Governo Federal libera uso de mais 42 agrotóxicos

Um dos países que mais utiliza pesticidas no mundo, Brasil segue na contramão da tendência mundial de redução rigorosa
Da Redação / redacao@revistaecologico.com.br
Política Ambiental
Publicado em: 03/07/2019

Durante debate realizado pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) no início da semana, ambientalistas e parlamentares criticaram a liberação do uso de novos agrotóxicos no país pelo Governo Federal. O Ministério da Agricultura autorizou, mês passado, a utilização de 42 produtos. Ao todo, a pasta avalizou 239 agrotóxicos de janeiro de 2019 até o mês passado.

“O agrotóxico chega a todos nós pela água ou pelos alimentos”, lembrou Érico Torres, coordenador do Fórum Mineiro de Combate aos Agrotóxicos. Ele também ressaltou que “a questão deve ser vista pelo prisma do risco à saúde e que, com a medida, o país está na contramão da tendência mundial de uso mais rigoroso”.

Também contrária à liberação de mais pesticidas, a técnica da Articulação Mineira de Agroecologia, Luísa Melgaço, ressaltou que o consumo desses produtos tem aumentado ao longo dos anos. “É uma curva de envenenamento da população. Minas é o segundo Estado em intoxicação.”

A deputada Leninha (PT), que preside a comissão, afirmou ser preocupante o uso de agrotóxicos no Estado e no Brasil. “A cada semana, mais venenos são liberados”, disse. Ela destacou que água contaminada significa “alimento infectado”. A parlamentar ainda abordou duas proposições de sua autoria que tramitam na ALMG. Uma delas, o Projeto de Lei (PL) 171/19, institui uma estratégia para a redução do uso de agrotóxicos e para o incentivo à agroecologia e à produção orgânica. Já o PL 859/19 pretende vedar benefícios fiscais para a produção e a comercialização de agrotóxicos. “Queremos que Minas seja referência na transição para a agroecologia”, salientou.

Já a integrante da "Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida", Marilda Magalhães, abordou o estudo “Por Trás do Alimento”, realizado pelas organizações Repórter Brasil, Agência Pública e Public Eye.

De acordo com essa pesquisa, empresas de abastecimento de 1.396 municípios detectaram nas águas todos os 27 pesticidas que são obrigados por lei a testar. Desses, 16 são classificados como extremamente ou altamente tóxicos. Na maioria das cidades, os testes de qualidade da água não são feitos constantemente e as informações não são devidamente divulgadas. “Infelizmente, nosso sistema de vigilância de agrotóxicos na água é frágil e deve ser aperfeiçoado”, ressaltou.

Minas é mais seguro

Também presente à reunião, o engenheiro agrônomo e superintendente da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Rodrigo Carvalho Fernandes, relatou que Minas é o Estado mais seguro em relação ao uso de agrotóxicos, com índices abaixo da média nacional e internacional. “Das ações de fiscalização no país, 27% ocorrem em Minas. E nem somos o Estado que mais utiliza as substâncias. Não apregoamos o uso de agrotóxicos ou o demonizamos. Respeitamos o que pode ser utilizado”, acrescentou.

(*) Com informações da ALMG.


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