Drones ajudam a proteger moisaco do Sertão Veredas-Peruaçu

Território beneficiado engloba 25 áreas protegidas e se estende do norte de Minas Gerais até parte do sudoeste baiano
Conservação florestal
Publicado em: 11/02/2019

Registro de áreas remotas de desertos da Mongólia, monitoramento de queimadas na Califórnia e entrega de suprimentos médicos em Ruanda são algumas das contribuições dos drones para a humanidade. Se no início foram desenvolvidos para fins militares, hoje eles são usados nas mais diversas atividades, sendo as ações relacionadas ao monitoramento ambiental um terreno fértil e em expansão.

Esse é o caso do projeto “Explorando o uso de drones para apoiar a conservação e restauração de florestas no Mosaico de Áreas Protegidas do Sertão Veredas-Peruaçu”. Graças a ele, drones também sobrevoarão o Cerrado, a savana mais biodiversa do planeta e que já perdeu 50% de sua área original. A missão? Conservar o Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu, região que engloba 25 áreas protegidas, se estendendo do norte e noroeste de Minas Gerais até parte do sudoeste da Bahia.

O projeto é financiado pelo Fundo de Inovação Florestal da Rede WWF, que busca explorar possíveis aplicações de drones de baixo custo no apoio à conservação, proteção e manejo de florestas.

Segundo Felipe Spina, biólogo e analista de Conservação do WWF-Brasil, o uso de novas tecnologias para a conservação é um dos objetivos do WWF-Brasil. “Para que os esforços de restauração e conservação sejam bem-sucedidos, devemos envolver significativamente as pessoas locais e combinar o conhecimento tradicional com a ciência e a tecnologia. Orientando assim práticas de conservação consistentes e o desenvolvimento de políticas públicas inovadoras”. Além, ainda, de tornar o conhecimento realmente acessível.

Com o intuito de mesclar conhecimento local e tecnologia, o projeto organizou um workshop gratuito, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, no Norte de Minas, entre os dias 4 e 9 de fevereiro.

Intitulado Fly for Conservation, ou “Voando pela Conservação”, a oficina treinou aproximadamente 35 pessoas em montagem e a pilotagem de veículos aéreos não tripulados, os drones. Spina explica que o projeto explora o uso de pequenos drones de baixo custo e de código aberto para auxiliar no manejo florestal, na restauração e no monitoramento de unidades de conservação e de agroecologia da região.

“Estamos trabalhando para capacitar os integrantes da Cooperativa Agroecológica Cooperuaçu, formada para o extrativismo sustentável de árvores frutíferas do Cerrado, bem como equipes locais envolvidas em conservação, como gerentes de Áreas Protegidas, guarda-parques, integrantes de brigadas de incêndios florestais, de ONGs e de universidades. Queremos empoderá-los com novas tecnologias para conservação e manejo sustentável dos recursos naturais dessa importante região", explica.

Raoni Japiassu Merisse, analista ambiental do ICMBio Mambaí-GO-APA Nascentes do Rio Vermelho, teve sua primeira experiência com drones e comenta sobre a oficina: “Graças ao ritmo de exposição dos conteúdos e da clareza demonstrada pelos instrutores, não tive dificuldade para me familiarizar com essa nova ferramenta de trabalho”, afirmou.

Foto: Mosaico Sertão Veredas Peruaçu
Foto: Mosaico Sertão Veredas Peruaçu

Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu

O Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu foi recentemente ampliado de 1.8 milhão de hectares para mais de 3 milhões de hectares, passando a ter um total de 25 áreas protegidas. Esse território integra a região dos Gerais, imortalizada pelo escritor Guimarães Rosa, em que a diversidade ambiental, que abriga espécies endêmicas da fauna e flora do Cerrado, convive com a riqueza cultural dos povos tradicionais, mas tem sido alvo de desmatamento, queimadas e devastação.

De acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), os mosaicos de áreas protegidas são instrumentos de gestão e ordenamento territorial que têm por finalidade a conservação da biodiversidade por meio da integração entre as unidades de conservação e demais áreas protegidas de um determinado território.

Fonte: WWF


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