Criação de mosaico de proteção avança no Pantanal

Objetivo é conectar quatro áreas já existentes na região, totalizando mais de 887 mil hectares protegidos
Meio Ambiente
Publicado em: 17/10/2018

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) publicou uma série de estudos para embasar a proposta de criação de um mosaico de Unidades de Conservação no Pantanal. A proposta é conectar quatro diferentes áreas protegidas já existentes na região: Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, Estação Ecológica de Taiamã, Parque Estadual do Guirá e Parque Estadual Encontro das Águas.

Juntas, essas quatros unidades ocupam mais de 360 mil hectares. E com as novas áreas propostas, o mosaico somará 887.855, formando um grande corredor ecológico. Para formar o mosaico, está sendo proposta a criação de duas novas unidades de conservação federais -- uma Reserva de Fauna e um Refúgio de Vida Silvestre, modalidades que permitem a convivência com atividades econômicas –, bem como a ampliação da Estação Ecológica de Taiamã e do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense.

“A formação de mosaicos é importante para fortalecer a conservação. Áreas conectadas dão mais condições de sobrevivência às espécies”, avalia o coordenador do Programa Cerrado-Pantanal do WWF-Brasil, Julio César Sampaio.

O Pantanal é um exemplo de convivência de atividades produtivas com a conservação da natureza. Cerca de 83% de sua vegetação natural permanece preservada, ainda que apenas 4,6% da área do bioma estejam protegidos em Unidades de Conservação. Esse índice contrasta com as Metas de Aichi, assumidas pelo Brasil, de proteger pelo menos 17% de cada um dos biomas terrestres no país.

Uma das razões que contribuem para a conservação da vegetação natural no Pantanal é a inviabilidade de boa parte da área para atividades agropecuárias, com grandes extensões permanentemente ou sazonalmente alagadas, o que as torna impróprias para a criação de gado ou a formação de lavouras.

Audiências públicas

Em julho deste ano, o ICMBio realizou audiências públicas nos municípios de Cáceres e de Poconé para discutir com a população a criação do mosaico de UCs. Em Cáceres, o chefe da Estação Ecológica de Taiamã, Daniel Kantek, informou que há 131 espécies de peixes e 237 de aves, além de abundância de espécies ameaçadas de extinção, como onça-pintada, ariranha e cervo do Pantanal.

A região é considerada, ainda, de alta importância ambiental pelo seu grau de preservação e posicionamento estratégico na conexão do conjunto. “Iniciativas de proteção da natureza têm nosso apoio com entusiasmo“, disse o coordenador de Políticas Públicas do WWF-Brasil, Michel Santos.

“No caso específico do Pantanal, entendemos que as ações de conservação da região não podem ficar restritas à planície pantaneira, mas devem se estender ao Planalto, seriamente ameaçado por atividades econômicas que têm influência direta sobre a planície inundável”, afirmou.

Fonte: WWF


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