Ibama muda conduta e anuncia onde atuará contra desmatamento da Amazônia

Até 2018, local das operações era mantido em sigilo
Matheus Muratori - redacao@souecologico.com
Política Ambiental
Publicado em: 28/05/2019

Por meio de um comunicado em seu site oficial, na última sexta-feira (24), o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) anunciou uma operação no Sudoeste do Pará. A atitude mostra uma mudança na conduta do combate ao desmatamento da Amazônia, já que, até 2018, a área em que se realizava uma operação era mantida em sigilo para não atrapalhar a investigação.

Avanço da derrubada da floresta brasileira é claro (Foto: Divulgação/Serviço Florestal Brasileiro)
Avanço da derrubada da floresta brasileira é claro (Foto: Divulgação/Serviço Florestal Brasileiro)

“Estão planejadas operações de fiscalização contra desmatamento e garimpo em Terras Indígenas e Unidades de Conservação no sudoeste do Pará, região que abriga a Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim”, diz a nota do Ibama. Essa Flona sofre intensamente com pressão de grileiros.

Em outro momento, o comunicado diz que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) “trabalha em uma nova metodologia de alertas de desmatamento e busca desde o início da atual gestão uma ferramenta tecnológica que permita a detecção diária de desmatamentos de até 1 hectare (...) O sistema atual detecta desmatamentos superiores a 6,25 hectares e emite alertas com lapso temporal que não favorece ações de caráter preventivo”.

O Sou Ecológico noticiou que somente nos 15 primeiros dias de maio deste ano, 7 mil hectares foram desmatados das Unidades de Conservação (UCs) da Amazônia. Fica claro o avanço da derrubada da floresta brasileira ao compararmos os números com o período de agosto de 2018 até abril de 2019, quando pouco mais de 8 mil hectares haviam sido extraídos.

A Flona do Jamanxim foi a UC federal mais desmatada do país. Entre janeiro e maio deste ano, foram aplicadas pouco mais de 1.100 multas pelo Ibama e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Natureza (ICMBio), apresentando uma queda de 45% em relação ao mesmo período de 2018.

Veja, na íntegra, a nota do Ibama:

Em relação às notícias divulgadas na imprensa sobre avanço do desmatamento no início deste ano com base em dados do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter-B), ferramenta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Ibama esclarece:

O Deter-B foi desenvolvido com o objetivo de oferecer suporte à fiscalização. A informação gerada pelo sistema sobre áreas possivelmente desmatadas não deve ser confundida com taxa mensal de desmatamento. Os dados oficiais de desmatamento por corte raso na Amazônia são gerados anualmente pelo Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), do próprio Inpe.

Os alertas do Deter-B são produzidos a partir de imagens de satélite com baixa resolução que podem ser prejudicadas pela presença de nuvens e apontar processos de desflorestamento ocorridos em períodos anteriores. O sistema divulga desmatamentos superiores a 6,25 hectares e emite alertas com lapso temporal que não favorece ações de caráter preventivo.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) trabalha em uma nova metodologia de alertas de desmatamento e busca desde o início da atual gestão uma ferramenta tecnológica que permita a detecção diária de desmatamentos por meio de imagens de alta resolução.

Uma ferramenta de monitoramento mais avançada permitiria ao Ibama e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) atuar mais efetivamente nas Unidades de Conservação, principalmente nas que apresentam maior quantidade de alertas.

Estão planejadas operações de fiscalização contra o desmatamento ilegal nas áreas críticas da Amazônia, que incluem Terras Indígenas e Unidades de Conservação no sudoeste do Pará, região que abriga a Floresta Nacional do Jamanxim.


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