Estudo global indica alto risco de falta de água em cidades brasileiras

Atlas Aqueduct de Risco de Água do WRI analisou 189 países em todo o mundo
Da Redação / Ecológico - redacao@souecologico.com
Saúde e Meio Ambiente
Publicado em: 07/08/2019

A falta de água que milhões de brasileiros constatam nas torneiras e que está afetando a produção de energia hidroelétrica acaba de ser comprovada pelo novo relatório do World Resources Institute. O trabalho, que mapeou 189 países de todo o mundo, incluindo seus estados e municípios, mostra que o Brasil, como um todo, não está entre os que mais sofrerão com a falta de água no futuro. Porém algumas de suas principais cidades, sim: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza, Recife, Vitória e Campinas, estão em áreas de risco hídrico alto, de acordo com o estudo.

Pixabay
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"O estresse hídrico é a maior crise da qual ninguém fala. Suas consequências estão à vista sob a forma de insegurança alimentar, conflitos, migração e instabilidade financeira", alerta Andrew Steer, Presidente e CEO do World Resources Institute. "A boa notícia é que já temos tecnologias para reduzir ou reverter o problema. No caso do Brasil, por exemplo, nossos estudos mostram que investir em infraestrutura natural, ou seja, na restauração florestal para oferta de serviços ambientais, melhora a qualidade da água que chega aos reservatórios, o que pode facilitar a capacidade dos governos a se prepararem para crises", destaca Rachel Biderman, diretora-executiva do WRI Brasil.

O Atlas Aqueduct de Risco Hídrico mostra que 17 países, que abrigam um quarto da população mundial, enfrentam um estresse hídrico "extremamente alto". Nesses países, a agricultura, a indústria e municipalidades estão consumindo 80% das águas superficiais e subterrâneas disponíveis em um ano médio. Quando a demanda rivaliza com a oferta, mesmo pequenos choques de secas - que devem aumentar devido à crise climática - podem produzir consequências terríveis.

O relatório do WRI também identifica os pontos onde há maior risco de água em todo o mundo, como, por exemplo, na região do Oriente Médio e Norte da África (MENA), onde ficam 12 dos 17 países que enfrentam estresse "extremamente alto". Nelas, especialistas identificaram a escassez de água como um dos principais fatores de conflito e migração. O norte da Índia, por sua vez, enfrenta um severo esgotamento da água subterrânea que pode ser visualizado nos mapas do Aqueduct e, por isso, a região foi incluída em cálculos de estresse hídrico pela primeira vez. No caso do Brasil, esses pontos estão mais concentrados no Nordeste, onde fica o semiárido. Há alto risco em pontos no Planalto Central e ao leste da região Sudeste, onde ficam São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória e Campinas.

"Temos estudos que mostram como o investimento na recuperação florestal de áreas de captação de água em São Paulo e no Rio de Janeiro torna os sistemas de abastecimento mais eficientes e resilientes", informa Rachel. "Estamos finalizando um estudo em Vitória com resultados igualmente animadores. Ou seja, sabemos como enfrentar esse risco hídrico sistêmico que tende a se agravar com a crise climática. Basta vontade política para fazer", completa.

O mapa do risco da água no Brasil mostra áreas no interior do Nordeste, com um longo histórico de estresse hídrico em função de suas condições de clima e geologia, mas também regiões onde esse risco é claramente resultado da ação humana. Fatores como consumo excessivo, desperdício, a atual crise climática, a degradação das áreas de captação dos sistemas de fornecimento e o desmatamento Amazônia, que tem papel regulador das chuvas no país, estão colocando as regiões mais populosas do Brasil em risco.

Fonte: AVIV Comunicação


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