Fatos e dados do Dia Mundial da Água

Relatório da ONU aponta desafios para “não deixar ninguém para trás”
Da Redação / Ecológico - redacao@revistaecologico.com.br
Água
Publicado em: 22/03/2019

Desde 1992, quando declarou 22 de março o Dia Mundial da Água, a ONU tem chamado a atenção para o acesso cada vez mais escasso a esse recurso vital. Para promover seu uso sustentável, a entidade alerta para a crise provocada pela crescente demanda de recursos hídricos.

Os dados são impressionantes. Todos os anos, por exemplo, morrem mais pessoas das consequências de água contaminada do que de todas as formas de violência, incluindo a guerra. A questão, dizem as Nações Unidas, é que a contaminação da água enfraquece ou destrói os ecossistemas naturais que sustentam a saúde humana, a produção alimentar e a biodiversidade.

No relatório mundial deste ano, intitulado “Não deixar ninguém para trás”, a ONU atualiza números e fatos que reforçam a urgência das ações de preservação da água. Lançado nesta semana, durante a 40ª sessão do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas da Água, ele demonstra como melhorias na gestão e acesso aos recursos hídricos são essenciais para abordar as várias desigualdades sociais e econômicas.

Confira dados e fatos do relatório, selecionados pelo SOU ECOLÓGICO, que precisam ser alterados para que todos possam aproveitar os múltiplos benefícios e oportunidades que a água proporciona.

Disponibilidade e demanda por água

- Mais de dois bilhões de pessoas vivem em países que experimentam estresse hídrico. Estimativas recentes mostram que 31 países experimentam estresse hídrico entre 25% (que é definido como o patamar mínimo de estresse hídrico) e 70%. Outros 22 países estão acima do nível de 70% e, por isso, encontram-se em uma situação grave de estresse hídrico.

- Estimou-se que cerca de quatro bilhões de pessoas, que representam quase dois terços da população mundial, vivenciam uma escassez hídrica grave durante pelo menos um mês do ano.

Qualidade da água

- Em todo o mundo, mais de 80% das águas residuais retornam ao meio ambiente sem tratamento.

- Várias doenças relacionadas à água, inclusive a cólera e a esquistossomose, continuam sendo amplamente difundidas em muitos países em desenvolvimento, onde apenas uma proporção muito pequena (em alguns casos, menos de 5%) das águas residuais domésticas e urbanas são tratadas antes de seu despejo no meio ambiente.

(Foto: Skeeze/Pixabay)
(Foto: Skeeze/Pixabay)

Inundações e secas

- Cerca de 90% de todos os desastres naturais são relacionados à água. Ao longo do período de 1995–2015, as inundações responderam por 43% de todos os desastres naturais registrados, afetando 2,3 bilhões de pessoas, matando mais 157 mil e causando US$ 662 bilhões em prejuízos.

- As secas responderam por 5% dos desastres naturais, afetando 1,1 bilhão de pessoas, matando mais 22 mil e causando US$ 100 bilhões em prejuízos durante o mesmo período de 20 anos.

Serviços de abastecimento de água e saneamento

- Em todo o mundo, apenas 2,9 bilhões de pessoas (ou 39% da população mundial) dispunham de serviços sanitários gerenciados de forma segura em 2015. Duas de cinco dessas pessoas (1,2 bilhão) viviam em áreas rurais. Outros 2,1 bilhões de pessoas tinham acesso a serviços “básicos” de saneamento. Os 2,3 bilhões remanescentes (uma em cada três pessoas) não dispunham nem mesmo de um serviço sanitário básico; destes, 892 milhões de pessoas ainda realizavam a defecação a céu aberto.

- As pessoas que vivem em assentamentos informais têm de pagar um preço muito mais alto pela água, que, frequentemente, supera em 10 ou 20 vezes o valor pago por seus vizinhos mais ricos. Os pobres acabam pagando caro pelo que os ricos conseguem – quase – de graça.

(Foto: Lisa Runnels/Pixabay)
(Foto: Lisa Runnels/Pixabay)

Pobreza, saúde e nutrição

- De acordo com a Organização Mundial da Saúde, são necessários aproximadamente 50 litros de água por pessoa, por dia, para garantir que as necessidades mais básicas sejam atendidas, ao mesmo tempo em que se mantém um baixo nível de riscos para a saúde pública.

- As doenças transmitidas pela água continuam sendo um peso significativo para a saúde pública entre os grupos vulneráveis e desfavorecidos em todo o mundo, especialmente nas economias de baixa renda, nas quais 4% da população (estimados 25,5 milhões de pessoas, ou seja, uma em cada 25) sofreram de diarreia em 2015, dos quais 60% eram crianças com menos de 5 anos de idade.

Fatores que causam desigualdade, discriminação e vulnerabilidade

- Em muitos países, as desigualdades de gênero no acesso à água são amplas e persistentes. De acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), em todo o mundo, as mulheres têm em média um valor menor desse índice, quando comparadas aos homens (até 20%, no Sul da Ásia), o que indica o impacto generalizado das desigualdades que afetam as mulheres.

- Em três quartos das residências sem acesso à água potável, a responsabilidade primária por sua coleta é atribuída a meninas e mulheres. Embora os procedimentos para a coleta de água variem em diferentes partes do mundo em termos de frequência, um estudo que relacionou tempo e escassez hídrica em 25 países da África Subsaariana estimou que as mulheres, coletivamente, gastavam pelo menos 16 milhões de horas por dia coletando água potável, enquanto que os homens gastavam nessa atividade 6 milhões de horas e, as crianças, 4 milhões de horas.


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