Estudo aponta piora de incêndios na Amazônia e destruição de 16% de região da floresta até 2050

Levantamento foi realizado por pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos
Matheus Muratori - redacao@souecologico.com
Meio Ambiente
Publicado em: 13/01/2020

Um estudo divulgado na última sexta-feira (10) estima que as queimadas podem liberar até 17 bilhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. Isso faria com que as florestas, que hoje funcionam como um grande depósito de carbono, se torne um emissor do principal gás-estufa.

Em agosto de 2019, a Amazônia atingiu o maior número de focos de queimadas desde 2010, mesmo com uma temporada relativamente úmida. Um grupo de estudantes desenhou a mesma situação, mas com o clima mais seco, e o resultado preocupa.

Com o agravamento do aquecimento global, impulsionado pela temporada de secura, incêndios florestais poderão destruir até 16% do sul da Amazônia até 2050. Isso liberaria até 17 bilhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera.

(Foto: Divulgação/Greenpeace)
(Foto: Divulgação/Greenpeace)

O levantamento, feito por cientistas no Brasil e nos Estados Unidos, utilizou da matemática para estimar como o aumento das temperaturas e da estiagem podem deixar mais propícios os incêndios da vegetação na porção sul da Amazônia e como isso pode se relacionar com o desmatamento.

No ano passado, o alto número de focos de fogo registrado em agosto na Amazônia se deveu em sua maior parte à queima de árvores já derrubadas no intenso processo de desmatamento que ocorreu nos meses anteriores.

Os pesquisadores - liderados por Paulo Brando, da Universidade da Califórnia, em Irvine, e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) - trabalharam com modelagens matemáticas para ver como as interações entre mudanças climáticas e desmatamento afetam a quantidade de terra queimada e de gases de efeito estufa emitidos em incêndios florestais em uma área de 192 milhões de hectares.

Somente a porção sul da floresta foi considerada no estudo por já ser uma área mais seca e também por estar mais degradada. É a área que coincide com o chamado arco do desmatamento, por onde ocorre a expansão da fronteira agrícola no Acre, sul do Amazonas, Rondônia, norte do Mato Grosso e sul do Pará.


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