Combustíveis fósseis: Instituições católicas adotam medidas para diminuir os impactos no ambiente marinho

Bruno Frade - bruno@souecologico.com
Meio Ambiente
Publicado em: 13/05/2019

Com o objetivo de reduzir a emissão de CO2 pelo setor de transporte marítimo, organizações católicas atuantes nas áreas relacionadas ao mar que não vão mais investir em combustíveis fósseis. Entre elas, as instituições no Panamá, considerada a maior repartição de transporte marítimo do mundo, Filipinas, local onde concentra o maior grupo de marinheiros do planeta, Grécia, a nação que mais detém navios no mundo, e cidades portuárias por toda da Europa.

A decisão foi comunicada em conferência promovida pelo Vaticano “O Bem Comum e Nossos Mares Comuns” que abordou os ensinamentos do catolicismo no ambiente marinho. O encontro coincidiu a reunião da Organização Marítima Internacional (OMI), agência da ONU que tem a finalidade de promover a segurança e proteção ambiental para a indústria marítima em todo o mundo.

Os pontos que serão mais debatidos pela OMI terão como enfoque ações urgentes de curto-prazo para redução das emissões de CO2, principalmente os limites globais de velocidade para todos os navios. Além disso, também serão elaboradas medidas para que o setor adote o fim do uso de combustíveis fósseis a médio e longo prazo, como estratégia para frear o aquecimento global.

Foto: Domínio Público

Para o Diretor Executivo do Movimento Católico Global pelo Clima, Tomás Insua "a crise climática é real, e não temos tempo a perder para solucioná-la. Abrir mão dos combustíveis fósseis é enviar uma forte mensagem ao mundo: a Igreja Católica não vai esperar pela justiça climática".

As ações de desinvestimentos em combustíveis fósseis incluem:

- A arquidiocese do Panamá: lar da maior concentração de transporte marítimo do mundo, cujo desinvestimento sinaliza uma importante liderança da Igreja, representando 70-80% da população. Mais de 40% de toda a carga anual do setor é de combustíveis fósseis, e o país detém sozinho um quarto dos navios graneleiros do mundo – responsáveis pelo transporte de carvão. Apesar de o Canal do Panamá enfrentar crescentes despesas devido às mudanças no clima, segundo a agência de notícias SKy News, a delegação da nação na OMI resistiu às metas para o transporte marítimo e tentou bloquear as reformas destinadas a levar mais transparência à organização.

- A Cáritas Filipinas ajudará a proteger milhões de pessoas que são vulneráveis ao aumento do nível do mar. Os navios utilizam um dos piores derivados do petróleo, o óleo combustível residual, que contém até 3.500 vezes mais enxofre do que diesel. Embora os impactos da fumaça para a saúde dos passageiros de cruzeiros estejam chamando um pouco de atenção, pouca preocupação foi demonstrada à saúde dos marinheiros que ficam expostos por períodos muito mais prolongados, especialmente quando não têm folga em terra. Já existem tecnologias com emissão zero, mas estas precisam ser adotadas em larga escala pelo setor.

- As dioceses de Nápoles, Civitavecchia-Tarquina e Siracusa, Itália, importantes portos de carga e transporte, ajudarão a proteger seus habitantes, que se mostram vulneráveis ao excesso de mortalidade devido à poluição do ar. Os navios de cruzeiro aportam diariamente em Nápoles. Civitavecchia é o principal ponto de entrada em Roma para os turistas em cruzeiros, e residir próximo ao porto já foi associado a altas taxas de câncer de pulmão e doenças neurológicas.

- A Igreja Católica da Grécia e a Arquidiocese de Malta, pontos importantes para os migrantes da África, onde o desinvestimento ajudará a proteger aqueles que fazem uma perigosa jornada em meio a tempestades cada vez mais intensas. Além disso, o governo e muitas empresas de transporte marítimo defendem limites de velocidade no mar para restringir o consumo de combustíveis fósseis.

As instituições católicas veem no desinvestimento uma forma de tratar a crise climática, que contribui para o aumento do nível do mar, tempestades cada vez mais violentas e o aumento de desertos, os quais atingem desproporcionalmente os mais vulneráveis.

O Cardeal Crescenzio Sepe, Arcebispo Metropolitano de Nápoles, destaca “ o prazer de fazer parte desse compromisso de não investir mais em combustíveis fósseis. Está na hora de nos conscientizarmos da gravidade da crise climática e de trabalharmos por uma mudança respeitosa no comportamento e estilo de vida de cada pessoa. Acho que essa responsabilidade civil deve ser um dever moral e um compromisso concreto para todo bom cristão".

Movimento Católico Global

O Movimento Católico Global pelo Clima é uma rede internacional composta por mais 800 instituições católicas e milhares de indivíduos que trabalham juntos para colocar em prática a visão da Laudato Si' e solucionar a crise climática.


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