Estudo aponta ligação entre queimadas na Amazônia e criação de gado

Levantamento foi realizado pelo jornal inglês The Guardian e pela iniciativa Departamento de Jornalismo Investigativo
Matheus Muratori - redacao@souecologico.com
Meio Ambiente
Publicado em: 11/12/2019

O jornal inglês The Guardian e o Bureau of Investigative Journalism (Departamento de Jornalismo Investigativo, em tradução livre) divulgaram, nessa terça-feira (10), um levantamento envolvendo as queimadas na Amazônia, que atingiram altos níveis em 2019. A pesquisa aponta uma relação entre os focos de incêndio e criações de gado.

Segundo os dados do levantamento inglês, os incêndios foram três vezes mais comuns nas área de criação de gado do que no resto da Amazônia. O trabalho, que contou com a ajuda do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) para identificar 128 frigoríficos e estimar as áreas de onde o gado provavelmente é comprado.

Floresta Amazônia sofreu com queimadas e corte de árvores em 2019 (Foto: Greenpeace)
Floresta Amazônia sofreu com queimadas e corte de árvores em 2019 (Foto: Greenpeace)

Os dados criam um quadro das áreas da Amazônia onde o gado está sendo criado para a produção de carne bovina. Outra parte foi mapear os dados do arquivo de alertas de incêndio da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA) para a Amazônia e constatou que, dos 554 mil alertas de julho a setembro, cerca de 376 mil – cerca de 70% – estavam nas zonas de compra estimadas, apesar de essa área cobrir muito menos da metade da Amazônia Legal.

Desses alertas, cerca de 250 mil aconteceram em áreas de influência da JBS, 80 mil nas da Marfrig e 66 mil nas da Minerva, sempre levando em conta que há muita superposição de áreas de influência de matadouros de empresas diferentes.

As empresas foram procuradas pela reportagem. Elas disseram que não compram gado de áreas não sustentáveis, mas admitiram que não conseguem controlar as transferências do rebanho ao longo do seu ciclo de vida.


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