Controvérsia na Serra da Piedade

Mineradora AVG promete recuperar área degradada, mas exploração prevista no local preocupa população
Da Redação / redacao@revistaecologico.com.br
Mineração
Publicado em: 30/05/2019

As Comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e de Minas e Energia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) estiveram ontem (28/05), no Morro do Brumado, em Sabará (MG), para um encontro com representantes da AVG Mineração. O objetivo da visita dos parlamentares foi discutir a retomada da exploração mineral na região, conhecer os impactos prováveis e as medidas para garantir a preservação da biodiversidade local e do Santuário de Nossa Senhora da Piedade.

Após décadas de exploração predatória na Mina do Brumado, as atividades da extinta mineradora Brumafer foram interrompidas, por ordem judicial, em 2005. Dois anos mais tarde, o empreendimento foi adquirido pela AVG, que assumiu a obrigação de recuperar a área degradada. O Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) concedeu as licenças prévia e de instalação para o empreendimento em fevereiro último.

Para cumprir a recuperação da área degradada, foi homologado um acordo com o Ministério Público e diversos órgãos estaduais, em 2012, que prevê a exploração do minério disponível em função do trabalho de descomissionamento da estrutura existente, atividade que envolve inclusive 30 hectares de áreas adjacentes. “A ideia é filtrar rejeitos gerados, empilhá-los a seco e aproveitá-los para o preenchimento das duas cavas abandonadas”, garantiu o diretor-presidente da AVG, Rodrigo Gontijo. A previsão é de que as operações comecem no final do próximo ano.

Foto: Ricardo Barbosa/ALMG
Foto: Ricardo Barbosa/ALMG

Controvérsia

Sacerdotes, ambientalistas e membros da comunidade local são contra qualquer tipo de mineração na região. Eles também questionam a utilização de uma área maior do que a atingida para a recuperação dos danos causados, medida que enxergam como uma forma dissimulada de explorar ainda mais o minério de ferro no entorno da Serra da Piedade.

Advogado da Arquidiocese de Belo Horizonte, José Alfredo Baracho ressaltou que durante a visita não foi apresentado o planejamento financeiro do empreendimento. A maior preocupação, segundo ele, é de que oscilações no mercado de minério e dos custos previstos acabem por inviabilizar economicamente o projeto.

“Não queremos recuperação com mineração, e sim com engenharia. Não queremos explosões na serra e nem que usem nossa água para lavar minério”, defendeu Hilda Bicalho, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Caeté.

Ela também se queixou do tráfego constante de caminhões na BR-381 para o transporte dos rejeitos que estão sendo retirados da área afetada. Esse movimento deve aumentar quando a mineradora estiver em completa atividade. Segundo Hilda, o tráfego poderá afetar o turismo no Santuário de Nossa Senhora da Piedade.

Os gestores da AVG alegam que as intervenções são essenciais, devido ao risco de rompimento das estruturas. E que os 30 hectares de áreas não-degradadas são indispensáveis para estabilizar as cavas.

Saiba mais

A AVG Mineração já vem realizando, por meio de autorização judicial concedida em 2017, o descomissionamento de duas pilhas de rejeitos formadas pela antiga proprietária da mina, devido ao alto risco que elas oferecem. Em caso de deslizamento desse material, que pesa 6 milhões de toneladas, a BR-381 seria uma das áreas atingidas. Os rejeitos retirados das pilhas também devem ser utilizados na recuperação das cavas.

O acordo estabelece que, após 15 anos de atividades, o total de 530 hectares, que compreende toda a área atualmente utilizada pela mineradora, seja doado ao Instituto Estadual de Florestas (IEF), para a criação de uma unidade de preservação.

(*) Com informações da ALMG.


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