Estudantes assinam carta em defesa da Amazônia

O texto, assinado por 1.156 estudantes do Colégio Santo Agostinho - Contagem, cobra empenho das autoridades na proteção da floresta Amazônica
Da Redação / Ecológico - redacao@souecologico.com
Meio Ambiente
Publicado em: 24/09/2019

Estudantes, do Colégio Santo Agostinho – Contagem, preocupados com o desmatamento da Floresta Amazônica resolveram que precisam se posicionar e demonstrar, de alguma forma, sua inquietação. A ideia foi a escrita de uma carta aberta ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
A diretora Aleluia Heringer foi procurada por quatro estudantes com idades entre 13 e 16 anos, e pediram ajuda: o que nós podemos fazer? Desde então, elas mobilizaram todo o colégio com a escrita de uma carta que foi lida no dia 28 de agosto, o dia de Santo Agostinho.
Segundo a diretora Aleluia Heringer, os estudantes se perguntaram: como seria a atuação do Patrono do colégio nos dias atuais? “Eles entenderam que a carta representa as virtudes de coragem e indignação pregadas por Santo Agostinho e que esse é o dever do estudante agostiniano”, afirmou.
Os estudantes fazem um apelo em nome das gerações futuras e pedem, ainda, que sejam estabelecidas e asseguradas “políticas públicas rigorosas para a proteção do meio ambiente”.

Foto: EBC
Foto: EBC

Leia a íntegra do documento:

CARTA ABERTA
Ministro do Meio Ambiente e para o Rodrigo Maia


Excelentíssimo Senhor


Nós, crianças e jovens brasileiros e brasileiras, estamos cientes de que algo errado está acontecendo com a nossa Casa Comum, o planeta Terra, assim chamado pelo Papa Francisco.
Nas últimas semanas, a Amazônia brasileira, maior floresta tropical do mundo, chamou a atenção da grande mídia nacional e internacional.
Eventos climáticos extremos, tais como o aumento das temperaturas e, consequentemente, das queimadas, o degelo do Ártico e a elevação do nível dos oceanos, são anunciados há décadas. Estamos vivendo agora aquele futuro que um dia foi previsto, mas decidiu-se ignorar.
De acordo com dados do INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, entre janeiro e o último dia 19 de agosto, houve um aumento de 83% das queimadas em relação ao mesmo período de 2018, com mais de 72 mil focos de incêndio. Sabemos que desmatamentos e queimadas sempre existiram nessa época do ano e em todos os governos; mas o momento histórico que vivemos, quando os países signatários do Acordo de Paris estão comprometidos em reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa para conter o aumento da temperatura global em 2ºC, não nos permitem “naturalizar” ou banalizar tal acontecimento.
Aquilo que a humanidade fez no passado, consciente ou não, recai hoje sobre nós. Aquilo que se faz hoje, escolhas das pessoas ou das nações, irá pesar sobre as gerações futuras. Que nós, como indivíduos, também possamos fazer a nossa parte no que diz respeito ao consumo desenfreado e nossos estilos de vida e valores que não
condizem com as necessidades do Planeta.
Nós somos estudantes, mas não como os da geração passada. Algo mudou. Nós carregamos uma angústia dentro de nós, pois entendemos, pela educação que recebemos, a importância de respeitar o tempo da natureza de se recuperar e do respeito para com todas as outras criaturas.
Por tudo isso, pedimos àqueles que hoje detêm o poder: ajam com rigor em relação ao nosso maior patrimônio que é a floresta, os rios, a diversidade da flora e da fauna e de toda a tradição guardada pelos povos das florestas. Estabeleçam e assegurem políticas públicas rigorosas para a proteção do meio ambiente. É imprescindível intervir nos focos, mas também é urgente alargarmos a nossa visão para enxergarmos os contextos, as conexões e as interdependências.
Tudo está interligado. Aquilo que acontece na floresta tem relação com aquilo que se faz nos centros urbanos. Nossa carta é dirigida ao Sr. Ministro do Meio Ambiente e ao Presidente da Câmara do Deputados em Brasília, e também é um chamado a todos nós, estudantes e professores para que saiamos da nossa zona de conforto e que possamos agir.

Atenciosamente,
Alunos do Colégio Santo Agostinho – Contagem


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