Governo trava ‘guerra’ com veterinários e reafirma que peixes de áreas com óleo podem ser consumidos

Estudo encomendado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento disse que o consumo desse pescado é seguro
Matheus Muratori - redacao@souecologico.com
Política Ambiental
Publicado em: 12/11/2019

O Governo Federal inicou, nessa segunda-feira (11), uma nova “guerra” com estudiosos e profissionais da área ambiental. Um estudo encomendado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento mostrou que o pescado das áreas atingidas pelo óleo que assombra os litorais da Região Nordeste e do estado do Espírito Santo desde o fim de agosto deste ano pode ser consumido, desmentindo veterinários.

De acordo com o laudo, amostras coletadas na Bahia, no Ceará, em Pernambuco e no Rio Grande do Norte não contêm níveis significativos de contaminação por petróleo.

As amostras utilizadas no estudo foram coletadas nos dias 29 e 30 de outubro em estabelecimentos registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) e foram testadas para 37 compostos diferentes de Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPA) - substâncias que indicam a contaminação por derivados de petróleo. Além de diferentes espécies de peixes, os testes também avaliaram a condição de lagostas.

Governo novamente entra em rota de colisão com pesquisadores (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Governo novamente entra em rota de colisão com pesquisadores (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A resposta vem dias depois de 37 veterinários rechaçarem, por meio de um ofício, a declaração do secretário da Agricultura e da Pesca, Jorge Seif Júnior. Ele disse, em 31 de outubro, que “peixe é inteligente, quando vê mancha de óleo, foge (...) Podem consumir seu peixinho, lagosta ou camarão, sem problema nenhum”.

“É importante enfatizar que esta informação não procede, uma vez que está incorreta (é sim possível que os peixes se contaminem diretamente) e também não leva em conta o fato de que a principal via de contaminação dos peixes e outros tipos de pescado está relacionado à via indireta, pela cadeia alimentar. Assim, é indiscutível que os recursos alimentares provenientes do litoral nordestino correm grande risco de estarem contaminados (e possivelmente de outras regiões do país, à medida que a área impactada continua a aumentar), como já foi demonstrado na Bahia”, diz trecho da publicação, divulgada na última quinta-feira (7).

Este é somente mais um embate entre o Governo e pesquisadores. No início de agosto deste ano, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) exonerou o então presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe). O governante questionou os dados do órgão sobre o desmatamento na Amazônia.


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