiração
Publicado em: 29/10/2018

Razão muitas vezes apresentada para justificar a exploração predatória de recursos naturais, a geração de empregos também está associada a atividades sustentáveis. Essa questão é especialmente relevante em regiões ricas em biodiversidade, como o Brasil. Na edição mais recente do relatório semestral “Conjuntura Trabalhista na América Latina e no Caribe”, publicada na última semana, CEPAL e OIT destacam que a transição para um modelo econômico que valorize as riquezas naturais é capaz de permitir acesso a novas oportunidades e melhorias no emprego.

Esses organismos internacionais ligados à ONU, Organização das Nações Unidas, projetam que apenas com a geração sustentável de energia seria possível criar mais de um milhão de empregos na América Latina e no Caribe até 2030. Outro ponto é a evolução para uma economia circular, com a melhoria da eficiência e a vida útil dos materiais. Ao promover a durabilidade e a capacidade de reparos, reutilização e reciclagem, seriam gerados 4,8 milhões de empregos nesse mesmo período.

Novas e velhas oportunidades de trabalho

O relatório pontua, contudo, que a transição para o modelo econômico mais sustentável também traria desafios ao mundo do trabalho, visto que passa a ser necessário o desenvolvimento de outras competências adequadas à nova demanda de mão de obra.

“Para fazer uma transição com capacidade de criar empregos decentes e que seja justa para todos, é essencial a complementaridade das políticas. As políticas que apontam à sustentabilidade ambiental devem ser acompanhadas de marcos jurídicos integrados e de políticas de proteção social, de desenvolvimento de competências e de igualdade de gênero, que promovam o diálogo social”, destacam Alicia Bárcena, secretária-executiva da CEPAL, e José Manuel Salazar, diretor regional da OIT para a América Latina e o Caribe, no prólogo do documento.

O relatório faz ainda um alerta para as consequências da deterioração ambiental causada pelo atual modelo de desenvolvimento ao mundo do trabalho. Nesse sentido, a transição para um modelo mais sustentável é avaliado como urgente, tanto do ponto de vista ambiental quanto trabalhista. “A atividade de milhões de trabalhadores depende de processos naturais que podem ser interrompidos por deterioração ambiental. Poluição, desastres naturais e aquecimento global, entre muitos outros riscos associados a essa deterioração, colocam em risco a saúde, a segurança do trabalho e a produtividade”, diz o documento.


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