Estudo avaliza monitoramento de rios feito por estudantes

Pesquisa da UFMG comprova consistência de acompanhamento ambiental de riachos feito por estudantes e professores do ensino básico
Ciência Cidadã
Publicado em: 13/12/2018

O monitoramento de rios urbanos por estudantes de escolas públicas e privadas, em parceria com universidades, é uma ferramenta eficaz para melhorar o ensino de ciências, aumentar a participação social e proteger os serviços ecossistêmicos fornecidos pelos cursos d’água. É o que revela uma pesquisa recém-publicada no periódico Ambio, de alto impacto na área de ecologia.

Desenvolvido no Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, em colaboração com a Oregon State University, dos Estados Unidos, o trabalho envolve o monitoramento participativo de riachos nas bacias hidrográficas dos rios Paraopeba e das Velhas, realizado por meio de índices biológicos e multimétricos adaptados para aplicação fora dos laboratórios da universidade.

“Demonstramos, por meio de estudos científicos bem fundamentados, que jovens estudantes podem ser treinados para usar metodologias simplificadas e, assim, avaliar a qualidade ambiental e monitorar a condição das águas urbanas”, afirma a pesquisadora Juliana Silva França, cuja tese validou a consistência de avaliações de 46 ecossistemas aquáticos, feitas por 155 professores e 1.810 estudantes de 54 escolas de ensino básico, em 12 municípios mineiros.

Treinamento

Após receberem treinamento teórico e prático, os jovens fazem avaliações periódicas de cursos d’água nas imediações de suas escolas. A primeira etapa diz respeito às condições do entorno do rio, como situação da mata ciliar, lixo, esgoto, odores e número de moradias.

Os resultados são classificados com base em protocolos de habitats físicos. Em seguida, os estudantes examinam a qualidade física e química da água. “Eles fazem coleta e usam eco-kits de avaliação colorimétrica que fornecemos às escolas. A água muda de cor de acordo com as concentrações de oxigênio, nutrientes e poluição”, relata Juliana França.

Por fim, munidas de peneiras, as equipes coletam, do leito do rio, macroinvertebrados como minhocas, caramujos e insetos, os chamados organismos bentônicos, por estarem associados ao fundo dos ecossistemas aquáticos.

Esses organismos funcionam como indicadores ecológicos, capazes de revelar a qualidade da água. “A pontuação, nesse caso, refere-se à presença e à quantidade de organismos mais sensíveis e dos mais resistentes à poluição”, explica o professor Marcos Callisto, orientador da pesquisa.

Acervo

De acordo com o orientador, o trabalho de Juliana França inova por associar ensino, pesquisa e extensão, por meio da ciência cidadã e do monitoramento participativo. Para Callisto, a abordagem da ciência cidadã é mais do que uma ferramenta, pois representa o engajamento da sociedade, o fortalecimento da cidadania e o investimento no jovem estudante.

Outro autor do artigo, o professor Ricardo Solar, pondera que a sensação de ser responsável pelo rio que passa próximo da escola traz empoderamento, porque faz esses alunos participarem da sociedade de uma maneira assertiva, tornando-os mais atuantes. Ele explica que o monitoramento de rios, feito dessa forma, é mais efetivo e barato. “É uma tarefa impossível de ser totalmente realizada em escala governamental, mesmo que fosse a única prioridade financeira do país”.

Como parte da tese, Juliana França está concluindo ainda a elaboração de um livro, em português, que reúne bases conceituais em ecologia, aspectos metodológicos, interpretação de resultados e relatos de professores que participaram do monitoramento participativo.

Fonte: UFMG


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