Diretor do Inpe exonerado por Bolsonaro é destaque de revista científica internacional

Ricardo Galvão se tornou um herói por desafiar o governo brasileiro em relação à Amazônia, diz a publicação
Matheus Muratori - redacao@souecologico.com
Política Ambiental
Publicado em: 30/12/2019

A revista Nature, uma das mais respeitadas pela comunidade científica internacional, divulgou neste mês a lista das personalidades que mais se destacaram na ciência em 2019. Uma delas é o ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão.

Ricardo Galvão aparece em primeiro lugar na lista. A publicação chama o ex-diretor do Inpe de defensor da ciência e diz que ele se tornou um herói nacional ao desafiar o governo brasileiro. O físico, de 72 anos, disse que é uma honra ser lembrado entre tantos nomes importantes.

“Eu fiquei realmente emocionado com as palavras deles. Eu pensei que, no começo, fosse só uma reportagem, mas depois eu vi o nome saindo entre os dez cientistas mais influentes deste ano, isso foi, realmente, emocionante para mim”.

Ricardo Galvão foi exaltado pela revista Nature (Foto: Micah B. Rubin/Nature)
Ricardo Galvão foi exaltado pela revista Nature (Foto: Micah B. Rubin/Nature)

Galvão é o único brasileiro na lista, que tem também a jovem ativista sueca Greta Thunberg, de 16 anos. No caso de Ricardo Galvão, a “Nature” lembra que, em julho, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acusou a equipe de pesquisadores do Inpe de mentir sobre dados do desmatamento da Amazônia. O governante chegou a alegar que o ex-diretor do Inpe estaria a serviço de alguma Organização Não-Governamental (ONG).

Na época, Galvão saiu em defesa do Inpe e disse que o presidente se comportava como se estivesse em uma conversa de botequim. “Nós somos um país bastante instruído, com uma comunidade científica altamente respeitada internacionalmente, o Inpe tem uma respeitabilidade internacional enorme”.

Em agosto, Ricardo Galvão foi exonerado do cargo de diretor do Inpe, onde esteve por dois anos, e voltou para a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em novembro deste ano, o instituto confirmou que o desmatamento da Amazônia aumentou quase 30% no último ano.

“Acho que agi corretamente, inclusive os resultados que nós todos estamos vendo comprovam isso. O governo foi de uma insensatez muito grande ao tomar essa medida de acusar os dados do Inpe de serem mentirosos”, disse Galvão.


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