Engenheiros de empresa contratada pela Vale se calam em CPI

Makoto Namba e André Yassuda atestaram estabilidade de barragem que se rompeu em Brumadinho
Da Redação - Sou Ecológico - redacao@souecologico.com
Mineração
Publicado em: 02/05/2019

Durante toda a oitiva realizada nessa quinta-feira (02) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), os engenheiros Makoto Bamba e André Yussuda, responsáveis pelo laudo de estabilidade da barragem de rejeitos da Vale que se rompeu em Brumadinho, em janeiro, ficaram em silêncio. Eles usaram o direito de não responder a nenhum dos questionamentos dos parlamentares, garantido a ambos por meio de Habeas Corpus concedido pelo desembargador Marcílio Eustáquio Santos, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

Namba e Yassuda eram funcionários da empresa Tüv Süd, que mantinha contratos com a mineradora para avaliação de segurança de várias barragens. A exemplo do que aconteceu em abril durante audiência de CPI no Senado, os engenheiros compareceram ao encontro, foram “ouvidos” separadamente, mas não se manifestaram.

Apenas em dois momentos da reunião esse silêncio foi rompido. No primeiro, Namba garantiu ao deputado Noraldino Júnior (PSC) que nunca recebeu dinheiro da Vale ou da Tüv Süd além do que foi formalmente contratado. Depois, ao ouvir a deputada Beatriz Cerqueira (PT) ler os nomes das pessoas que ainda não foram encontradas na lama do acidente, ele afirmou que “sentia muito pelas vítimas”.

O advogado dos engenheiros, Augusto Beto, disse aos parlamentares que os investigados já responderam às perguntas em depoimentos ao MP e à Polícia Federal. E negou qualquer responsabilidade dos seus clientes, afirmando que o laudo assinado por eles é de setembro de 2018. “O que precisa ser esclarecido é o que aconteceu entre essa data e o rompimento da barragem em janeiro.”

Os membros da CPI repudiaram a escolha dos profissionais em não responder às perguntas e disseram que este é um sinal de descaso deles com as vidas perdidas com o rompimento das barragens. “O silêncio não auxilia as investigações e a construção de soluções para evitar novas tragédias”, defendeu o deputado André Quintão (PT) após fazer 50 perguntas a cada um dos engenheiros - todas ligadas a questões técnicas sobre a barragem e contratuais sobre os serviços prestados.

Foto: Ricardo Barbosa / ALMG
Foto: Ricardo Barbosa / ALMG

Durante a reunião, foram aprovados requerimentos para a convocação de Denis Valentim, também da empresa Tüv Süd, e de Eiichi Pampulini Osawa, mecânico terceirizado da Vale, para audiências públicas a serem realizadas pela CPI. Os parlamentares, entretanto, se desentenderam sobre o uso ou não da prerrogativa da CPI de convocar autoridades.

O deputado Sargento Rodrigues (PTB) lembrou que, além da Barragem do Córrego do Feijão, a Tüv Süd atestou a segurança de dezenas de outras barragens em Minas Gerais e que a Secretaria de Meio Ambiente precisa fiscalizar todas elas para evitar novas tragédias. Ele defendeu a convocação do secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Germano Vieira, seu adjunto, Anderson Silva de Aguilar, e o superintendente de Projetos Prioritários da pasta, Rodrigo Ribas, para prestar depoimentos.

Saiba mais

Logo após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em janeiro, a juíza Perla Saliba Brito determinou a prisão do coordenador do projeto, Makoto Namba, e o consultor em geotecnia, André Yassuda, e ainda, de três funcionários da Vale responsáveis pela barragem. Pouco depois, em 6 de fevereiro, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) aceitou o pedido de liberdade de todos eles. Na ocasião, o advogado dos dois profissionais que estiveram na ALMG foi a público para descartar a possibilidade de um acordo de delação premiada por parte deles.

(*) Com informações da ALMG.


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