Governo e indústria assinam acordo para reduzir açúcar em alimentos processados

Meta é retirar excessos que contribuem com aumento da obesidade e problemas de saúde
Da Redação
Saúde e Meio Ambiente
Publicado em: 27/11/2018

Os mais radicais diriam que o objetivo poderia ser alcançado com uma advertência semelhante à utilizada em propagandas e embalagens de cigarro. Mas, para reduzir o consumo de açúcar pela população brasileira, governo e indústria optaram por assinar nessa segunda-feira (26/11) um acordo mais amigável. Cinco categorias de alimentos industrializados terão as quantidades do componente reduzidas até 2022 (confira a tabela mais adiante).

A meta é gradual, será fiscalizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e envolve mais de mil produtos. Pelas estimativas do Ministério da Saúde, nos próximos quatro anos, 144 mil toneladas de açúcar deixarão de ser adicionadas a biscoitos, bolos e bebidas industrializadas.

O acordo é avaliado como um passo importante para reduzir o avanço da obesidade, que aumentou cerca de 60% na última década entre os brasileiros, conforme dados oficiais. O excesso de peso, não custa lembrar, se soma ao tabagismo, ao consumo de álcool e ao sedentarismo como fator de risco para doenças crônicas não-transmissíveis, como diabetes e câncer.

Adotando metas internacionais para frear o crescimento da obesidade, o Brasil é um dos primeiros países a fazer um acordo desse tipo com a indústria. De acordo com o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, isso vai ajudar a melhorar a conscientização das pessoas na busca por uma alimentação mais saudável. “Avançaremos também com a questão da rotulagem dos alimentos processados para que o cidadão possa fazer sua escolha com um pouco mais de informação e consciência”, disse ele durante coletiva de imprensa.

O presidente da ABIR, Alexandre Jobim, o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, o diretor-presidente da Anvisa, William Dib, e o presidente do Conselho Diretor da ABIA, Wilson Mello, durante a assinatura do acordo para redução de açúcar em alimentos. (Foto: Wilson Dias/ABR)

DOCE PERIGO

Conscientizar os consumidores será, de fato, outra medida importante. Além da grande quantidade de açúcar já utilizada pela indústria nos alimentos e bebidas, o brasileiro acrescenta ainda mais por conta própria. Consumimos, em média, 18 colheres de chá de açúcar, o que corresponde a 80 g de açúcar/dia. O recomendado pela Organização Mundial de Saúde seria até 12 colheres (entre 40 e 50 g).

De todo o açúcar extra que ingerimos, 64% correspondem ao adicionado por nós mesmos. É aquela colherzinha a mais colocada no cafezinho e no suco, por exemplo. E o que esses números mostram é que se a indústria cortar de um lado, mas o consumidor compensar do outro, de nada vai adiantar encontrar nas prateleiras do mercado produtos menos açucarados. Por isso, não custa fazer uma advertência: açúcar em excesso faz mal à saúde.

Tabela de redução por categoria de alimento

PRODUTO

META DA REDUÇÃO

DE AÇÚCAR (ATÉ 2022)

Biscoitos

62,4%

Produtos lácteos

53,9%

Misturas para bolos

46,1%

Bebidas açucaradas: refrigerantes,

néctares e refrescos

33,8%

Bolos

32,4%

Achocolatados em pó e similares

10,5%

Saiba mais:

  • O monitoramento da redução será feito a cada dois anos pela Anvisa, sendo a primeira análise no final de 2020;

  • Para estabelecer as metas, o Ministério da Saúde analisou critérios como a distribuição dos teores de açúcar dos alimentos, queda dos teores de açúcares livres não resultantes em aumento no valor energético e de adição ou substituição por adoçantes e percentual de produtos a serem reformulados;

  • Fazem parte do acordo a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA), a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (ABIR), a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados (ABIMAPI) e a Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos);

  • O acordo segue o mesmo parâmetro do feito para a redução do sódio, que foi capaz de retirar mais de 17 mil toneladas da substância dos alimentos processados em quatro anos.


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