Como a ciência do comportamento pode incentivar atitudes mais sustentáveis?

ONU quer acelerar transição para economia de baixo carbono fazendo com que as pessoas adotem medidas que não sobrecarreguem tanto o meio ambiente
Da Redação / Ecológico – redacao@revistaecologico.com.br*
Cidadania Ecológica
Publicado em: 14/02/2019

Os cientistas já comprovaram que, para preservar o meio ambiente, é fundamental, entre outras medidas, reciclar, reduzir o uso de combustíveis fósseis e interromper a poluição dos mares, porém muitas dessas medidas só se efetivam plenamente pela soma de atitudes individuais. É por isso que o Pnuma, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, está propondo que os países lancem mão da ciência do comportamento para acelerar a transição para economia de baixo carbono.

Para o especialista em mudanças climáticas do Pnuma, Niklas Hagelberg, as “pessoas em geral são positivas em relação à mudança climática e à neutralidade do carbono, mas estes podem ser conceitos abstratos e remotos na vida diária de muitas delas”. Dessa forma, ele acredita que as abordagens de ciência e a mudança de comportamento são essenciais no apoio para incentivar alterações de conduta.

De acordo com a agência da ONU, um número cada vez maior de governos já trabalha com a ciência do comportamento em diferentes políticas públicas. Elas são empregadas, por exemplo, para fazer com que os cidadãos entreguem as declarações de imposto de renda dentro do prazo; dirijam com mais cuidado; e, no que diz respeito mais diretamente ao meio ambiente, reduzam o consumo e o desperdício do plástico.

Sinalizações claras incentivam atitudes mais sustentáveis - Foto: Pixabay
Sinalizações claras incentivam atitudes mais sustentáveis - Foto: Pixabay

Atitude ecológica

O Pnuma listou cinco formas de os governos se valerem da ciência do comportamento para incentivar práticas mais sustentáveis. Confira:

1 - Torne a opção padrão a mais sustentável

Alterar a opção padrão para doação de opt-in, quando se precisa do consentimento prévio, para opt-out, quando se opta pela não doação, transformou os índices de doação de orgãos. Para o Pnuma, se a compensação de carbono fosse a opção de exclusão (opt-out) em vez de opt-in em sites de reservas de companhias aéreas, por exemplo, isso também poderia transformar as taxas de compensação de carbono.

2 - Alterar como as escolhas são apresentadas para favorecer um comportamento sustentável

Comerciantes desde os tempos remotos entenderam os princípios da arquitetura de escolha: que o vinho de preço médio venderia melhor que o item caro, se o preço do item de faixa intermediária aumentasse. Em um estudo de caso clássico, a revista The Economist observou uma onda de assinaturas combinadas de serviços digitais e de revistas, que era a opção disponível com o maior valor. O que gerou a mudança foi uma nova estratégia de preços.

3 - Remover completamente a opção “insustentável”

Os formuladores de políticas podem ultrapassar uma década de comportamentos habituais com mudança lenta, aplicando proibições expressas que podem mudar o comportamento da noite para o dia. Foi o que mostrou a proibição das sacolas plásticas no Quênia. O comportamento habitual que perpetua a dependência do saco plástico é forçado a mudar para a alternativa sustentável. A sacola reutilizável se tornou a nova norma em poucos dias, não em décadas.

4 - Remova o fator de aborrecimento

Torne necessários 20 passos a menos para fazer a coisa certa, e não 20 passos a mais. Você só recebe uma refeição vegetariana numa companhia aérea se tomar as medidas extras para solicitá-la com antecedência. A sugestão do Pnuma é mudar essa situação e servir a opção “macarrão” ou “molho curry”, ambos vegetarianos, e deixar os amantes da carne livres para optarem pela carne no momento da reserva.

5 - Torne a questão pessoal

Dados e análises podem informar quais mensagens persuasivas melhoram o comportamento dentro de um segmento de público específico. Implantado para uma ampla variedade de campanhas de informação pública, incluindo campanhas políticas, este deve ser o primeiro tipo de estratégia que uma campanha de mudança climática deve considerar, e não o último. Mensagens direcionadas e personalizadas podem, por exemplo, atingir indivíduos economicamente motivados com uma mensagem sobre benefícios econômicos, abordando suas barreiras e motivos.

* Com informações da ONU News.


Postar comentário