Desinformação sobre barragem preocupa moradores de Barão de Cocais

População convive com o medo de rompimento da estrutura e comerciantes relatam queda de 70% nas vendas
Da Redação / redacao@revistaecologico.com.br
Mineração
Publicado em: 05/06/2019

Há quatro meses a população de Barão de Cocais, cidade de 32 mil habitantes localizada a 93 km de Belo Horizonte, vem sofrendo com a falta de informação sobre a situação real da Mina Gongo Soco, da Vale. A movimentação do talude da mina continua e as trincas são facilmente visíveis. O principal risco é que, se houver deslizamento, a Barragem Sul Superior, onde estão depositados os rejeitos, venha a se romper.

Foi o que representantes da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) constataram ontem (04/06), ao visitar o município, o entorno da comunidade de Socorro e da mina. As deputadas Leninha (PT), presidente da comissão, e Andreia de Jesus (PSOL) e os deputados Celinho Sintrocel (PCdoB) e Betão (PT) ouviram vereadores na Câmara Municipal, moradores e empresários. Eles também verificaram in loco o entorno da comunidade do Socorro e da mina Gongo Soco, da mineradora Vale.

O vereador João Batista Pereira disse que a população vive com medo, sendo que as famílias ribeirinhas e das comunidades próximas, como a de Socorro, foram evacuadas e vivem em alerta. "Estamos preocupados com o psicológico das pessoas, que estão ficando mais nervosas, tristes e deprimidas. Precisamos de ajuda do Governo Estadual", reclamou o vereador. Na opinião dele, a Vale está fazendo muito pouco e agindo de "maneira suja", ao invadir terrenos antes de ter autorização e fazer obras sobre as quais pouco se sabe. "Eles poderiam resolver muitas questões, pois têm poder, mas não o fazem", explicou. A comissão da ALMG não foi recebida pelo prefeito da cidade.

Comerciantes divididos

Uma parte dos comerciantes reclama da queda nas vendas de até 70%. "Praticamente, não trabalhamos mais. Quatro meses sem saber, sem dormir direito. Vivemos de economias, não temos mais fonte de renda. E os boletos continuam chegando enquanto não sabemos se a barragem vai romper ou não", protestou a cabeleireira Iriléia Machado. Ela disse que tem medo de andar pela cidade e não teve resposta da Vale quanto aos prejuízos do comércio e das empresas em geral.

Já o morador e aposentado José Nereu Rodrigues duvida que a lama de um possível rompimento da barragem na mina Gongo Soco atinja a cidade. "São 22 km até a cidade e a lama teria de dar a volta em três montanhas e dar uma ré para chegar até Barão. Eu, particularmente, não acredito que vai atingir a cidade. Mas tudo é especulação porque a Vale não nos conta nada. E a imprensa sensacionalista criou um mal-estar, piorando a situação", avaliou.

Outra denúncia é a de que os moradores removidos de suas casa estariam vivendo com cerca de R$ 400 por família, valor dado pela empresa e insuficiente para as despesas.


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