Denúncia aponta atos criminosos como causa de queimadas em MG

Áreas de proteção também são atingidas por incêndios, provocando danos ao meio ambiente e prejuízos econômicos
Da redação* - redacao@souecologico.com
Risco ambiental
Publicado em: 09/09/2019

Incêndios se espalham pelo território mineiro, onde se repete, em certa proporção, o drama vivenciado na Amazônia. No Estado, agentes públicos denunciaram que a maioria das queimadas são decorrentes de atos criminosos. E o cenário, com níveis críticos da umidade relativa do ar associados ao período de estiagem, pode ser agravado.

Os alertas foram apresentados em audiência pública, da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, realizada na última semana (05/09), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), com a participação de gestores públicos, agentes de segurança, representantes da sociedade civil, dentre outros.

Aumento de queimadas. Em 2019, já foram alvo de incêndios importantes áreas de proteção ambiental em Minas como o Parque Serra do Cabral, a Serra do Intendente, a Serra da Moeda, o Parque Serra Negra e o Parque do Itacolomi, onde as chamas consumiram 313 hectares só nos limites da unidade, configurando a maior extensão atingida até o momento.

De acordo com os dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), o número de queimadas, em áreas internas das unidades estaduais de conservação, como os próprios parques ecológicos, chegou, em agosto de 2019, a 201, sendo que a média histórica (análise que compreende os anos de 2013 a 2018) é de 203. As áreas atingidas, no entorno dessas unidades, até o momento, somam 2.166 hectares, contra os 3.736 hectares referentes à média do período.

Já em relação aos focos de calor, que são áreas onde há indícios de incêndios, foram identificados 3.107 neste ano, em contrapartida aos 2.567 casos que correspondem à média histórica.

Foto: Divulgação / CBMMG
Foto: Divulgação / CBMMG

Atos criminosos. O aumento dessas ocorrências tem preocupado a força-tarefa permanente para ações de prevenção e combate a incêndios florestais (o Previncêndio), informa o secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Germano Luiz Gomes Vieira. “Atear fogo em vegetação, de forma irresponsável, para a conformação de pastagens, queimar lixo ou jogar cigarros nas margens de estradas são atos criminosos e precisam ser coibidos”, salientou.

Ele explicou que quem for responsabilizado por incêndio criminoso, caracterizada a intenção, pode ser penalizado com dois a quatro anos de prisão e multa. Já para as queimadas consideradas não intencionais, a pena é de seis meses a um ano de prisão e multa.

O comandante do Batalhão de Polícia de Meio Ambiente de Belo Horizonte, Marconi do Rosário Pereira, afirmou que foram efetuadas, neste ano, 22 prisões de pessoas em flagrante por incêndios em florestas. Os casos vão desde o sujeito que pretendia apenas colocar fogo em uma caixa de maribondos a outros que portam litros de óleo diesel para deliberadamente provocar queimadas com fins econômicos, informa o policial.

* Com informações da ALMG.


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